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janeiro 11, 2005
Eu nem gosto de escrever sobre coisas sérias, mas às vezes não há como evitá-lo
No passado dia 8 de Janeiro, José Luís Peixoto publicou o seguinte post no BdE (reproduzo-o aqui na íntegra):
«Ontem, pela primeira vez, ouvi uma anedota sobre a tragédia no sudeste asiático.
O humor é, por definição, uma subversão da normalidade e, quando observado por esse prisma, sempre me pareceu um fenómeno interessante. No entanto, fazer humor e contar piadas sobre aquilo que aconteceu e que ainda está a acontecer a milhões de pessoas nos países afectados por esta catástrofe parece-me desumano. É o luxo daqueles que imaginam que o seu pequeno mundo nunca será destruído. É a ignorância daqueles que nunca perderam ninguém, que acreditam que nunca irão perder ninguém e que vêem o mundo como uma brincadeirinha, um jogo de playstation, uma elaboração teórica que nunca os afectará. É a total falta de empatia em relação ao sofrimento dos outros – uma das principais marcas psicológicas dos psicopatas.
Aos poucos, tornámo-nos num país de engraçadinhos. Em tudo se promove a gracinha. Ter graça, aos poucos, tornou-se mais relevante do que ter razão. Como chegámos a isto? Mais cedo ou mais tarde, tornar-se-á claro que o máximo que os engraçadinhos poderão alcançar será serem engraçadinhos. Quando se tornarem um pouco mais adultos e a vida lhes mostrar o quanto é triste perseguir um objectivo tão vazio, chegará a hora de lamentar o tempo perdido. Para o bem dos próprios e para o bem de todos, espero que não seja demasiado tarde.
Isto foi o que disse à pessoa que me contou uma anedota sobre a tragédia no sudeste asiático.»
Isto dá pano para mangas e, de resto, os comentários ao post foram suficientemente eloquentes para, por exemplo, eu não sentir a necessidade de lá acrescentar a mais pequena vírgula. No entanto, há um aspecto que gostaria de abordar aqui e que não tem tanto a ver com aquilo que é dito, mas com a forma como é dito. Análise discursiva, portanto.
Em primeiro lugar, convém identificar a tipologia deste discurso e o que temos aqui é um sermão. Está lá tudo: a lição de moral, as marcas de oralidade, a retórica da persuasão e, é claro, a forma como o texto é rematado com uma frase que possui, basta ler os evangelhos, óbvias ressonâncias bíblicas.
O discurso começa com a enunciação do episódio que estaria na origem do post: «Ontem, pela primeira vez, ouvi uma anedota sobre a tragédia no sudeste asiático». O «pela primeira vez» não é inocente: pretende salvaguardar a integridade moral do sujeito da enunciação, isto é, ele ficou indignado logo à primeira, tiro e queda, não houve aqui compassos de espera. Depois, ao colocar na mesma frase termos supostamente antagónicos («anedota» vs. «tragédia»), procura-se desde logo introduzir o principal argumento para condenar (palavra chave do texto) o acto dessa 3.ª pessoa: a inadequação. Não é suposto contar-se anedotas de coisas sérias e trágicas e quem o faz não passa de um ignóbil pecador.
Faz-se parágrafo e o texto anda para trás, passo de dança batido, mas eficaz, quando se pretende dar mais ênfase à argumentação. Despacha-se um vácuo elogio do humor (não vai a malta pensar que ele é um tipo cinzento), se bem que esse elogio seja desconcertante na medida em que recorre a uma «definição» em que se invocam dois conceitos que, quando articulados, são absolutamente contrários à estratégia argumentativa que irá ser doravante utilizada: «subversão da normalidade» (se, em vez de definições enciclopédicas, o José Luís Peixoto se tivesse um pouco cultivado sobre a importância antropológica do riso e do humor, ele dificilmente teria tido a ousadia de escrever o post em análise). Sob este prisma, diz o autor, o humor «sempre» lhe pareceu um «fenómeno interessante» (o adjectivo aqui é sublime de tão cínico e arrogante - pá, o humor ligou-me há minutos e agradece-te calorosamente o interesse). Mas eis que se dá o salto, introduzido por uma locução conjuncional adversativa e se dispara, como por prolepse, a moral do sermão:
«No entanto, fazer humor e contar piadas sobre aquilo que aconteceu e que ainda está a acontecer a milhões de pessoas nos países afectados por esta catástrofe parece-me desumano.» [conseguem ouvir os violinos?]
E é curioso que, logo no arranque desse salto, o texto dê um tremendo trambolhão. Para além da retoma anafórica do «fazer humor», não nos deve aqui escapar a necessidade que o autor sentiu de acrescentar um «e contar piadas» (bem diferente de um hipotético «ou contar piadas»), como se os dois predicados não fossem de certa forma coincidentes ou houvesse aqui a urgência em utilizar uma expressão menos nobre ou mais corriqueira para designar o acto alvo de reprovação - é como se «contar piadas», e contrariamente ao «fazer humor», deixasse de ser, para ele, «interessante» sob qualquer prisma. Note-se igualmente a retórica da quantidade através do numeral cardinal em «milhões de pessoas» (se fosse apenas uma, já não faria «mal»?), e a utilização irónica e de grande recorte dramático do verbo «parecer», sobretudo quando o predicativo do sujeito é uma palavra tão forte como «desumano».
Começam aqui os rótulos ou, se quiserem, os insultos. E é curioso verificar (tudo é particularmente irritante e curioso neste post do José Luís Peixoto) que do verbo «parecer» se salta, na boa, para o verbo «ser», através de três frases que mais não são do que predicativos do(s) sujeito(s) que se critica(m) (curiosa moral esta, na qual um acto «parece» ser condenável e o autor desse mesmo acto «é» condenado sem a mínima hesitação). E que atributos é que se colam a esses sujeitos moralmente inferiores? São pessoas «que [luxuosamente] imaginam que o seu pequeno mundo nunca será destruído»; são pessoas ignorantes porque «nunca perderam ninguém [e] acreditam que nunca irão perder ninguém e que vêem o mundo como uma brincadeirinha, um jogo de playstation, uma elaboração teórica que nunca os afectará»; são pessoas sem «empatia em relação ao sofrimento dos outros», isto é, são pessoas (caneco, ainda serão pessoas?) que transportam «uma das principais marcas psicológicas dos psicopatas». E aqui (excuse my french) até se me arrepiam os pêlos do cu. Vejam como um suposto «defeito» moral é, de imediato, transposto para o domínio da patologia. E, para mais, de uma forma cobarde e insinuosa, pois só assim se entende a sintaxe ambígua e a utilização redundante do adjectivo «psicológicas» na última frase do parágrafo. Mas há, sobretudo, nestas frases do José Luís Peixoto, um exercício contabilístico da dor própria vs. dor alheia que a mim (estou a ser sincero) me dá vontade de virar o barco.
