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dezembro 30, 2004
Eros no quotidiano
Chega a casa tarde. A mulher já dorme.
Na semi-obscuridade do quarto contempla o perfil ondulante e sente o calor emanado da pele nua e queimada de Verão. Conhece aquele corpo. As pernas morenas e as nádegas brancas. Os pêlos que sobram após a depilação. Os dias da menstruação. Toca-a com o pénis erecto. Toca-a com as mãos. Sente os mamilos. Tacteia até aos olhos, sente a humidade da língua dela nos dedos. Toca a vagina, está molhada. O corpo cansado abre-se em decúbito dorsal. As pernas apartam-se, os seios espalham-se. Beija-a nos lábios. Sente-lhe os olhos abertos, fechados. Chupa, como um torrão de açúcar, os mamilos salientes. As mãos dela vagueiam por sítios do seu próprio corpo e do corpo dele. Ele gosta das pernas flectidas, do pender dos músculos, que apalpa e morde. As pernas dela. Toca ao de leve o lado quente das coxas. Com os dedos, com os lábios. Tão próxima, a boca dele toca a vagina. Aquelas formas, aqueles relevos. A língua, autónoma, toca a matéria pura. Bebe os líquidos, interna-se. Sente o corpo feminino ampliar-se na sua mais forte expressão, em contorções, arqueios e fugas. Sente esse corpo voltar-se para baixo e oferecer, de pernas afastadas, a vagina e o ânus para lamber. Um entendimento, uma sucessão de ofertas e pedidos satisfeitos. Toma noção súbita dos gemidos de ambos, dos odores dispersos. Beijam-se na boca, lambem-se mutuamente. A mão dele desce entre o ventre dela e o lençol até afastar os lábios com dois dedos. O pénis aproxima-se da abertura e toca a carne que é o seu magneto. O calor, a humidade, o gozo indescritível de entrar. Ela estende os braços contra o colchão e volta a cara para o beijar. De frente, pede ansiosamente. E volta-se. Por um momento olha o corpo dela, as pernas relaxadamente abertas, a barriga saliente, os seios redondos, as mãos firmes, que começam a puxá-lo pelos rins, os olhos fechados, a maior súplica e a mais seguramente atendida. O abraço, as palavras de amor, os beijos descontrolados, a linguagem livre, as obscenidades, repetidas obsessivamente, as imagens que provocam arrancadas, saltos para fora da vida, para fora de tudo, para o abstracto de picha, cona, bom, vai, amor, vem, força, vem, amor.
E depois o sono. Adormecer ao lado dela, a suar. Com uma mão pousada na perna flectida. Os seios deitados, dormindo. O respirar pesado, dormindo. O sono.
Publicado por derFred às dezembro 30, 2004 12:55 PM
Comentários
Isto deu-me fome. Vou tomar o pequeno almoço.
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 30, 2004 12:58 PM
Sim, depois do sono é a fome.
Publicado por: derFred em dezembro 30, 2004 01:05 PM
Belo.
Publicado por: vague em dezembro 30, 2004 01:10 PM
Como sou um bocado de mais alimento...decidi que tá na hora d'almoço!
Publicado por: isabel sousa em dezembro 30, 2004 01:12 PM
je bande :D
Publicado por: Mi em dezembro 30, 2004 01:21 PM
ça me plaît :D
Publicado por: derFred em dezembro 30, 2004 01:31 PM
Clap clap. Muito bem! gostei
Publicado por: cachucho em dezembro 30, 2004 01:44 PM
Estão ali ao fundo uns tipos a olhar para mim, a estranharem-me a respiração ainda descompassada, a cara avermelhada, a forma como me espojo na cadeira. Como neste momento não me parece oportuno ir ali fechar os estores, estava a pensar fazer uma impressão de um documento qualquer, já que isso me levaria até junto deles. Depois era só dizer qualquer coisa que voltasse a pôr a minha reputação em níveis médios. Alguém tem alguma ideia do que possa inventar? Talvez tu DerFred, já que tens culpas no cartório?
Publicado por: Eufigénio em dezembro 30, 2004 01:52 PM
Diz que são afrontamentos.
Publicado por: derFred em dezembro 30, 2004 01:56 PM
derfred entraste em grande. :)
Publicado por: nc em dezembro 30, 2004 01:59 PM
:D
Publicado por: derFred em dezembro 30, 2004 02:05 PM
Olhó gajo, hã? Parecia tão mansinho, tão discreto e afinal percebe da poda (sem agá, deixem-se dessas fantasias)...
Bom, mas se a coisa aqui vai descambar para o erótico a maltosa atesoada do Google vai desamparar-me a loja.
