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outubro 23, 2004
A propósitio de necrofilia
este disco

parece ser uma excepção à regra da mediocridade das edições póstumas.
Para quem não sabe, Elliott Smith foi um dos maiores compositores norte-americanos da década de 90, deixando-nos cinco álbuns (com este seis) que são autênticos marcos na história da música alternativa. Há cerca de um ano, Elliott Smith pôs termo à vida de uma forma brutal e inusitada: duas facadas no coração, a sangue frio (isto apesar de haver os habituais rumores de homícidio). FROM A BASEMENT ON A HILL, para além do título premonitório, aproximar-se-á bastante daquilo que o compositor queria que fosse o seu derradeiro disco: não há aqui demos, nem temas impróprios para consumo, como costuma ser da praxe das edições póstumas (lembro-me aqui particularmente do (SKETCHES FOR) MY SWEETHEART, THE DRUNK de Jeff Buckley). Ao ouvir o disco pela primeira vez, há cerca de dez minutos, surpreendeu-me sobretudo que uma voz tão límpida e clarividente possa ter desaparecido e registo o facto de não haver qualquer referência à morte do autor no inlay do álbum. Esta sobriedade, no mundo em que vivemos, quer dizer muita coisa.
(Fica a promessa de voltar aqui depois.)
Publicado por João Pedro da Costa às outubro 23, 2004 07:53 PM