O resto do post continua no mesmo tom moralista e hiperboliza ainda mais os artefactos retóricos. Reparem bem como o penúltimo parágrafo começa na 1.ª pessoa do plural («Aos poucos, tornámo-nos num país de engraçadinhos. Em tudo se promove a gracinha. Ter graça, aos poucos, tornou-se mais relevante do que ter razão. Como chegámos a isto?») para, quando se chega à hora dos insultos, se passar rapidamente para a 3.ª do plural («Mais cedo ou mais tarde, tornar-se-á claro que o máximo que os engraçadinhos poderão alcançar será serem engraçadinhos. Quando se tornarem um pouco mais adultos e a vida lhes mostrar o quanto é triste perseguir um objectivo tão vazio, chegará a hora de lamentar o tempo perdido. Para o bem dos próprios e para o bem de todos, espero que não seja demasiado tarde»). Deveras eloquente, vous trouvez pas?
Mas o pior fica para o fim: «Isto foi o que disse à pessoa que me contou uma anedota sobre a tragédia no sudeste asiático». Por acaso, até admito que tenham sido imperativos formais que fizeram o José Luís Peixoto rematar dessa forma o seu texto, mas dificilmente se consegue ser mais moralista e arrogante. E como se ele nos dissesse: «Tão a ver? Foi isto que eu disse a um palhaço que tentou brincar com coisas sérias. É assim que se faz, eu sou um Exemplo. Aprendam se quiserem, que eu não duro sempre».
Sabem que mais? Haja pachorra para tanta palermice.
Publicado por João Pedro da Costa às janeiro 11, 2005 02:26 AM
Comentários
queria só dizer que "desumano" é o predicativo do sujeito... ps. não batam no zé luís, que ele até é bom rapaz
Publicado por: jesaispas em janeiro 11, 2005 03:43 AM
(Obrigado pela correcção ;)
Não está aqui em causa a pessoa dele (apenas sei que é um belíssimo escritor), mas o que ele escreveu naquele post em particular. São insultos a mais para eu ficar calado.
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 11, 2005 03:56 AM
sim, de facto o "uma casa na escuridão" é impressionante, mas o zé luís não deixa de ser um bocado tótó e moralista
Publicado por: jesaispas em janeiro 11, 2005 04:07 AM
Não concordo com a "desmontagem" que aqui fazes do post do Peixoto. Não sei qual foi a piada que lhe foi contada, mas tomei uma posição idêntica com as piadas sobre os miúdos da casa pia. O humor tem limites, pelo menos para mim, e dizer esses limites não me parece errado.
Publicado por: GIN em janeiro 11, 2005 07:45 AM
Não concordo com a Gin, desta vez. Quem é que vem dizer quais os limites do humor? Quais os tais temas sagrados? Podemos dizer "Não acho graça!" OK. Mas é tudo. Porque o marcar os limites abre a porta a tudo. Para um de nós, pode não ter graça nenhuma "piadas" sobre religião, sobre gays, sobre racismo, etc, etc. Não rimos e não as divulgamos. Mas quem somos nós para decidir sobre o que os outros acham ou não graça? É insensível? Pois é. E isso pode dizer-se. mas há cisas sobre as quais nós achamos graça e até se acha que é um modo de combater eficiente, e outros, com outra sensibilidade ficam magoados. Isso é liberdade de expressão.
Publicado por: Emiéle em janeiro 11, 2005 08:59 AM
Cara Gin: se o José Luis Peixoto se tivesse limitado a «dizer os limites», eu apenas teria levantado os ombros e pensado para mim mesmo «olha-me esta, mais um moralista...». Mas ele foi muito para além disso, armou-se em Padre António Vieira, generalizou insultos e pôs a sua solidariedade a render na esquina.
Pior que um pavão moralista, só mesmo um inconsciente que lhe gaba as cores.
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 11, 2005 09:44 AM
Caro João,
Devo confessar que não li todo o teu texto, mais ao menos a meio perdi a pachorra. Também não tenho pachorra para o ZLP, para os seus livros, a sua figura, a sua postura que nem sei qualificar, mas desta única vez compreendo muito bem o que ele diz. Digo até que partilho a opinião dele e acho que é muito bom que alguém se manifeste (mesmo o - baghh - ZLP), porque estamos cada vez mais num pais de palermas que estão mais interessados em ver reconhecida a sua intelectualidade do que a sua humanidade e, ao que parece, hoje em dia estes dois conceitos são incompatíveis. Acho graça aqueles que dizem "Ah, e tal, não há limites para o humor, liberdade de expressão, blá, blá, blá", como a Emiéle, mas eu gostava de saber se, por exemplo (e bate na madeira), lhe morresse um filho, se ela defenderia que se fizesse humor acerca disso... Enfim, nem vale a pena dizer mais nada. Isso é um tipo de discurso demagógico que, tal como diz o Peixoto (que raio de nome!), é mesmo de quem acha que não está a geito de ser fodido numa curva mais apertada. Quanto ao teu post, o que me ocorreu a meio de o ler, e a razão pela qual não continuei, é que, ao teres esse impulso de o des(cons)truir estás a valorizar tudo o que há de menos importante neste texto e, só não te digo que estás a ser tão desumano quanto aqueles que fazem piadas acerca deste triste assunto porque não quero ser desgradável. Espero que não me leves a mal porque não há maldade em nada do que te disse. Desculpa, mas este assunto deixa-me sentimental...:)
Publicado por: Filipe em janeiro 11, 2005 10:46 AM
Ora... só para dizer que concordo com o JPC!
O humor é sempre humor. Procurar nele «marcas psicológicas dos psicopatas»... é de quem não tem mais que fazer!