Sim senhores, Fred. Boa malha. Muito genuína, au naturel. Excepto a questão do magneto, para quem tenha a mania dos piercings.
Publicado por: sharkinho em dezembro 30, 2004 02:22 PM
Sexo, sexo, sexo, sexo. Ímã de Google.
Publicado por: derFred em dezembro 30, 2004 02:24 PM
:) (agora mais sossegada: belíssimo quotidiano, esse, derFred.)
Publicado por: Mi em dezembro 30, 2004 03:29 PM
Assim... sem aviso prévio, e logo no trabalho, na sala que não a minha (que tenho o monitor avariado)com a marta a falar para mim, e eu...
Estarrecida!
Publicado por: sofia em dezembro 30, 2004 03:49 PM
Hum...este derFred, afinal...é capaz de ter sido uma boa aquisição ;-))))
Publicado por: Mar em dezembro 30, 2004 04:55 PM
Ou depois da fome é o sono :P
Publicado por: vague em dezembro 30, 2004 05:41 PM
humm ... antes disso, acho que vou fumar um cigarrinho! ahhhh
Publicado por: Eufigénio em dezembro 30, 2004 05:58 PM
Por isso é que por vezes se acaba a comer na cama e o lençol fica cheio de migalhas.
Publicado por: derFred em dezembro 30, 2004 07:00 PM
Eu até já me acostumei a entrar neste blogue para tripar.
Mas derFred, tenho de te dar os parabéns pelo bem que escreves, pelo teu estilo de misturar imagens cruas com outras apenas sugeridas. É uma delícia de leitura ( e não do mar ou outro qualquer peixe como o linguado)!
Publicado por: maria árvore em dezembro 30, 2004 08:43 PM
Ainda bem que gostaste.
Publicado por: derFred em dezembro 30, 2004 09:08 PM
Belo quotidiano. Acho que já alguém disse isso nos comentários, mas foi o que me ocorreu ao ler o texto. Para além do facto de estar a ser uma muito agradável surpresa descobrir como o derFred escreve bem.
Publicado por: 1poucomais em dezembro 30, 2004 09:48 PM
Bem, começo a corar.
Publicado por: derFred em dezembro 30, 2004 10:11 PM
Acho que deves corar, sim senhor. Ser-se mulher, "vista de fora" é completamente fascinante.
Publicado por: Emiéle em dezembro 30, 2004 10:45 PM
'Palavras cruas misturadas com outras apenas sugeridas'
'Quotidiano'
'Ser-se mulher, vista de fora' é muito estimulante'.
Não posso concordar mais com isto que li.
É nesse 'quotidiano', tão carimbado, tão associado a lugares-comuns que é maravilhoso descobrir e amar todos os dias (sendo que o q interessa mais é a infinitude enquanto durar o amor, mas q bom se durar sempre) a pessoa que é 'nossa' ou que virá a ser. Porque vibrar com a novidade qualquer um/uma vibra. Ter a paciência de descobrir uma mulher (ou um homem) senti-la, fazê-la sentir ainda mais mulher, dar-lhe ombro, amor, paixão, risos, paradoxos e tudo o que faz uma relação saudável de amor, isso, meuss amigoss, é arte.
E eu cada vez gosto mais de ser mulher :)
É que é mesmo fascinante este retrato, palavras cruas de verdades não hipócritas, delicadeza, força, humildade.
Parabéns ao derFred (não percebo alemão, isso é algo que se possa dizer? ;) por palavras tão artisticamente dispostas. Me voy escuchando Lhasa.
Beso.
Publicado por: vague em dezembro 30, 2004 11:35 PM
É tão engraçado partilhar aqui estas coisas! É fascinante pelas vossas reacções.
Escrevi isto em 1991 (ontem fiz uma pequena revisão). Na altura ainda não tinha tido uma relação conjugal, mas tinha um namoro estável. De certa forma é a projecção do desejo de uma vida em comum (que se concretizou anos depois e que durou alguns anos), embora as personagens não sejam ela nem eu. Mas há sempre algo de nós no que escrevemos e sobretudo há um ideal - neste caso, do amor erótico: a fusão do desejo mais ardente com a ternura mais profunda, que cria momentos sublimes. E ainda o prazer puramente carnal, quase carnívoro, de explorar o corpo de uma mulher, que para mim, é a coisa mais bela da Natureza.
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 12:25 AM
Tem piada, porque, ao ler o teu texto, desconfiei logo desse pendor idealista. Até porque há aqui dois elementos que, nas relações a dois, são inversamente proporcionais: a ternura (palavra odiosa) e o desejo. Aprender a gerir esses dois rapazes leva uma vida inteira. E não sei se chega.
