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março 12, 2005

Tarnation

tarnation.jpg

Eu sei que não deveria escrever nada, quando ainda tenho o filme à flor da pele, mas a verdade é que acabei de ter há poucas horas uma das maiores experiências cinematográficas da minha vida ao ver TARNATION, o filme de estreia de Jonathan Caouette.

Confesso que nem sequer tinha as expectativas muito altas. Os ecos que me chegaram da imprensa definiam TARNATION como sendo um «pot pourri» de fotografias e filmagens caseiras que Caouette coleccionou ao longo dos últimos 20 anos, e cujo resultado não passaria uma insólita e curiosa biografia do autor e da sua família. Nada de mais errado. TARNATION é um fabuloso exercício cinematográfico que faz vir à tona aquilo que, de facto, é a verdadeira essência do cinema: a montagem. Para além de recorrer a uma variadíssima gama de truques para estruturar o seu filme-documentário, Caouette revela ser um exímio artífice na arte de conjugar imagens com música (o recente SIDEWAYS, por exemplo, só não é uma obra-prima por causa disso). A banda sonora inclui temas de pessoas tão distantas como Low (sim, os Low), Magnetic Fields, Nick Drake, Mariane Faithfull, Jimmy Webb e Mark Kozelek (dos Red House Painters).

Para já, TARNATION não é apenas o melhor filme que vi este ano. É um dos maiores da minha vida. A sério. Não o percam por nada deste mundo.

Publicado por João Pedro da Costa às março 12, 2005 12:20 AM

Comentários

Ùm amigo meu que trabalha em cinema e que começou, como toda a gente, por fazer de tudo, tendo-se dedicado durante muito tempo à montagem, disse-me há quase 20 anos que essa era uma das componentes mais importantes de um filme. Desde aí comecei a reparar e hoje é um dos aspectos que mais facilmente reconheço quando vejo um. Se olharmos para filmes tão diferentes como "as horas", "traffic" ou "pulp fiction", podemos ver como se torna essencial para permitir uma estrutura narrativa não linear, por exemplo. Aguçaste-me o apetite, com essa sugestão.

Publicado por: susana em março 13, 2005 11:37 PM

Ora nem mais. E o nosso Mike Leigh também é fantástico neste aspecto. E já agora Hal Hartley. Conheces?

(Parabéns pela tua entrada no Afixe, maninha)

Publicado por: João Pedro da Costa em março 14, 2005 12:03 AM

Como até hoje ainda não falhámos uma só vez na apreciação dos filmes que temos visto, não posso senão tratar de ir ver!
Que chatice hoje já ser "domingo à noite" e ter uma semana tramada. Mas tinha algumas dúvidas se ia ou não, que desapareceram agora. Se dizes isso, não posso perder.

Publicado por: Emiéle em março 14, 2005 12:05 AM

O hal hartley não conheço. o nosso mike leigh também me veio à pensadura, quando comentei há pouco.

Publicado por: susana em março 14, 2005 12:26 AM

Pois olha: pelo que conheço dos teus gostos cinematográficos, o Hal Hartley é capaz de te levar à loucura.

1) vai a uma FNAC
2) procura o catálogo da Medeia Filmes
3) vê se encontras algum dos seguintes filmes
3.1) AMATEUR (obra-prima)
3.2) FLIRT (vale pela 1.º curta-metragem - genial)
3.3) HENRY THE FOOL (muito bom)

Se não houver, encomenda (os filmes são baratíssimos).

Nada disto, contudo, se compara aos três primeiros filmes dele: THE UNBELIEVABLE TRUTH, TRUST e SIMPLE MEN (qualquer um deles no meu TOP 5 de todos os tempos). O problema é que são lixados de encontrar... Manda-me um e-mail se quiseres que te envie uma cópia em VHS de um deles.

Publicado por: João Pedro da Costa em março 14, 2005 01:20 AM

Ok, gracias (vou procurar e se calhar vou mesmo pedir-te a cópia)

Publicado por: susana em março 14, 2005 01:26 AM

O Hal Hartley tem a melhor coreografia de dança de todo o cinema :)

Publicado por: vanus em março 14, 2005 01:29 AM

Hal Hartley, também? Estás a arriscar receber anthrax por e-mail ou, no mínimo, um beijo na boca
www.refundaçãoriapa.pt

Publicado por: Neo-Grilo em março 14, 2005 04:43 PM

vou seguir conselho e tentar encontrar «Tarnation» aqui nestas redondezas

Publicado por: Pai Grilo em março 14, 2005 04:54 PM

Também vi o filme. Gostei muito. Inquietou-me.
Em Portugal há um tipo com um trabalho interessantíssimo: o Edgar Pêra.

Publicado por: corpo visível em março 15, 2005 09:13 PM

Tens toda a razão: aquelas incursões por Fátima e pelo futebol são de tirar o fôlego a qualquer um.

Publicado por: João Pedro da Costa em março 16, 2005 01:03 PM