E, já agora... não se sentirão os alentejanos ofendidos com suas anedotas? E as anedotas que se contaram por altura da queda da ponte, em Castelo de Paiva?
Querem ser moralistas, sejam sempre!
«Bah... fico chateado, concerteza que fico chateado!»
:)
Publicado por: Carriço em janeiro 11, 2005 11:06 AM
Ó Filipe, claro que não levo a mal. Mas vamos por partes.
1) O teu comentário era chato como o diabo e tive de invocar o Espírito Santo para angrariar a pachorra necessária para lê-lo até ao fim. Mas li-o. O que dá sempre jeito quando um gajo quer argumentar.
2) «Acho graça aqueles que dizem "Ah, e tal, não há limites para o humor, liberdade de expressão, blá, blá, blá", como a Emiéle, mas eu gostava de saber se, por exemplo (e bate na madeira), lhe morresse um filho, se ela defenderia que se fizesse humor acerca disso...»
Embora não seja isto que esteja em causa (mas sim a arrogância moral do que escreveu o JLP), sempre te digo que perdi o meu pai há cerca de 15 anos e que o humor foi um factor preponderante para a concretização do meu luto. A não ser (é claro) que seja uma besta desumana psicopata.
3) «...ao teres esse impulso de o des(cons)truir estás a valorizar tudo o que há de menos importante neste texto». Estás redondamente enganado e, mais grave ainda, és ingénuo: não há nada de mais importante num texto do que a forma como ele é feito. Mas talvez isto seja areia a mais para quem nem sequer se digna a ler os textos até ao fim.
4) O que está em causa é o facto do JLP invocar uma superioridade moral do seu «luto» em relação ao das outras pessoas que utilizam o humor como factor operativo. Quem é ele para se gabar dessa merda? E com que critérios? Os do politicamente correcto? Ele que vá dar lições de moral à avozinha e, sobretudo, que não seja tão precipitado a julgar o luto dos outros. Que eu saiba, ele não adquiriu em exclusivo o franchising da indignação daquela tragédia. Porque, em última análise, é isto o que ele faz: utiliza a tragédia daquelas pessoas para se armar ao câgado.
5) Só não te digo que és um moralista reaccionário como o JLP porque não quero ser desgradável. Espero que não me leves a mal, porque não há maldade em nada do que te disse. Desculpa, mas este assunto deixa-me sentimental... ;)
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 11, 2005 11:08 AM
A tua análise do texto do Peixoto é perfeita e tens toda a razão.
A parte das "pessoas ignorantes porque «nunca perderam ninguém [e] acreditam que nunca irão perder ninguém e que vêem o mundo como uma brincadeirinha, um jogo de playstation, uma elaboração teórica que nunca os afectará" é de uam arrogância que chega a meter nojo. Como se quem perdesse alguém perdesse também o direito de se rir. Enfim, é o que dá escrever de torres de marfim.
Publicado por: Monty em janeiro 11, 2005 11:08 AM
Fartei-me de pensar em ti, Monty, quando escrevi este post. Não podem ser sempre os mesmos a chegarem-se à frente, não é? Aqui estou eu a dar o corpinho ao manifesto. :)
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 11, 2005 11:11 AM
subscrevo a 100%. sem humor, não teria eu ultrapassado minimamente tragédias bem duras da minha vida (sim. tragédias a sério, seus cínicos de merda. com montes de add-ons e tudo)
(veio-me à memória um post recente do MG do Gato Fedorento. quer gostem da pessoa, quer não, não deixa de ter o seu interesse http://www.gatofedorento.blogspot.com/2004_08_08_gatofedorento_archive.html#109234935032809774)
Publicado por: Mi em janeiro 11, 2005 11:22 AM
Percebo que haja quem se ofenda com certo tipo de humor, até é saudável que isso aconteça. Mas também entendo quem precise de aliviar a sua dor recorrendo ao humor, é uma forma de reagir à adversidade. O mal é generalizar e catalogar as atitudes dos demais, como o fez o ZLP, e de forma tão ligeira. Não tenho playstation nem sou insensível, mas no dia em que deixar de ter a capacidade de me rir, principalmente das minhas próprias 'tragédias pessoais', é porque deixei de existir/sentir.
Parabéns pelas Ruínas. Gosto de passar aqui todos os dias.
Publicado por: LisaB em janeiro 11, 2005 11:24 AM
É assim mesmo, JP.
Mas não cometas o mesmo erro que eu, fá-lo por gosto e com gozo. Ou acabas por te desgastar. E depois ganhas aversão a estas cenas dos blogues. Eu, na verdade, já não olho para o Afixe como uma fonte de prazer, mas como uma fonte de problemas. Uma merda, pá, uma merda. Vamos dara tempo ao tempo e logo se vê se a coisa melhora.
Publicado por: Monty em janeiro 11, 2005 11:28 AM
O José Luís Peixoto é alguém importante? Deve ser para merecer um novo "descodificar" só que desta vez em vez de ser do livro do Código de DA Vinci é do Peixoto.
Eu concordo com o que ele diz. O humor tem limites. Porque senão teriamos gostado de ouvir uma tipa na SIC dizer que aconteceram uns tsunamis e tal, mas que o bungalow dela estava bom e assim via as coisas mais ao natural.
Quer dizer, não gostamos digo eu, pode haver pessoas que gostem e aí está a questão.
Opiniões, não passam disso mesmo. Umas concordam-se, outras não, e outras até, nem se percebem bem onde querem chegar...
Publicado por: cachucho em janeiro 11, 2005 11:34 AM
em relacao aos comentarios do monty e emiele, nao concordo com o que dizem.
aqui a questao nao e as pessoas que perderam alguem nao poderem rir, aqui a questao e estarmos sempre a rirmo-nos das desgracas dos outros.
o mundo e composto por pessoas, e quando essas pessoas passam por um sofrimento brutal, e ainda sao alvos de humor por esse sofrimento ou situacao que provocou esse sofrimento, isso para mim nao e humor, e merda!
ps: peco desculpa, nao consigo meter pontuacao neste comentario, aparece tudo desconfigurado, e estranho
Publicado por: cachucho em janeiro 11, 2005 11:38 AM
Mi: esse post do Gato Fedorento é um clássico. A ler. E reler. E reler. Mas gostei mesmo foi do teu «cínicos da merda» - very sexy ;)
LisaB: obrigado pelas gentis palavras e sobretudo por comentares. Gente nova é sempre bem-vinda.
