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maio 30, 2005

American Music Club #5

unitedkingdom.jpg

UNITED KINGDOM (1990) não é bem um álbum de originais dos American Music Club: é uma colectânea onde se reúnem outakes de CALIFORNIA (1988), B-sides, e três canções gravadas ao vivo. O que, à partida, poderia ser indicador de um disco menor da banda, acaba por se revelar um dos seus maiores trabalhos, no qual as nove canções do alinhamento formam um conjunto uno e coeso (tem piada, porque estou-me agora a lembrar que o meu álbum favorito dos Smiths, HATFUL OF HALLOW de 1985, possui características editoriais muito semelhantes às deste disco).

O tema que vos deixo aqui intitula-se «Never Mind», e é uma das mais assombrosas canções de Mark Eitzel, aqui captada ao vivo. Para além da voz de Eitzel (jamais alguém cantou a palavra «ever» de forma tão arrepiante como ele a canta aqui), gostaria de vos chamar a atenção para os versos finais da canção: «Guess I can learn to stay / With those who understand: / They play the game to win / With a loosing end». Assim, até parece simples, não é?

[O ficheiro esteve disponível nas 48h seguintes à publicação do post.]


NEVER MIND (Mark Eitzel, 1990)

You wonder what I want from you
Never mind
You wonder why I say the things I do
Never mind, never mind
You wonder: «Would I waste my time
Looking for and never find?»
You wonder what I see in you
Never mind

Guess I could learn to stay
With those whose lives are gold
Play their game for the end
For the cold

You say «Admit to all these words»
Never mind
That I've got no conscious for this world
Never mind, never mind
You say that there's no love
That I could ever find
Okay, well I just waste my time...

Guess I could learn to stay
Who those who barely live
Their poor eyes only take
They never give

To all your arguments and threats
Never mind
Your hidden motives and regrets
Never mind
It doesn't matter to me what you keep
Or what you leave behind
If you're a coward and you're blind
Never mind

Guess I could learn to stay
With those who understand
They play the game to win
With a losing hand

Publicado por João Pedro da Costa às maio 30, 2005 08:44 PM

Comentários

Bonito e bisonho. Não gosto da resignação.

Publicado por: susana em maio 30, 2005 10:36 PM

joão, o Mark Eitzel vai estar no aínda a estrear
palco songwriters no paredes de coura deste ano: http://www.paredesdecoura.com/actividades
aínda nos vemos lá!

Publicado por: np em maio 30, 2005 11:47 PM

np: de mais!!! Tou mortinho por vê-lo outra vez. A gente vê-se mesmo lá.

Publicado por: João Pedro da Costa em maio 31, 2005 01:01 AM

Vou fazer uma comparação um bocado bárbara :) mas, esta música personifica um pouco aquilo que sinto e gosto (muito) nos AMC e que para mim se equivale, sem ser lineramente, com as músicas do michel gira.
O som é totalmente diferente, o ambiente também, onde nos levam muito mais ainda, isso é indicutível. O que vejo nestes dois escritores é que para eles o amor é sempre presente como uma entidade autónoma, que não perde propriedades por ser usado. Podemos entrar e sair dele, tê-lo, perdê-lo, ter expectativas, concretizá-lo, desfazê-lo, amar sozinhos, esperar, acabar, prendermo-nos, soltarmo-nos dele, tudo; mas, no fim, ele está sempre presente, intocável, como é.
Falo do amor, porque é o mais emergente, mas no resto das letras sinto o mesmo.
Um mundo feito (acabado), com entidades vivas em si, em que podemos adquirir as suas propriedades enquanto por lá passamos mas sem as alterar, quem se altera somos nós, momentaneamente, enquanto queremos.
É uma visão que para mim torna tudo tão bonito, tão escolhido, livre para nos prendermos onde quisermos, sem lamentar mais do que as escolhas. Mas são as escolhas, não a coisa em si, que nos faz mudar.
Claro que enquanto o michel gira manda tudo para baixo, para o negro pesado e parado, o mark eitzel acaba por fazer o oposto, torna-as leves, em movimento, como uma série de encontros sucessivos. Os dois têm para mim, uma grande coerência na forma como nos apresentam o mundo.
Talvez seja por isso, que a música que mais gosto neste último álbum seja o myopic books.

Ficou um testamento, sorry.

Publicado por: vanus em maio 31, 2005 12:14 PM

* michael gira

Publicado por: vanus em maio 31, 2005 12:17 PM

Que rico testamento, vanus!

Publicado por: susana em maio 31, 2005 02:03 PM

Eh pá: eu até deveria pagar para ter comentários assim. Gostei particularmente da diferença que estabeleces entre os dois: é essa tal leveza que me fascina nas letras de Mark Eitzel.

Mas o essencial, para mim, é mesmo a música: os compassos ternários, a fuga ao formato verso/refrão/verso, os belíssimos fraseados de guitara, a forma como ele coloca a voz e, claro está, pelo menos desde MERCURY, os arranjos.

Publicado por: João Pedro da Costa em maio 31, 2005 03:01 PM

Já a mim, não sei se porque só agora os descubro, são as letras que me encantam.

Este «Never Mind» é muito bom, mas o «Why Won´t You Stay» acho arrebatador.

Vou mergulhar um pouco mais...

Publicado por: Andy em maio 31, 2005 03:31 PM

Susana, especialmente em vírgulas :)


Sim, João Pedro, tens razão nisso tudo, também gosto especialmente da forma como ele coloca a voz, é sempre muito inesperada da primeira vez que se ouve mas, se "olharmos" para trás parece que não podia ser de outra forma. Gosto daquelas pausas, muito.

Publicado por: vanus em maio 31, 2005 05:09 PM

Vanus, também gostei muito do teu testamento.
Para mim, o Mark Eitzel é uma espécie de trovador, com as suas cantigas de amigo e cantigas de maldizer. Faz um auto-retrato existencial e uma crónica da sociedade americana. Diria até que a música é o caminho da salvação para ele. E tem o efeito secundário de nos fazer vergar ou de nos fazer levitar (literalmente - aconteceu-me na Casa da Música)

Publicado por: Fred em maio 31, 2005 07:31 PM

Diz a verdade, João Pedro: eles foram contratados, não foram?

Publicado por: susana em maio 31, 2005 08:30 PM

Foram, foram. Capricho de gajos endinheirados como eu. ;)

Publicado por: João Pedro da Costa em maio 31, 2005 09:46 PM

Acredito Fred e ainda bem :)

Publicado por: vanus em maio 31, 2005 10:48 PM