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setembro 16, 2004
No que o Conselho de Administração do Metro do Porto anda a gastar (o nosso) dinheiro

Como residente da área metropolitana do Porto, penso que não estarei sozinho se disser que o Metro foi a melhor coisa que nos aconteceu nos últimos anos. Aquilo é rápido, prático, pontual, seguro e confortável e não vejo a hora das linhas em construção estarem concluídas para que a travessia do Rio Douro deixe de ser uma espécie de penosa peregrinação por filas intermináveis de trânsito. Gostaria de poder dizer o mesmo em relação ao preço das viagens, mas, enfim, a qualidade tem um preço e acredito que, quando a totalidade da rede estiver operacional e o n.º de passageiros aumentar, seja possível baixar as taxas que são, de facto, um pouco exageradas. Portanto, o que vou escrever de seguida não visa pôr em causa o meritório trabalho da equipa responsável pelo Metro do Porto. Queria deixar esse ponto bem claro.
O que motiva este post foi a leitura diagonal da secção de necrologia do JN (não, não sou necrófilo), na qual me chamou a atenção um anúncio «king size» do Conselho de Administração (CA) do Metro do Porto, onde se agradecia todas as manifestações de pesar pela morte do pai do Presidente do Conselho Executivo daquele organismo.
Sei que me movo em terrenos movediços. Mas quem pisou em primeiro lugar esse pântano foi o CA do Metro do Porto ao publicar com o dinheiro desta empresa pública um anúncio cuja pertinência me parece absolutamente questionável. Senão vejamos:
a) A pessoa que faleceu, que eu saiba, nunca fez parte da empresa.
b) Se fosse o pai de qualquer outra pessoa da empresa como, por exemplo, um condutor de carruagens ou um fiscal, o CA teria publicado aquele anúncio?
c) Se os membros do CA do Metro do Porto queriam, de facto, agradecer as manifestações de pesar que eventualmente chegaram à empresa, e supondo que pudesse haver (legítimas) motivações pessoais, porque é que eles não o publicaram pagando o anúncio do seu bolso?
d) Qual é a fronteira existente na cabeça dos membros do CA para julgarem pertinente a publicação, a custas do erário público, deste tipo de anúncios? Apenas os quadros superiores da empresa? E o grau de parentesco? Só se forem pais e filhos? E se fôr um tio? Ou uma cunhada?
Acabo de reler o que escrevi e abomino o que leio. Porque por detrás daquilo que me parece ser um abuso, há a morte de uma pessoa e o luto de uma família e de amigos. Há a morte de um pai e eu sei o que isso é. Mas é exactamente por esta razão que, após alguma hesitação, resolvi publicar esta entrada. Ao procurarem homenagear uma pessoa desaparecida, o CA do Metro do Porto acabou por presenteá-la com um abuso de competências que roça a ilegalidade. O que é de lamentar.
Publicado por João Pedro da Costa às setembro 16, 2004 07:48 PM
Comentários
A ser assim estou totalmente de acordo com os sentimentos e análise do meu amigo... Parabéns pela frontalidade.
Um abraço do morfeu
Publicado por: morfeu em setembro 17, 2004 12:30 AM
O pior, meu caro Morfeu, é que esta parece ser uma espécie de prática corrente por parte das pessoas que gerem os dinheiros públicos. Ainda há pouco aconteceu o mesmo com a Câmara de Matosinhos e Narciso Miranda (a propósito: «bye bye badman»), mas nem assim o CA do Metro do Porto parece ter aprendido com a lição.
Publicado por: João Pedro da Costa em setembro 17, 2004 01:41 PM
O desenho está genial e aposto que assinado vale uma fortuna...
(Eu depois confirmo)
Publicado por: MD em setembro 18, 2004 10:20 PM
No passado dia 17 de Setembro foi furtado na residência de João Pedro da Costa, um desenho original deste famoso artista plástico. Segundo conseguimos apurar, cópias do mesmo já circulam pela Internet sem a autorização do autor. Qualquer informação sobre esse furto deverá ser comunicada ao blog AS RUÍNAS CIRCULARES (www.asruinasirculares.weblog.com.pt).
Publicado por: Polícia Judiciária em setembro 19, 2004 12:54 AM