Cachucho: eu preciso de um descodificador, mas é para perceber o teu comentário ;)
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 11, 2005 11:43 AM
Está assim tão mau? o meu português não é famoso, mas... acho que dá para perceber.
Publicado por: cachucho em janeiro 11, 2005 11:49 AM
O mundo divide-se (eu gosto sempre de desmistificar as coisas e torná-las legíveis a todos os alentejanos, loiras, pretos, indianos, emigrantes, brasileiros, paneleiros, gajas de cus grandes, papagaios, freiras, padres, judeus e até a bloggers que escrevem de um pulpitozinho) entre quem se sabe rir e quem não sabe. Também se divide entre arrogantes moralistas e cínicos que se riem com tragédias: o riso é uma das maiores defesas contra a tristeza, a desgraça, a miséria. Depois é uma questão de sentido de humor. E de honestidade intelectual. Ninguém se ri com anedotas de morte de filhos ou pais (ou com a rapariga que disse tsunamis e tais, isso não era anedota, embora pareça - das más).
Sempre gostava de saber se o autor do texto nunca se riu com uma anedota de judeus no Holocausto...ah pois, já foi há muito tempo...
Publicado por: catarina em janeiro 11, 2005 12:00 PM
Cachucho: não se está aqui a falar de alguém se rir das desgraças dos outros por comprazimento da dor alheia. Fazer humor sobre um determinado assunto é muito mais do que isto - é por vezes a única forma de lidarmos com o terror e o inexplicável. Há outras formas de luto para além dos semblantes carregados e dos minutos de silêncio. Não faço comparações entre essas formas de luto: respeito-as a ambas, cada qual é como é. O que é lamentável é defender a superioridade moral de uma delas.
Monty: quando quiseres (isto é um convite) um gajo avança com um blog palermóide (um pouco como este) a meias. É só dizeres.
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 11, 2005 12:03 PM
Ora nem mais, Catarina. Touché.
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 11, 2005 12:08 PM
JP:
Claro que aceito o convite, mas vai ter que ficar para tempos mais solarengos, que agora ando com muito pouca capacidade (que não vontade) para brincar.
Infelizmente, porque bem falta me faz. Até por isso achei particularmente curial o teu post. Eu sou dos tais que nunca sofreu nada na vida, por isso goza com as desgraças dos outros. Caralhos o fodam!!!
Publicado por: Monty em janeiro 11, 2005 12:16 PM
Já abri esta janela vezes sem conta, mas desta aqui vai.
Para começar, cada um é que sabe como lida com as suas dores, e concordo que muitas das vezes o humor é a mais sublime forma de nos tornar mais leves (por vezes também reajo com tu JP). Apesar dos outros nem sempre o conseguirem entender ou aceitar.
Mas moralizar sobre este assunto?... Concordo com o Carriço. E à Catarina, bato palmas e faço vénias (não podia concordar mais)
Publicado por: sofia em janeiro 11, 2005 12:16 PM
"O que é lamentável é defender a superioridade moral de uma delas.
"
Ok, não fui por aí. De todas as maneiras, ao defendermos uma delas, é porque achamos que é moralmente superior à outra. Mesmo que o façamos inconscientemente. Se não é assim, qual é o critério?
Publicado por: cachucho em janeiro 11, 2005 12:20 PM
Tempos mais solarengos? Mas que porra de tempos são estes? As merdas que uma depressão e uma mesa cheias de trabalho inventam.
Tempos melhores, JP. Melhores!
Publicado por: Monty em janeiro 11, 2005 12:20 PM
O que fica da leitura do texto do JLP é a imagem que ele quer fazer passar e que já estou a imaginar: alguém a contar uma piada acerca de uma qualquer tragédia, com os olhos raiados de vermelho...
Enfim... palermice, como escreveu o JPC!
De resto, a análise da Catarina toca pontos interessantes.
Saudações
PS - Cachucho... essa jovem não estava a contar uma piada: estava a falar sério! Isso é que é estupidez!!!
Publicado por: Carriço em janeiro 11, 2005 12:24 PM
É pecado moralizar e não tem piada, mas pode-se fazer humor desde que moralize.
Publicado por: Hugo Brito em janeiro 11, 2005 12:30 PM
Penso que já não vou acrescentar nada de novo mas quero disser que já tinha lido o post do Peixoto e também não tinha achado graça nenhuma ao que li.
Eu que até não sou nacionalista, quero referir que em todos os países há pessoas (algumas até profissionais...) que produzem ou praticam o humor a partir das tragédias, sejam estas colectivas ou individuais. Sou apreciador do humor, obviamente não do mal dos outros. Ainda não ouvi (atenção que isto não é um pedido) nem contei nenhuma piada sobre o maremoto asiático. Reconheço que o distanciamento pode resfriar a minha sensibilidade e que o humor pode tornar-se cruel mas, como em tudo, gosto, consumo, ou não. Não acredito que isso me torne uma pessoa com más intenções ou incapaz de auxiliar quem posso. Aceito uma opinião diferente mas dispenso as aulas de religião e moral.
Publicado por: racf em janeiro 11, 2005 12:31 PM
Cachucho: eu não defendo nenhuma delas. Apenas defendo a sua coexistência, sem considerandos moralistas e injuriosos. Até porque gasto das duas.
Monty: esses tempos melhores virão e estarei aqui à espera. O que um gajo precisa é de beber uns copos e de se inscrever na jantarada do Tuby no Alentejo ;)
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 11, 2005 12:31 PM
"PS - Cachucho... essa jovem não estava a contar uma piada: estava a falar sério! Isso é que é estupidez!!!"
Carriço, qual a diferença? As palavras não magoam na mesma?
Ela estava a falar a sério, tudo bem, mas se tivesse a brincar existiria alguma diferença naquele momento?
Publicado por: cachucho em janeiro 11, 2005 12:35 PM
É isso mesmo, racf: um gajo dispensa as aulas de religião e moral (a não ser que a professora seja uma freira podre de boa como a que tive no meu 6.º ano... ups, mais um ataque psicopata).
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 11, 2005 12:35 PM
Pecador! Vais morrer no inferno por essa piada.
