« O meu coelho suicidia #3 | Entrada | O tabaco e os impostos II »
setembro 20, 2004
O tabaco e os impostos
Eu sou fumador e fumo muito. Fumo porque fumar é bom, dá-me mesmo IMENSO prazer. Mas não sou burro (burrice foi quando fumei o primeiro) e, como a maioria dos fumadores, já procurei diversas vezes deixar de fumar. Já tentei o método «Bunny suicide» (deixar de fumar sem mais nem menos), a substituição por pastilhas elásticas, deixar de tomar café, ler intensivamente artigos impressionistas sobre os malefícios do tabaco, enfim, o diabo a quatro - tudo em vão. Há duas semanas, aderi ao tabaco de enrolar e os resultados não são menosprezáveis: gasto apenas 20% do que gastava antes e reduzi cerca de 50% o número de cigarros que fumava por dia (os números exactos, hei-de levá-los comigo para o túmulo). Como todos os fumadores, sofri e sofro por fumar na rua, por fumar em casa e na casa dos outros e por ter fumado em todos os locais onde já trabalhei. Tenho de ouvir piadas de mau gosto de pessoas que não sabem ou não querem saber o que é ter um vício, comentários sobre o que deveria ser a minha preocupação em relação aos outros e ainda (última novidade) tenho de andar no bolso com uns dizeres (cortesia dos governos da união europeia) que me fazem o favor de me lembrar que me ando a matar aos poucos. O que, apesar de ter efeitos nulos, é sempre simpático.
O governo. Tem piada que na sua já famosa performance televisiva sobre as contas do Estado, Bagão Félix apenas fez referência a uma única medida concreta para combater o défice: aumentar o imposto sobre o tabaco. O que, se calhar, este senhor não sabe é que a margem de manobra já não é grande: somos o 5º país da Europa com o maior imposto sobre o tabaco (estão preparados?): 78% (pois é). Ou seja, quando compramos um Marloboro por €2,35, vão direitinhos para os cofres de estado €1,83. Somos uns magníficos contribuintes. Chatos, mas contribuintes.
Aconselho pois as repartições públicas, alguns restaurantes e a MacDonalds a substituir os avisos «É proibido fumar» por «É proibido contribuir para a meta dos 3%». E anda-me este governo a preparar uma nova lei que restringe os locais onde se pode fumar. Será que desconhecem o plano de acção do ministro das finanças?
Bando de palhaços.
Publicado por João Pedro da Costa às setembro 20, 2004 06:34 PM
Comentários
Eu nunca exprementei nenhum remedio para deixar de fumar, creio que é pior que fumar! Mas depois de varias tentativas, e depois de uma greve que durou muito tempo, isto em 1969, pedi um cigarro a um colega de trabalho, a resposta dele foi, eu vou-te dar mas estive em greve como tu. NUNCA MAIS FUMEI.
PS: se te pode ajudar, tanto melhor. BYE
Publicado por: celta em setembro 20, 2004 10:33 PM
Meus amigos, ora aqui está uma forma de sermos patriotas e, ao mesmo tempo, lixar a vida daqueles com que não vamos muito à bola. Já sabem, convençam os gajos má onda a fumar! Para além de estarem fazer com que os tipos queimem os pulmões (eles merecem...) ainda por cima ajudam a combater o défice (para o bem da nação!).
Publicado por: Pedro em setembro 20, 2004 11:47 PM
1. Se alguém conseguir descodificar o comentário do «celta», por favor, ajudem-me que eu não consigo. A verdade é que, pelos vistos, deixou mesmo de fumar. Logo, há aqui um potencial foco de interesse.
2. Pedro, um gajo má onda não se deixa convencer por ninguém. Não é por aí que vamos acabar com eles.
Publicado por: João Pedro da Costa em setembro 21, 2004 01:02 AM
Siga-se o exemplo do Mark Twain, "Nada há mais simples e fácil que deixar de fumar, já deixei vezes sem conta..."
Não sei se ele se referia ao instante mesmo em que apagava cada cigarro, ou se lhe dava mais umas horas até ao próximo, ou uns dias. A regra é não o fazer por hábito, mesmo que se repita muitas vezes.
Publicado por: João Ribeiro em setembro 23, 2004 11:13 AM