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janeiro 01, 2005

poema do crocodilo mais pequeno david chama-se david

não é que eu não goste de crocodilos
eles é que me assombram os dias e me minam as noites
e agora que a luz das manhãs me entra pela janela
e os livros do quarto emanam mais do que nunca
a sua fragrância de flores e estalam clic
em fotossínteses de cordel e poeira
o crocodilo mais pequeno david chama-se david
sobe para cima da secretária clic e olha para mim
com o seu ar de mobília por envernizar e os seus olhos de tanque clic
ó mil águas putrefactas e eu é óbvio encosto-me clic
à cadeira dissimulando o melhor que posso
o ombro do seu irmão recortado clic em rectângulo
foi-me oferecida esta carteira e bóio clic
nesta dúvida de não saber se bicho morto
passam dias passam anos passam mundos e afinal clic
fica sempre lá o cheiro oxalá que não clic
eu sei que não clic era o que faltava não ser não clic
sem dúvida que é não até porque se não clic
estou mesmo fodido
clac

Publicado por João Pedro da Costa às janeiro 1, 2005 05:56 PM

Comentários

O crocodilo comeu-te???
É um dos bicho que me causa repugnância e medo. Clac.

Publicado por: 1poucomais em janeiro 1, 2005 06:35 PM

Olha.... clic...clac!

Publicado por: mfc em janeiro 1, 2005 06:54 PM

Adorei o cheiro das flores desta poesia snif snif
E nada como deixar cair os crocodilos metálicos pelo chão shlap shlap
Ou até deitá-los ao ar para voarem ztztztzt ztztztzt
Mas o arco íris chega meigamente, carinhosamente, ternamente ;) em cada smac smac

Publicado por: maria árvore em janeiro 1, 2005 07:05 PM

Nãããooo!!!
Crocodilo! Regurgita imediatamente o JP!

Publicado por: Mar em janeiro 1, 2005 07:24 PM

e chorou? clac.

Publicado por: ana margarida em janeiro 1, 2005 07:57 PM

O caso é grave, acho. O JP não voltou a escrever desde as 5:56PM, após o ataque do crocodilo David. Depois do clac, nada mais sabemos a respeito dele. A quem se telefona para tentar saber de alguém comido por um crocodilo?

Publicado por: 1poucomais em janeiro 2, 2005 01:23 AM

Àqueles serviços que fazem reparações domésticas a toda a hora? A uma empresa de limpezas? Ou contratamos um arqueólogo para explorar as ruínas?

Publicado por: maria árvore em janeiro 2, 2005 10:31 AM

É que nem o derFred dá sinal de vida... Terá sido engolido também? Eu bem digo que não gosto de crocodilos...
Voto no arqueólogo.

Publicado por: 1poucomais em janeiro 2, 2005 12:02 PM

hello??? JP; fred, onde andais?

Publicado por: ana margarida em janeiro 2, 2005 05:36 PM

Olá. Eu estou aqui. O gajo não sei.
Estou a regurgitar o poema. Tenho de ler várias vezes, que sou de compreensão lenta.

Publicado por: derFred em janeiro 2, 2005 05:40 PM

O cheiro parece-me um elemento importante.
O clic pode ser o acto de fotografar ou estar ali para assinalar fotografias. Vou ler outra vez.

Publicado por: derFred em janeiro 2, 2005 05:43 PM

Não. O clic são os livros a estalarem.

Publicado por: derFred em janeiro 2, 2005 05:45 PM

O cheiro. Recordações.

Publicado por: derFred em janeiro 2, 2005 05:49 PM

Pelo que entendi, o crocodilo sentiu o cheiro da carteira do JP feita com a pele de um primo, e zás, engoliu-o! E duvido que tenha sido minimamente terno ;)

Publicado por: 1poucomais em janeiro 2, 2005 06:22 PM

O "clac" final não soa mesmo nada terno.

Publicado por: 1poucomais em janeiro 2, 2005 06:23 PM

Então está de acordo com o espírito do blogue.
Aqui a ternura é tabu. Aqui ferra-se o dente.

Publicado por: derFred em janeiro 2, 2005 06:46 PM

O Afixe informou-me que desapareceu o Liedson. Será que o JP tá com ele?
PS: Eu já expliquei que não sei muito bem quem é o Liedson... e também não sei muito sobre o JP, por isso se, por acaso, houver alguma impossibilidade física ( ou outra) de estarem os dois...que me desculpem. Foi só uma idéia!!!

Publicado por: isabel sousa em janeiro 2, 2005 06:48 PM

Mas tu és do blog, derFred, e tu gostas de ternura :-) (quem ler isto sem ter lido a longa conversa de outro dia deve pensar lindas coisas, LOL).
Quanto ao Liedson, não faço a menor ideia quem seja; apenas presumo que deva ser jogador de futebol. Mas já são dois desaparecimentos. A coisa começa a cheirar a esturro! Ou a crocodilo esturrado...

Publicado por: 1poucomais em janeiro 2, 2005 07:11 PM

Mas foram assar o crocodilo? Ou o jogador de futebol é que se meteu em assados?... Eu vou mas é jantar. Alguém é servido de uma canjinha de cobra?

Publicado por: maria árvore em janeiro 2, 2005 08:24 PM

Tsssstssssstsss...

Publicado por: derFred em janeiro 2, 2005 08:41 PM

O Liedson é um bacano (caga-se um bocado nas curvas, mas tá bem).

O crocodilo levou-me os braços e uma perna. Teclar assim não é fácil.

Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 2, 2005 10:44 PM

Ufff, ao menos estás vivo. Estávamos todos preocupados contigo.
Podes sempre usar os dedos do pé que sobrou e o nariz. Parar de teclar é que está fora de causa.

Publicado por: 1poucomais em janeiro 2, 2005 10:56 PM

Fala por ti. Eu não estava preocupado.

Publicado por: derFred em janeiro 2, 2005 11:10 PM

derFred, sem ternura fica-se assim, insensível à desgraça alheia? ;-)

Publicado por: 1poucomais em janeiro 2, 2005 11:21 PM

Crocodilo. Iac.
(Belo exercício, JPC)
Bom ano circular para todos.

Publicado por: vague em janeiro 2, 2005 11:23 PM

É que eu comecei o ano sem ternura.
Não é verdade. Sem beijos na boca.

Publicado por: derFred em janeiro 2, 2005 11:29 PM

Ouvi falar em dentadinhas e em beijos na boca? Cá está o tubarão, ao inteiro dispor de vossas excelências. Chuac, Clac, Chuac, Clac...

Publicado por: sharkinho em janeiro 3, 2005 10:27 AM

Sublime :)

Publicado por: Cientista em janeiro 3, 2005 07:33 PM