Publicado por: racf em janeiro 11, 2005 12:44 PM
Caro Cachucho, mesmo que fosse piada... não a iria dizer em directo, na televisão e no próprio dia do choque!
O choque chega a todos! Depois, tal como aconteceu na tragédia de Castelo de Paiva (não foram milhões, mas foram vidas!), há sempre quem consiga tirar alguma da carga negativa destes acontecimentos com uma piada. Uma piada que não invalida que tenham sentido o choque.
Estas piadas, além disso, costumam ser contadas num circulo muito fechado.
Quem não ouviu ou contou piadas sobre qualquer outra tragédia que moralize... mas sem querer passar ideias erradas, como o JLP faz!
Saudações
Publicado por: Carriço em janeiro 11, 2005 12:45 PM
Amigo Carriço, eu concordo com tudo o que dizes. Onde eu queria chegar era aqui:"Caro Cachucho, mesmo que fosse piada... não a iria dizer em directo, na televisão e no próprio dia do choque!"
Repara, se o humor não tivesse "limites" qual era o problema de ela dizer a piada? ou o humor varia consoante o local que é dito?
Repara, não é pelo facto de se dizer piadas num circulo fechado de amigos que as piadas deixam de ser violentas para quem é atingido por elas.
Obviamente também digo piadas, aliás é o que faço com mais prazer, levar a vida como uma piada. Mas onde eu queria chegar é que certas coisas têm limites. Não estou a falar em censurar o humor, estou a penas a falar em bom-senso.
abraço
Publicado por: cachucho em janeiro 11, 2005 12:51 PM
belo rasgo de genialidade, esse do JLP.
para mim, a graça do humor está exactamente em não lhe serem atribuídas limitações ou barreiras pré-definidas (apesar de todos sabermos que há censura partout e que pelo menos por aqui há poucos humoristas que escapem...também não é que o humor português tenha grande piada mas enfim).
desde já admito que sou suspeita de padecer desses ataques psicopatas porque desde sempre que aprendi a lidar com tudo o que acontece na vida (seja a melhor das felicidades ou a pior das tragédias) com um sorriso. e assim tenho feito até hoje, sem nenhum problema, sem nenhum espinho cravado na minha consciência até porque está mais que visto que "rir é o melhor remédio" e eu detesto carpideiras.
também ainda não ouvi nenhuma anedota sobre os tsunamis (ou lá o que é isso). mas acho que mesmo que ainda venha a ouvir, nada me vai chocar mais do que toda a exploração desumana que os meios de comunicação, por todo o mundo (sim, a tvi não é um conceito exclusivo aqui do burgo, já existe em muitos sítios há muitos anos) fizeram do acontecimento. simplesmente nojento. eu que já não via telejornais e tinha deixado de consumir revistas ditas "informativas" cortei com tudo de vez.
antes falta de informação do que falsa informação sanguinária e exploradora da desgraça alheia. revoltada, moi? ;)
Publicado por: cereja_m em janeiro 11, 2005 12:53 PM
Limites temáticos, Cachucho, não estamos a falar de limites ao nivel de contextos de enunciação. Relê lá o post do JLP...
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 11, 2005 01:03 PM
Blue cherry: ora nem mais. Depois da repetição inacreditável daqueles imagens (com separadores musicais e tudo), ainda vêm com moralismos bacocos. Haja paciência.
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 11, 2005 01:07 PM
Muito, mas muito mais chocante e de terrível mau gosto e desconsideração é o aproveitamento POLÍTICO da tsunami para o cartaz da campanha do PSD 'contra ventos e marés a favor de Portugal'. Isso sim deixa-me realmente enojada.
Publicado por: catarina em janeiro 11, 2005 02:21 PM
um dia uma amiga confessou-me: o josé luis peixoto é o meu autor de cabeceira. perguntei-lhe, confuso: mas ele é o candeeiro ou o penico?
gostei da autópsia que fizeste a j.l.p.
Publicado por: fernando esteves pinto em janeiro 11, 2005 02:24 PM
Fernando: LOL (mas põe-te a pau que és psicopata).
Catarina: eu desses gajos, espero tudo. Apenas falta saber se o slogan foi idealizado antes ou depois do dia 26 de Dezembro. Mas isto é uma coisa que, provavelmente, nunca saberemos, não é?
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 11, 2005 02:30 PM
JPC, mesmo que tivesse sido antes, teria sido uma excelente ideia meter agora essa campanha na gaveta (eu não ia escrever 'gaveta' mas este blog é um blog de respeito...).
Publicado por: catarina em janeiro 11, 2005 02:36 PM
A desconstrução do texto do JLP é brilhante, parabéns! É incrível a arrogância de JLP, mas esta é uma questão sempre reactivada quando acontecem desgraças, portanto é velha como o diabo. Onde é que eu já ouvi, li e vi isto? Pois é! O humor é a capacidade que o homem deverá ter para se rir de si próprio e não-se-dar-tanta-importância. De resto concordo também inteiramente com a Catarina.
Publicado por: Nancy Brown em janeiro 11, 2005 03:00 PM
"o humor é o desespero bem educado"
Publicado por: Boris vian em janeiro 11, 2005 03:18 PM
Ias dizer no cu, Catarina?
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 11, 2005 03:32 PM
Vale a pena lembrar de novo a frase de George Bernard Shaw que deixei um dia destes num comment à Catarina a propósito destas coisas:
Life does not cease to be funny when people die any more than it ceases to be serious when people laugh.
Publicado por: Jorge em janeiro 11, 2005 03:45 PM
Antes de mais deixa-me dizer-te que quando li o post a que te referes do JLP, fiquei com sincera vontade de lhe torcer o pescoço, mas como até gosto dos livros dele, calei-me.
E quando agora li o que escreveste, com que concordo linha a linha, só fiquei com pena de não ter a tua inteligência.
(e agora vou ler os comentários)
Publicado por: maria árvore em janeiro 11, 2005 03:55 PM
Holocausto
Fome na União Soviética
Fome na China
Fome em África
Guerras, guerras, guerras, guerras
Chernobyl
Desastres naturais
Tortura
Todos necessitamos do humor para conviver com tanta desgraça.