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 12:38 AM
O que mais me agradou no teu texto, precisamente, foi o que a Vague salientou: o conseguires traduzir a beleza e a intensidade erótica do amor que se vive dia após dia. O desejo pelo corpo que se conhece como a palma das nossas mãos, a ternura, o carinho, que fazem de uma relação duradoura algo muito diferente, muito mais rico e espantoso do que qualquer "one night stand".
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 12:39 AM
Escrevemos ao mesmo tempo, JP :-)
Porque é que ternura é uma palavra odiosa? Eu não acho (como acima dá para perceber).
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 12:40 AM
Mas, justamente, na minha experiência o amor funde o desejo e a ternura. Ao mesmo tempo quero foder com toda a força (digamos assim) e proteger aquela pessoa de todos os males. Não são inversamente proporcionais nem se excluem mutuamente.
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 01:05 AM
Também fiquei curiosa, JP (olhem para mim, aqui a estas horas...nunca acontece!)Mas fiquei um pouco como a azul. Diz lá o que entendes tu por ternura a ver se a gente se entende. Acredito que estejamos a pensar em coisas diferentes.
Publicado por: Emiéle em dezembro 31, 2004 01:08 AM
:)
Para mim, a palavra «ternura» é odiosa porque remete para algo cuja verdadeira essência passa, insoluvelmente, na sua não manifestação. A palavra é odiosa não pelo som (significante), nem pelo significado, mas simplesmente pelo facto de transpor para o dizível ou o nominável algo que, quando manifestado, se transforma num despudor que me é insuportável.
Quando digo (salvo seja): «tenho ternura por ti», tudo se estraga. Porque essa frase consegue transpor a focalização verbal DO objecto da ternura PARA o sujeito da mesma. Estou a falar, portanto, de um problema de verbalização.
Repara. Não é por acaso que os verbos que predicatizam a palavra «ternura» são, por excelência, os verbos TER e SENTIR, ou que a pessoa que conjuga esse verbo seja quase sempre a 1.ª do singular. Um frase como «tu tens ternura por mim» ou «ele sente ternura por mim», apesar de serem frases correctas gramaticamente, são frases que, do ponto de vista pragmático, são praticamente inexistentes e que, em última análise, nem sequer fazem sentido. A ternura não é algo que possa ser identificado em alguém: é algo que apenas o sujeito da enunciação pode sentir ou afirmar a posse da mesma.
A ternura é um dedo morno que por vezes nos toca no baixo ventre. Mas esse dedo pertence sempre a outra pessoa (eu não consigo enternecer-me comigo mesmo, ou quando o faço, transponho-me para uma terceira pessoa, tipo olhar para uma fotografia antiga de nós mesmos). Quando sinto ternura, sei que a última coisa que devo fazer é verbalizá-la, pois essa verbalização faz de imediato transformar algo que é um atributo induzido por alguém (o objecto que nos desperta a ternura) num atributo de quem a sente. Sendo mais prosaico: é um armanço, do género «ei, olhem para mim que sou um gajo que se enternece com coisas» ou «Sou um sujeito passível de «ternurização», que fixe, não é?». Roça-se a pornografia sentimental.
É um problema de fodidíssima resolução. No Inglês, por exemplo, a coisa é menos dramática. Para dizer «eu tenho ternura por si», tenho obrigatoriamente de usar «tenderness» e não «tender» (o equivalente ao nosso «ternura»). E esse sufixo -ness objectiviza um pouco a qualidade de «tender», não é tão despurado na forma como o sujeito da enunciação se apropria da qualidade do objecto. O mesmo se passa com o Francês: «tendre» / «tendresse». Não resolve o problema, mas é menos grave.
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 01:19 AM
derFred: repara como no teu comentário usaste a palavra «foder» para fazer contraste com a palavra «ternura». É que um gajo fode (ou deseja ou ama) alguém, mas é alguém que provoca em nós ternura. Os sentidos da verbalização são opostos. Mas na segunda, curiosamente, um gajo não usa (como seria de esperar) a voz passiva.
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 01:25 AM
Certo. Eu fodo mas não ternuro. Porém, o essencial é a emoção, ou seja, o que se passa interiormente. É daí que tudo parte.
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 01:32 AM
Acho que espero por amanhã e pela cabeça estar mais capaz de funcionar para ler com mais atenção o que explicaste, e que é complicado como o caraças, ou pelo menos assim me parece de momento.
