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novembro 09, 2004
Haverá alguma coisa mais triste no mundo
do que termos um gato doente? É claro que sim. Mas hoje não consigo lembrar-me de nenhuma.
Publicado por João Pedro da Costa às novembro 9, 2004 11:27 PM
Comentários
Mimos e festinhas ao gato e as melhoras.
Publicado por: catarina em novembro 9, 2004 11:38 PM
Peço desculpa por perguntar. Dada a minha ignorância e distracção deixei há momentos no afixe uma pergunta que gostaria de ver respondida, a propósito de castanhas. Em Carrazeda de Montenegro dizem a de uma mulher que está para dar à luz que, está para arreganhar o ouriço. Isto é o quê? Linguisticamente falando.
Publicado por: João Ribeiro em novembro 10, 2004 12:01 AM
Ó João, só mesmo este teu comentário para me fazer rir. É uma metáfora. Um abraço
Publicado por: João Pedro da Costa em novembro 10, 2004 12:23 AM
As melhoras do teu gatito. Miminhos para ele e um beijo ao dono, que também parece estar a precisar de um carinho.
Publicado por: 1poucomais em novembro 10, 2004 02:27 AM
Festinhas ao gato, é claro. Já foi ao veterinário? Parece pergunta óbvia, mas olha que às vezes não nos lembramos...
A pergunta do João Ribeiro, que foi "para mim" lá no Afixe, achei que era a pergunta de piada, e realmente tinha resposta. limitei-me a rir. Lamento não ter respondido, amigo. Não foi por mal...
Publicado por: Emiéle em novembro 10, 2004 08:53 AM
Qual deles é que está doente? O meu está pançudo e obeso. É um siamês bravio, mau como as cobras, e, quando entrar na época do cio, vai-me chegar a casa com as tripas de fora ou metade de uma orelha. Já estou habituada. A minha vizinha já me avisou: "É o mais mau de todos!". É o diabo.
Publicado por: Susana em novembro 10, 2004 10:06 AM
Eu tenho um cão. Gosto muito do meu cão. Acho que entendo a tua tristeza.
Estou a ficar lamechas. Sinceros votos de melhoras para o teu felino.
Publicado por: sharkinho em novembro 10, 2004 10:53 AM
Ode ao gato
Os animais foram
imperfeitos,
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vôo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
O homem quer ser peixe e pássaro
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato
do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.
Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma coisa só
como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa
de uma nave.
Os seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogara as moedas da noite
Oh pequeno
imperador sem orbe,
conquistador sem pátria
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na intempérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.
Oh fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insígnia
de um
desaparecido veludo,
certamente não há
enigma
na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti e pertence
ao habitante menos misterioso,
talvez todos acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos
do seu gato.
Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço o gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica,
o gineceu com os seus extravios,
o pôr e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
os seus olhos têm números de ouro.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Pablo Neruda
Publicado por: Susana em novembro 10, 2004 11:16 AM
As melhoras para o gato. Deve ser o Xico. Abraço.
Publicado por: Ricky G. em novembro 10, 2004 11:20 AM
João Ribeiro: Se um homem me viesse falar nestes termos, utilizando esse tipo de expressão, saía da minha casca pseudo-burguesa e ataviava-lhe um belíssimo soco. Um conselho: pergunta à gente da terra o que "arreganhar o ouriço" significa. Talvez te apareça numa esquina uma matrona imunda com sachola na mão e te ensine a desrespeitar linguisticamente as mulheres de garbo.
Publicado por: Susana em novembro 10, 2004 11:29 AM
As melhoras e uma festinha para o gatinho. Bem sei a tristeza e preocupação que isso é - também tenho um cãozito ternurento (e doente crónico) que volta e meia faz-me passar umas noites (e dias) terríveis de vigília!
Publicado por: DK em novembro 10, 2004 12:26 PM
Não há nada pior do que termos o nosso gato doente (ou cão para quem seja o caso): um amigo, um familiar, falam connosco, dizem o que sentem e o que precisam... As melhoras para ele, espero que fique bem depressa. Vais ver: daqui a nada está outra vez a tentar voar para o teu quarto através da janela ;D
Publicado por: minerva em novembro 10, 2004 12:45 PM
Obrigado a todos pelas gentis mensagens. O Xico deu hoje uma valente coça ao gato preto da minha vizinha, o que apenas posso interpretar como um bom sinal. A ver vamos.
Publicado por: João Pedro da Costa em novembro 10, 2004 06:12 PM