Publicado por: derFred em janeiro 11, 2005 03:58 PM
Tinha escrito um comentário logo de manhã, foi aí o 4º ou 5º. Chego agora e até me perco no meio de tanta opinião. Vou ali ao Afixe e já venho. O que tenho para dizer é mais para post!
Publicado por: Emiéle em janeiro 11, 2005 04:16 PM
Pronto. Já tá! Desabafei, porque detesto ser mal compreendida e acho que o meu comentário se podia prestar a isso. Claro que ao longo destes quarenta e muitos comentários se disse de várias formas aquilo que eu pretendia dizer e foi adulterado. Não quer dizer que esta caixa não seja magnífica, mas ali estava mais "na minha casa".
Agora que vai por aqui uma ganda confusão de conceitos, isso vai! O que tem a ver os desgostos pessoais com o espírito de humor? Por outro lado brincar com racismo, ou alentejanos ou loiras, isso não é humor negro. Já com o 11 de Setembro é. Ou com a deficiência.
Publicado por: Emiéle em janeiro 11, 2005 04:38 PM
fucking hell....na verdade todos têm razão e todos são dotados de uma estupidez indeterminavel...afinal de contas quem é o peixoto para ser um santo tão moralista e quem és tu para seres um critico tão moralista?
cumprimentos
Publicado por: zé aquilino santos em janeiro 11, 2005 04:42 PM
Era mais ou menos essa ideia, JPC.
Emiéle, quem falou em alentejanos e loiras fui eu, misturei tudo de propósito, confesso (eu gosto de armar confusão...), mas seja negro ou não, é humor. É saber rir e alargar esse conceito para além do que se estabelece naquela altura ser politicamente correcto.
Publicado por: catarina em janeiro 11, 2005 04:50 PM
Zé Aquilino: e quem és tu para escreveres um comentário tão moralista sobre a pretensa moralidade dos outros? Fuckin hell in did.
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 11, 2005 05:15 PM
Emiéle: eu fui uma das pessoas que (con)fundiu conceitos, mas a confusão e a relação entre desgostos pessoais e espírito de humor não surgiu aqui. Foi estabelecida nesta frase do Post Original:
"[...] fazer humor e contar piadas sobre aquilo que aconteceu [...] É a ignorância daqueles que nunca perderam ninguém, que acreditam que nunca irão perder ninguém e que vêem o mundo como uma brincadeirinha, um jogo de playstation, uma elaboração teórica que nunca os afectará."
E o chato é que não é :)
A meu ver, fazer humor é muito mais do que isso. Mas admito que, como em qualquer arte, há que fazê-lo bem. Caso contrário, é apenas desprezível.
Publicado por: Mi em janeiro 11, 2005 05:17 PM
thats the point... estas a ver...afinal não foi dificil lá chegar...
Publicado por: zé aquilino santos em janeiro 11, 2005 05:23 PM
O humor pode ser uma das formas de contornar as adversidades da vida.
Vou contar-vos uma história. Fiz o ensino secundário numa escola cheia de cegos (ou invisuais, se preferirem)porque na época, era a que estava equipada com os apoios necessários para eles.
Um deles, quando o cumprimentava, retorquia-me sempre: «Há tanto tempo que não te punha a vista em cima!»
Quando comentavamos um programa de televisão, havia outro que dizia sempre «Ah, esse também vi! Ou tens dúvidas?...»
Quando metade da turma ia para a praia e um dos cegos começava a ler braille na namorada, perante os conselhos de evitar exagero, comentava «Estamos a incomodar alguém?... Eu cá não estou a ver nada!»
E quando íamos ao cinema, nos nossos 15 - 16 anos, inevitavelmente em filmes que não apreciávamos, um deles passava o tempo a queixar-se que não via nada após se apagarem as luzes. E quem estava na cadeira da frente ia-se baixando até chegar ao intervalo, altura em que nós saíamos da sala.
Seríamos todos patologicamente doentes?
Publicado por: maria árvore em janeiro 11, 2005 05:40 PM
Concordo com o que diz o JLP, e acho que o seu texto está muito bem escrito. Irrita-me naturalmente a superioridade moral com que o escreve.
Concordo com tudo o que diz o JPC, e acho o seu texto muito bem escrito. Irrita-me o desmantelamento cirúrgico que utiliza como método (desculpa pá).
A única coisa que não percebo é este extremar de posições, e a forma como se sacam as armas dos coldres. E essa é a parte mais relevante que retive de tudo isto. Claro que também não percebo como posso eu concordar com as duas posições ... mas isso, tal como o humor, não tem explicação.
Publicado por: Eufigénio em janeiro 11, 2005 05:46 PM
Como exercício de exegese desconstrucionista, JPC, o teu post é brilhante. Só tenho pena que seja profundamente injusto. Pode discordar-se do Zé Luís, pode atacar-se a sua tese, pode criticar-se a "forma" como defendeu a sua opinião (e convém não esquecer que era apenas uma opinião), mas procurar arrasá-lo desta forma não faz sentido. A tua espantosa energia seria melhor utilizada a desmascarar os verdadeiros "moralismos" e "arrogâncias" que não faltam para aí.
Se te digo isto, não o vou esconder, é também porque sou amigo do Zé Luís (amigo a sério, de há muito tempo) e não gosto de assistir, sem fazer nada, a sessões de tiro-ao-alvo em que o alvo são pessoas que me são próximas e preciosas.
A amizade, como decerto compreenderás, dá-me uma vantagem em relação a ti e à maioria dos comentadores deste post: eu conheço o Zé Luís, muito para além do que ele escreve. E posso garantir-te que ele pode ser muitas coisas, mas arrogante e moralista é que não é.
Um abraço,
ZM
Publicado por: José Mário Silva em janeiro 11, 2005 06:52 PM
zé mário, dá-me a ideia que andas sempre com o peixoto pela trela. esse menino é mudo? ou tem medo de escangalhar o que nele é artificial?
Publicado por: fernando esteves pinto em janeiro 11, 2005 07:39 PM
Fernando Pinto: não tens o menor direito de dizer o que disseste. Ou pessoas como tu precisam de descer assim tão baixo para fazer valer as suas ideias? Ou, pior ainda (e nesse caso padeces de grave problema), acreditas mesmo no que disseste?
Discordo completamente do JLP, tanto quanto me parece aceitável a defesa que o ZM faz do amigo.