Fiquei, porém, com a sensação de haver um certo pudor, pelo que dizes, em demonstrar ternura, ou em a verbalizar - estragará alguma coisa? Dizer "sinto ternura" transporta para mim o sentimento, em lugar de o concentrar no outro, dizes tu? E dizer "sinto amor" não? De questões de semântica não percebo eu nada.
Quando há pouco falavas da dicotomia ternura / desejo pensei que te referias, muito mais prosaicamente, ao facto de sentir ternura poder dar cabo do desejo. Mas, apesar de tal poder acontecer, também se pode percorrer o caminho inverso, e da ternura chegar ao desejo; e pode-se, o que me agrada especialmente, misturar tudo muito bem misturadinho.
Para quem não ia comentar, livra, já disse muita coisa :)
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 01:37 AM
Caralho: «eu fodo e não ternuro» - ora aí está numa simples frase tudo aquilo que queria dizer. Chamo a isto poder de síntese. Muito bem. :)
O essencial é isso, claro. Mas somos seres verbais (a propósito, é isso que nos separa dos bichinhos). A actualização da essência ao falarmos (ou melhor: ao verbalizamos, basta pensar) é que dá existência àquilo que sentimos. E assim arriscamos a desvirtualização da essência.
(Isto já para não falar - problema meu, eu sei - de ver a cara do Júlio Machado Vaz cada vez que oiço ou leio a palavra «ternura» :))
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 01:38 AM
Azul: o derFred já te respondeu: eu amo ou fodo, mas jamais ternurizo.
O desejo pode conduzir à ternura e vice-versa. Mas repara que não são coincidentes.
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 01:40 AM
Mas podem ser coincidentes. Ou pelo menos podem conviver. Podem ser aliados.
(parti o coco a rir com essa do Júlio Machado Vaz - e para esta noite já me anulou qualquer intuito masturbatório)
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 01:46 AM
(o Júlio Machado Vaz é mesmo do piorio, não é?) LOL
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 01:47 AM
Não, não respondeu. Apenas não existe o verbo "ternurizar", e por isso se recorrem a outras palavras. Ou estou burra (o que é possível), ou não percebi mesmo porque não há-de ser possível "ternurizar".
(Percebo melhor a tua aversão à palavra: se me lembrasse do Machado Vaz a cada vez que se se dissesse "ternura", virava alérgica ao vocábulo!)
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 01:50 AM
Gostei, derFred: podem ser aliados. Acho que o ideal é precisamente serem aliados. Ou parte do mesmo todo, feito de muitas partes.
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 01:52 AM
Podem ser aliados se não verbalizares a puta dessa ternura (pimba, Machado Vaz) constantemente!!! LOL
O problema, Azul, é o facto de dissociares sentimentos de conceitos verbalizáveis («Apenas não existe o verbo "ternurizar"»), quando para mim é tudo a mesma coisa.
Amar alguém é algo que depende (e aí é que está a piada toda) muito mais de quem ama do que quem é amado. A ternura é exactamente o contrário.
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 01:58 AM
Pois, Azul. Não é que não haja lugar para o desejo mais cru... Mas no meu caso pessoal, na consumação do desejo há sempre uma componente afectiva e, logo, a vontade de proteger.
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 02:01 AM
A ternura é indizível porquê, JP? Pq te repugna chamar esse nome? ou nomear a ternura de 'ternura'?
É claro que se eu disser a alguém 'tenho ternura por ti' ou 'és como um irmão para mim' e se essa pessoa quiser algo mais que ternura fraternal, pode ser falta de pudor (pode?) empregar a palavra ternura. Mas eu gosto da palavra ternura, e já que metemos o Eros ao barulho, gosto dela no sentido erótico e ardente da palavra dizível e expressa por gestos, sons, cheiros, veludo e carne, sangue e poesia.
Há um texto de Eça de Queiroz em 'A cidade e as serras' que vou copiar do meu arquivo-a-fazer faz-se-caminho-daqui-a-uns-anos-tá pronto.
"Amei aquela criatura. Amei aquela criatura com Amor, com todos os Amores que estão no Amor, o Amor divino, o Amor Humano, o Amor Betial, como Santo Antonino amava a Virgem, como Romeu amava Julieta, como um bode ama uma cabra"
Não estaremos a falar disto?
Publicado por: vague em dezembro 31, 2004 02:02 AM
JP, mas brota tudo do mesmo manancial. É tudo projecções do nosso sistema emocional. É tudo reflexos de nós.
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 02:04 AM
Acho que não concordo contigo, mas também acho que tenho demasiado sonho para argumentar.
