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outubro 18, 2004

O Verde da Pupila

Era no fundo do quintal que afinávamos
as cores para evitar confusões. Embora
eu fosse azul e o meu pai amarelo,
a verdade é que a luz nos ourava até

ao imo da pupila e não era assim fácil
esquecer que habitávamos um mesmo nome.
Como os melros, recuperávamos o silêncio
sob os castanheiros, porque era apenas

lá, naquela sombra delicada, que as coisas
fermentavam de opacidade. Sobra-me
ainda hoje um pouco desta claridade na

memória e, embora a minha mãe me jure o
contrário, acredito que se um dia me conseguir
subtrair à relva, quem sabe, o meu pai.

Publicado por João Pedro da Costa às outubro 18, 2004 12:10 AM

Comentários

(que prazer, ler-te)

Publicado por: Mi em novembro 25, 2004 03:02 PM

Obrigado, Mi. Tens uma caixa de comentários só para ti, já viste que sorte?

Publicado por: João Pedro da Costa em novembro 25, 2004 03:55 PM

Tive de voltar aqui e só agora vi que tinhas respondido. (pois tenho) :)

acredito que se um dia me conseguir
subtrair à relva, quem sabe, o meu pai

Não consigo esquecer isto. É demasiado meu, sendo teu.

Publicado por: Mi em dezembro 4, 2004 12:22 AM

Isso é que é um elogio e pêras. Obrigado, Mi. Não cai em saco roto. Um abraço forte

Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 4, 2004 12:56 AM

:) outro

Publicado por: Mi em dezembro 4, 2004 01:41 AM