Da mesma forma, parece-me que a frase do ZM "A tua espantosa energia seria melhor utilizada a desmascarar os verdadeiros "moralismos" e "arrogâncias" que não faltam para aí" vale o que vale.
É um bom conselho, claro. Mas só o JPC pode decidir da escolha que faz dos alvos "moralistas" e "arrogântes".
Ao ZM parece que...
Claro que os amigos dele, por melhores pessoas que sejam, não têm nenhuma espécie de imunidade. E, ZM, tens de perceber que nós, que não conhecemos o Peixoto para além do que escreve, temos que nos limitar a isso mesmo: ao que ele escreve.
Não podemos, obviamente, ir perguntar aos amigos: "Como é ele, verdadeiramente?"
Só isso.
Publicado por: Monty em janeiro 11, 2005 08:13 PM
Atão agora que fale o Peixoto. Ficaríamos todos a perceber melhor a ideia.
Publicado por: sharkinho em janeiro 11, 2005 08:45 PM
Não se subentenda pelo comentário acima que alinho na onda da conversa de canil.
Apenas pressinto que o Peixoto é um gajo porreiro, senão não tinha amigos que o defendessem assim. E tiradas menos conseguidas, porra, quem as não tem?
Eu vou pelo meu instinto de tubarão, sem tomar partidos, e acho que isto não reflecte o Peixoto real.
Publicado por: sharkinho em janeiro 11, 2005 08:53 PM
Monty, concordo contigo.
E acrescento: o que o ZM escreve sobre o JLP aplica-se a toda a gente: toda a gente está para além do que escreve.
Publicado por: catarina em janeiro 11, 2005 09:13 PM
o monty tem mesmo pinta de padreco, mas a sua missa moralista não encanta.
Publicado por: fernando esteves pinto em janeiro 11, 2005 09:44 PM
Ò senhor prior, será do perfume que tu usas?
Publicado por: sharkinho em janeiro 11, 2005 10:15 PM
Vê lá se o padreco te enfia o crucifixo no cú, ó pintinho. Assim já me entende, né?
Publicado por: Monty em janeiro 11, 2005 10:18 PM
Pensando melhor, peintinho, tenho de te agradecer, carago, ainda ninguém me tinha chamado moralista, nesta coisa da blogosfera. E se queres que te diga, gosto. Gosto bastante.
Doravante serei Montgomery, o moralista.
Publicado por: Montgomery, o moralista em janeiro 11, 2005 10:31 PM
E o emailezinho, não se vê?
(cuidado, Peintinho, que ele comprou o crucifixo no Entroncamento)
Publicado por: sharkinho em janeiro 11, 2005 10:35 PM
ariutóquingtumi? mailezinho? não tenho lá nada, sharkyboy!
Publicado por: Montgomery, o moralista em janeiro 11, 2005 10:42 PM
mas tou com uns probs com o regular (se é que estás a falar comigo! ou é com o peintinho?).
Manda para o do afixe (monty@afixe.net). É verdade, queres um endereço do afixe, pá? (não peintinho, não és tu!)
Publicado por: Monty em janeiro 11, 2005 10:48 PM
Caro José Mário,
o Monty, de certa forma, já respondeu por mim. Apenas gostaria de sublinhar o seguinte:
1) o desmantelamento do discurso do JLP implicava o recurso a uma categoria discursiva que se dá pelo nome de «autor». Esse «autor» não passa mesmo disso: de uma categoria discursiva fundamental para a coesão textual do discurso. Quanto critico o texto e essa categoria discursiva (autor) não estou, como é óbvio, a criticar o cidadão Jorge Luís Peixoto, que, de resto, nem sequer conheço.
2) Não se aplicam aqui, portanto, critérios de justiça ou injustica. Tinha um texto à minha frente e queria descontruí-lo, sobretudo porque era um texto bem escrito, onde as artimanhas argumentativas batiam certinho como num relógio suiço (deu-me um gozo imenso as horinhas que passei a analizá-lo e isto, que raios, é um elogio óbvio à escrita do JLP).
3) O tom do meu texto era forte, admito-o. E um pouco violento. Mas esse tom era um reflexo da reacção epidérmica que me provocou a leitura do texto do JLP, que continha coisas graves e ofensivas (e tenho a certeza absoluta que concordas comigo). Quem escreve um texto daqueles e o lança na blogosfera tem de estar preparado para reacções como a minha.
4) Não houve aqui nenhuma sessão de tiro ao alvo. Se leres os comentários ao post, verás que há muitas pessoas que CONTINUAM a concordar com o post do JLP. Coloquei o link do post no meu texto e ele poderá se defender quando muito bem quiser e estou certo que não lhe faltará engenho para me lançar ao tapete. Estou aqui de braços abertos.
5) Eu gosto de discutir assim, com fervor. E é uma pena que as pessoas confundam o confronto de ideias com o confronto de pessoas. Não haverá aqui ninguém que admire mais o JLP como escritor do que eu. Mas até por causa disso, não poderia ficar calado.
6) Volto a afirmar o que disse no início: considero o texto do JSP é absolutamente lamentável e gratuito. E continua-me aqui atravessado na garganta.
7) Quanto à amizade, estamos conversados. Nem nunca coloquei esse tópico em causa.
Um abraço
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 11, 2005 10:51 PM
Jorge Luís Peixoto,
JLP,
JSP,
decide-te, pá. ;) Chama-lhe Zé!
Publicado por: Montgomery, o moralista em janeiro 11, 2005 10:56 PM
Tava a ver que não te baldavas. Já me sentia um aphixador de segunda (pois é, Pinto, estamos em todo o lado e eu sou um sacristão fiel). Fiz reply ao que me mandaste, não faço a mínima de qual seja o que usaste. Mas reagi. Diz-me amanhã em que pé estão as coisas (podes dizer hoje que tenho que dar de fuga right away e assim sendo...).
Obrigadinho, ò pessoal da casa. Como não estava ninguém, os afixes aproveitaram para falar de borla.
Ah, o papel higiénico acabou (mas foi por uma causa santa).
Publicado por: sharkinho em janeiro 11, 2005 10:58 PM
Deve ter sido o regular. Agora está down. Se aceitas o convite da fulana, responde-lhe ao email como entenderes, ok? Tens carta branca (é a tua 1ª missão). Vai-te a ela, tubarão.