Sentir ternura por alguém depende muito mais de quem sente ternura do que de quem é objecto dessa ternura. (desculpa, foi Machado Vaz em dose tripla). Amanhã penso no assunto.
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 02:05 AM
Vague, é disso mesmo que estamos a falar!
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 02:06 AM
Nada disso, Vague.
Estou a falar das características peculiares da predicalização da palavra ternura (e por isso comparar «tenho ternura por ti» com «és como um irmão para mim» não vem nada ao caso).
Mau exemplo esse do Eça: o livro de que falas é um dos meus mais amados e nessa citação ele está a ser divinamente irónico.
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 02:07 AM
O não concordar era com o JP, claro. E a Vague explica, muito melhor do que eu, as minhas dúvidas.
Contigo concordo plenamente, derFred. E acho que pode haver lugar ao desejo mais cru, mesmo existindo a ternura, que não tem de ser só vontade de proteger (ou no masculino tem?)
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 02:08 AM
Eu estou a falar do que o Eça diz e não creio que ele esteja a ser irónico.
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 02:09 AM
'Dissociar sentimentos de conceitos'
Que tem?
'É tudo a mesma coisa'
Pois é. E depois? Não se pode dissociar para melhor analisar?
Ora q'esta!
:)!
(Se eu não te responder, não é por ter ficado sem argumentos, é pq fui dormir! mas esta discussão está mto interessante mesmo ;)
Publicado por: vague em dezembro 31, 2004 02:10 AM
Ai, ele fala da "predicalização da palavra ternura" (hoje tens pesadelos com o JMV, garantidos) e eu fico a sentir-me burrinha de todo!
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 02:11 AM
(que belíssima sequência esses nossos dois últimos comentários derFred: (TU:) «É isso mesmo!» vs. (EU:) «Nada disso!». LOLOLOLOL
Claro que vem tudo do mesmo sítio, derFred, mas dificilmente podes usar isso como argumento (não faças batota!!!). O maior poder que nós obtemos do dom da fala é o silêncio. Porque é um silêncio que faz a diferença, que não contrasto apenas com o ruído, mas com as palavras. E a verbalização da «ternura», em Português, é de uma infelicidade extrema.
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 02:12 AM
Como é que se verbaliza a ternura, para ti? (acho que tenho de perguntar o mais básico para conseguir entender tudo o resto)
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 02:14 AM
ai, ai, ai, estava a ser irónico o Eça?
Mesmo fora do contexto, vês alguma ironia nesse texto? Não é possível amar assim? Eu acho q sim e é a forma mais plena de amar, explorar a entrega, atingir os limites e não ter medo de ser magoado.
Publicado por: vague em dezembro 31, 2004 02:15 AM
Eu estou a andar o mais depressa possível, mas é difícil acompanhar a catadupa.
Ora bem. Não consigo encontrar melhor definição para ternura/carinho/meiguice do que vontade de proteger.
Quando digo "desejo mais cru" é desassociado de outros sentimentos.Desejo puramente carnal, que até pode ser sádico (não necessariamente, é só um exemplo), e aí não há afecto tal como o estamos a entender aqui.
(agora publico e já estou atrasado na discussão)
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 02:17 AM
Por acaso achei piada à sequência que não se sabia sequência ;)
Diz um, 'é isso mesmo' e o outro ao mesmo tempo, 'nada disso' .
Ordem na Assembleia, por favor! [soa o martelo de juiz, ecoa o silêncio na sala]
Ah, o problema é a verbalização da ternura em português.
Tendresse
tenderness
cariño
te gusta mas? ;)
Publicado por: vague em dezembro 31, 2004 02:19 AM
Ai ai ai ai ai, Azul. Lá tinha de vir a boca sobre o «masculino»... Tavas mortinha, não tavas? :)
Vou fazer um grande esforço para perceberes.
I
(activa) A ama B
(passiva) B é amado por A
II
(activa)A tem ternura por B
(passiva) B provoca ternura em A
A presença do verbo «PROVOCAR» na construção passiva de II faz vir ao de cima o facto de B ser o verdadeiro agente da predicação (o que não faz sentido numa construção passivo - compara com I).
É isto que me mete nojo. A predicalização da palavra «ternura» (ou se quiseres: colocá-la como objecto numa frase com verbo) ursupa ao objecto a dinâmica da enunciação.
Capiche? (LOL)
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 02:19 AM
É difícil acompanhar o ritmo, sim :-) E escrever em lugar de usar palavras com som, que permitiriam dizer muito mais e mais depressa. Mas eu acho que pode haver momentos de desejo puramente carnal mesmo entre quem sente todo o afecto do mundo um pelo outro, era isso que queria dizer lá em cima, ao falar do "desejo mais cru".
Acho muito gira a associação de ternura a vontade de proteger. Não é a única que me ocorre, apesar de também ocorrer.
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 02:22 AM
(vou ignorar a discussão semântica) Então diz outras.
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 02:24 AM
Esta menina está aqui está ali, mas esta catadupa é estimulante de se pensar.
Podemos dissociar (óbvio) o desejo da ternura. Quando ambos se fundem atinge-se o sublime, a verdadeira intensidade dramático-amorosa de uma relação inteira.
Claro que se pode ter desejo sem ternura e ternura sem desejo.
O activo e o passivo da ternura não estou a atingir , gosto e pronto. Ternura não é palavra mole, é palavra viva e ardente e depende dos envolvidos, que não vejo como A e B no teu exemplo. Ambos se desejam com intensa ternura. Tá bom assim?
Publicado por: vague em dezembro 31, 2004 02:26 AM
Não, não estava mortinha. Só falei no masculino por causa do sentido muito concreto do "proteger" como forma de manifestação da ternura; para mim, não é a única forma dela se manifestar, apesar de ser uma das possibilidades. A questão do masculino era, acredita, inocente.
Quanto ao resto, capisco, mas não me faz mossa nenhuma. São simples palavras... e eu não tenho a tua formação linguística.
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 02:26 AM
Isto já leva várias conversas ao mesmo tempo.
Outras palavras que associo a ternura: abraçar, beijar, sorrir. Umas têm a ver com protecção, outras não. Mas, como diz o Caetano, "quando a gente gosta claro que a gente cuida"...
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 02:29 AM
Se há um que come, comem todos!!!
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 02:29 AM
Eu, por exemplo, estou a sentir muita ternura por vocês! Mas é em mim que sinto. Não é em vocês. Mas é por vocês, como se fosse um sacrifício ou uma promessa. É por vocês.
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 02:30 AM
Azul, mas porque é que abraças, beijas, sorris? Não será para apaziguar, para dar segurança, para proteger?
(merda! caí na armadilha JMV)
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 02:32 AM
Ahahahhah, JP! Pronto, tb não vou ter sonhos eróticos esta noite.
DerFred, e quando sentes amor, não é em ti que o sentes? Mas pela pessoa amada? Não somos sempre nós que sentimos alguma coisa, por quem pode corresponder ou não?
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 02:33 AM
Vague: «Ternura não é palavra mole». A-HA.
Origem etimológica de «ternura»: vem do Latim «teneru» que quer dizer (tambores) «mole».
(Esta saiu-me bem, não saíu? LOL)
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 02:33 AM
o giro é o aparente paradoxo que tb parece desconstruir - o desejo mais cru na libertação inteira, as palavras mais cruas ou ordinárias (tou a ruborizar-me não tarda nada) e a vontade de proteger e (e)ternurizar o homem que se quer, a mulher que se deseja.
As coisas não são a preto e branco - a palavra 'f' não é incompatível com amar nem com ternura. O giro é isso, JP!
É como os bunnies. São contraditórios, se bem q suspeite de algum meliante que os ajude no suicídio :P - contraditórios pq termos e depois lá vão eles, levezinhos como quem não quer a coisa saltam do poço.
Tu estás a perceber e a concordar :) mas estás a picar, pois, pois.
Publicado por: vague em dezembro 31, 2004 02:34 AM
Conversa cruzada.
Azul, o comentário do "por vocês" era a gozar com o JP. Mas sinto.
JP, realmente, essa dos tambores foi ribombante.
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 02:35 AM
Em parte é para isso, derFred, mas também pelo prazer que me dá.
Lindo, lindo, JP! Até arregalei os olhos! LOL
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 02:36 AM
Blue girl, tiraste-me as palavras da boca, as que tinha era as do Caetano :)
Publicado por: vague em dezembro 31, 2004 02:37 AM
«DerFred, e quando sentes amor, não é em ti que o sentes? Mas pela pessoa amada? Não somos sempre nós que sentimos alguma coisa, por quem pode corresponder ou não?»
Estás quuuuuuaaaaassse lá, Azul. É isso mesmo. O sujeito de um verbo é aquele que o provoca (se estiver na activa, claro). O que se passa é que numa frase como «Eu tenho ternura por ti» o sujeito não provoca nada. Daí o embuste, a parvoíce, o nojo.
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 02:38 AM
Não, não é conversa cruzada: são conversas cruzadíssimas!
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 02:38 AM
Vague, não há nada de contraditório nos bunny suicides. Eles querem morrer. É uma via, uma única vontade. Tens de aceitar. É assim. Não há nada a fazer.