Desculpa, JP.
Publicado por: Monty em janeiro 11, 2005 11:05 PM
LOL. Estas caixas de comentários são uma absoluta delícia...
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 11, 2005 11:14 PM
JPC,
Vindo de ti, chamares Jorge Luís Peixoto ao Zé Luís é o maior elogio que ele poderia esperar.
;)
Publicado por: José Mário Silva em janeiro 12, 2005 12:50 AM
Teres chamado Jorge Luís Peixoto ao Zé Luís (logo tu) foi o maior elogio que o meu amigo alguma vez recebeu...
Publicado por: José Mário Silva em janeiro 12, 2005 12:54 AM
Desculpa a repetição. Pensei que o primeiro comentário se tinha perdido.
Publicado por: JMS em janeiro 12, 2005 12:55 AM
às vezes escrever menos evitava este tipo de problema. o jl peixoto tem ar de ser boa pessoa, não duvido minimamente disso. o problema é que cada vez suportamos menos atitudes de «maîtres à penser». não somos parvos, não é?
Publicado por: Nagel em janeiro 12, 2005 06:00 AM
«maîtres à penser» - uh-lá-lá...
Publicado por: Monty em janeiro 12, 2005 11:42 AM
De facto: Jorge Luís por José Luís... :)
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 12, 2005 12:50 PM
De facto: dá que penser. Uh-lê-lê...
Publicado por: sharkinho em janeiro 12, 2005 02:26 PM
O JLP escreve no BDE?? Novidade para mim.
Publicado por: vague em janeiro 12, 2005 04:26 PM
Pá, acabei de fazer a "apologia" do Zé Luis, como pessoa, no espelho, sem ter visto o post dele ou este...Não sou amiga dele há vários anos mas, das várias vezes em que tivémos oportunidade de conversar, a imagem que formei foi exactamente a que referi: um puto genuino, sem vaidade. Não me parece que o texto que escreveu tenha a ver com "arrogar-se o direito de ser o único indignado com a tragédia", como já li por aqui, mas apenas a sua forma - talvez excessiva - de expressar uma revolta que carrega fundo na alma.
Não me parece bem o tipo de ataques à personalidade do ZLP que aparece em alguns dos comentários, por parte de pessoas que admitewm nem o conhecer.
Publicado por: Mar em janeiro 12, 2005 11:25 PM
Mar: compreendo o teu comentário. Mas ele escreveu aquilo. E aquilo é do piorio. Nada mais.
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 12, 2005 11:33 PM
Ok, mas tinha que expressar a minha opinião, acho que ele usou termos um pouco excessivos mas não sei se a desconstrução que fizeste será exactamente assim. Até percebo o repúdio num determinado momento ou contexto específico (que noinguém sabe qual foi) que possa exixtir ao ouvir alguém contar a dita anedota.
Era caso para um psicanalista fazer a dita desconstrução, talvez assim me convencesses ;-)
Publicado por: Mar em janeiro 13, 2005 09:32 PM
O que temos aqui é um texto e não uma pessoa. Por isso, necessitamos de um linguista e não de um psicanalista.
O contexto ninguém o conhece. Mas também o que ele publicou no BdE não foi um vídeo sobre o sucedido, mas um texto que foi (ou deveria ter sido) pensado e escrito. Sinceramente, não percebo essa tua «compreensão», sobretudo quando estamos perante um verdadeiro artesão da palavra.
«Termos um pouco excessivos?». Por favor, Mar, relê lá o texto. Eu gostava de ver a tua reacção se fosse um desconhecido qualquer...
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 13, 2005 09:40 PM
Sinceramente JP?
Reli e reli o texto. E, palavra que, tirando exte excerto:
"É a total falta de empatia em relação ao sofrimento dos outros – uma das principais marcas psicológicas dos psicopatas".
Tudo o resto não me merece a reacção que tu e muitas outras pessoas aqui tiveram.
E não tem a ver com ser ou não anónimo, tem a ver com pôr-me na pele de alguém como ele, alguém que perdeu o pai e disso fez um livro, para perceber aaversão a anedotas sobre tragédias. (já sei que me vais dizer que toda a gente aqui perdeu pessoas queridas e blá, blá, blá, inclusive eu própria, mas nem todos temos que ser iguais e ragir da mesma forma às tragédias por que passamos, ou temos?)
Publicado por: Mar em janeiro 14, 2005 06:40 PM
Caro João Pedro Costa,
Antes de mais nada, quero só dar-te os parabéns porque acabei de ler os teus "fascículos" de chocolate, aveia, peixes e etc. e escreves bem pa caralho (perdão!) pá? Parabéns...
Quanto ao que se está aqui a debater, penso que há a considerar duas questões:
1 - Não nos é exposto em que moldes foi contada a anedota (nem sequer que anedota foi!!), portanto é desde logo complicado julgarmos a situação... Mesmo assim, penso que o discurso do nosso caro Peixoto foi REALMENTE duma moralidade exagerada. Não julgo pois (e também há que considerar isto!) a reacção do mesmo pode ter sido provocada por acontecimentos que já tenha passado, ou por situações que esteja a passar e que o põe menos "aberto" a brincadeiras (sendo esta de mau gosto ou não!)
2 - Tu, caro João Pedro, penso que no teu comentário quiseste criticar o nosso "sermão de Santo António aos peixes". Acho que devias ter em conta os aspectos focados acima... Mesmo assim, também não gostei do tom "de escrita" do nosso amigo "Padre Vieira"... Os peixes somos nós... é triste que alguns ouçam calados...
Exageros... é o que se quer... ;)
Carlos Manuel
P.S. E que tal editar aquilo que escreves!?
Publicado por: Carlos Manuel em janeiro 15, 2005 01:15 PM
Mar: de facto, não, mas insultar os outros com paroquialismos morais é nojento.
Carlos Manuel: isso não depende de mim ;)
Publicado por: João Pedro da Costa em janeiro 15, 2005 01:37 PM
Pois não. Depende de mim, que sou o representante exclusivo para a região da Grande Lisboa.
Publicado por: sharkinho em janeiro 15, 2005 01:54 PM
E de mim, que sou para o Alentejo e Algarve! ;-)))
Publicado por: Mar em janeiro 15, 2005 10:47 PM