Ó pazinhos, eu quero ir dormir, mas não quero que vocês continuem a discussão sem mim.
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 02:38 AM
(derFred: essa paranóia da Vague pelos coelhos é um case-study).
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 02:41 AM
Mas é o mesmo com a ternura, mesmo que a língua não ajude nada (isto é, pode ajudar, mas é noutro contexto, ai, já estou a divagar :D). Eu tenho amor por quem mo provoca; eu tenho ternura por quem ma provoca; eu tenho desejo por quem mo provoca. O sujeito que me inspira todos esses sentimentos até pode saber que eu não existo, inspira-mos na mesma.
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 02:41 AM
Bolas! Ms pq não sei eu latim?
por acaso estiveste bem, dei um tiro no pé, semanticamente falando B)
deixa lá a etilomogia da 'ternura' - ternura para mim não é palavra mole ;) Se para ti é, estás com azar pq não conseguir dar ternura é grave. Queres ver q te tenho de marcar uma consulta no Júlio machado Vaz? (com consultório bem no centro do Porto, na mesma rua do Boletim do Contribuinte, mais informações ligue 118)
eheheh
Publicado por: vague em dezembro 31, 2004 02:41 AM
Vou mas é fazer uma predicação a Fátima.
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 02:41 AM
Ok, Ok: meu último comentário. Serei solidário com o derFred. :)
Boa noite a todos.
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 02:42 AM
Estamos todos com sono e sem vontade de sair daqui (muito mais divertido e interessante do que a revisão de notas de rodapé que devia estar a fazer, diga-se).
Acho que esta conversa era ainda mais divertida em torno de uma mesa e de uns copos :) Sobretudo porque eu gesticulo que me farto, e falo com as mãos e os olhos, e aqui não se vê.
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 02:43 AM
citando derFred: «Desejo puramente carnal, que até pode ser sádico (não necessariamente, é só um exemplo)» LOLOLOLOLOL
Esta frase saíu-te mesmo bem. Sobretudo o «é só um exemplo». LOL. Anda o Freud por aí? :)))
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 02:44 AM
Agora são mais quinze comentários a dizer boa noite. Gostei muito. Próximo.
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 02:45 AM
Agora fiquei a falar sozinha, sniff... Cama, ou notas de rodapé?
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 02:45 AM
Tens toda a razão, Azul. Temos de combinar isso. Boa noite a todos (agora a sério :)
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 02:45 AM
Azul, eu ia escrever: "E isto que está mesmo a pedir jantarada e o Sharkinho que já está a domir."
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 02:46 AM
Boa noite também, sem JMV a invadir o sono de ninguém. Ganham as notas de rodapé por mais 15 minutos...
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 02:47 AM
lol, eu é q tenho paranóia com os coelhos?
(por acaso desde q uma X eu pedi coelho num det. sítio e uma pessoa amiga se foi sentar noutra mesa, pediu licença mas fazia-lhe impressão eu comer coelho, já q os tinha em casa, brancos e fofos e eu tb quero ir dormir q amanhã trabalha-se de manhã.
Eu já não sei com quem estou a falar e de quê.
Acho q vou mesmo é retirar-me para os meus reais aposentos.
:) beijos e divirtam-se que eu desgraçadamente tenho este destino de ainda ir ter de ler antes de adormecer :)
Publicado por: vague em dezembro 31, 2004 02:48 AM
Quanto ao "é só um exemplo", o pessoal não se conhece e eu não queria ferir susceptibilidades. Fui politicamente correcto. Estou arrependido. Educação judaico-cristã.
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 02:49 AM
Bom ano, amigos.
Publicado por: derFred em dezembro 31, 2004 02:51 AM
O arrependimento é o primeiro passo para a absolivação. 10 pai-nossos e 5 avé-marias, meu filho. Vai com Deus (ele está no meio de vós).
Publicado por: João Pedro da Costa em dezembro 31, 2004 02:52 AM
:-)) Durmam bem, não sonhem com o JMV e tenham um belíssimo ano. Com ternura, amor, coelhos, e muitas ruínas circulares.
Publicado por: 1poucomais em dezembro 31, 2004 02:53 AM
Vim espreitar para ver se já estavam aconchegados nas vossas (respectivas) caminhas mas está tudo desperto. Parecem (parecemos) a minha sobrinha, que quer ver tudo, e faz um esforço enorme para não dormir não vá perder mais alguma descoberta :)
Se não nos virmos antes (bela expressão portuguesa, porventura a mais usada nestas datas ;) desejo,
um bom ano
muito amor
muita ternura
paixão
e que cada um de todos nós, que somos milhões a ler as ruínas, seja tão simplesmente feliz. Coisa pouca.
Um abraço do tamanho de um coração.
Publicado por: vague em dezembro 31, 2004 03:02 AM
Pois é! Quando eu perguntei " o que entendes por ternura" estava à espera de qualquer coisa neste sentido mas não duma conversa deste tamanho. "Intui" que engalinhavas com a palavra exactamente por te agradar o conceito. Não andei muito longe. Só que isto daria mesmo pano para mangas, houve para ali coisas com que concordei muito, outras nem tanto, mas foi uma magnífica conversa. Chamei a atenção lá no meu estaminé para a malta mais distraída dar aqui um saltinho.
Publicado por: Emiéle em dezembro 31, 2004 10:23 AM
(ainda a espreguiçar-me) Atão pessoal, aconteceu alguma coisa enquanto eu roncava?
É pá! Foi bar aberto ou quê? Ganda mano a mano! Porque é que estas coisas acontecem quando eu não estou presente? Agora basta! Vou comprar um portátil pra blogar em casa também. É prá desgraça...
Publicado por: sharkinho em dezembro 31, 2004 11:07 AM
miauuuuu!
Publicado por: Mia em dezembro 31, 2004 02:47 PM
Um não ternurento just fuck me ou finca, finca dá no que deu, sim sim. Muita foda mole se há-de dar por falta do tenro encosto que só os lábios alcançam em hesitando o respirar pela penugem do rosto. À flor da pele.
Aí para cima lembrou-me uma do "Crimes exemplares": Errata, onde se lê, matei-a por me pertencia, deve ler-se, matei-a porque não me pertencia
Publicado por: João Ribeiro em janeiro 2, 2005 01:33 AM
Se sonhasses mulher que de cada vez que juntos fazemos a cama eu repito os gestos de outros casais que já fui. E refaço no estender dos lençóis, no entalar dos cobertores, no acomodar das almofadas, no esticar da colcha, os gestos que me uniram no passado a futuros por devir ,e que com esses gestos revivo conforme a manhã outras manhãs tão reais quanto esta...desfaziamos a cama para a não voltar a fazer.
Ficam as memórias represas neste presente que foi futuro inexistente, repassado nos cheiros esquecidos, nos gemidos ouvidos, lembrados de queridos, nas estratégias de ordem e arrumo, quedando-se à porta do esquecimento.
-Porra para isto. Não queres um edredon?
Publicado por: João Ribeiro em janeiro 4, 2005 02:04 AM
"... desfazíamos a cama para a não voltar a fazer." Como dói uma separação!
Publicado por: derFred em janeiro 4, 2005 12:37 PM
Do pouco que te vou conhecendo, cada vez mais me surpreendes!
Publicado por: Cláudia em janeiro 4, 2005 04:10 PM
Se dói, derFred. Também fiquei a olhar para o que o João Ribeiro escreveu - verdades que, de facto, dão vontade de mudar tudo, para não se reverem gestos outros, com outro co-protagonista... Por isso é que nunca se deve perguntar à pessoa com quem se está se já alguma vez sentiu /esteve assim.
Publicado por: 1poucomais em janeiro 5, 2005 12:53 AM
Cláudia, linda! Bem-vinda!
Publicado por: derFred em janeiro 5, 2005 11:36 AM
Troca de olhares,
arrepios,
forças invisíveis manifestam-se,
O beijo,
As suas mãos grandes percorrem o meu corpo,
branco,
tremelo,
Sou tua!
Protege-me!
A respiração ofegante,
olhares fixos,
ternura.
Desejo incontrolável,
o orgasmo,
Eu choro,
estou feliz!
Onde andas,
meu amor!
Publicado por: Carolina em janeiro 9, 2005 09:01 PM
Que bonito, Carolina.
Publicado por: derFred em janeiro 10, 2005 04:01 AM
:)
Publicado por: Carolina em janeiro 10, 2005 02:02 PM
Sinto a tua falta!
Porquê estás tão longe?
Longe na distância,
longe no pensamento!
Quando estamos juntos,
o meu corpo emana fragrâncias,
mas tu não as sentes!
Sabes uma coisa? Eu sou feliz,
porque me compreendes,
porque me respeitas,
porque gostas de mim.
Eu sei,
eu sinto,
que um dia virás ao meu encontro,
nem que seja no fim das nossas vidas,
nem que seja numa outra vida!
Eu sei!
Amo-te tanto!
Publicado por: Carolina em janeiro 11, 2005 09:14 PM