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maio 05, 2005
Um Caderno de Capa Castanha # 2

Numa outra tarde, a dona do Caderno de Capa Castanha contou-me:
“Olha, Clara, tenho imensa pena de não me conseguir lembrar dos primeiros anos da minha infância. Muitas coisas que imagino serem recordações se calhar são apenas histórias que ouvi contar e fui aceitando como sendo verdadeiras lembranças. Mas consigo lembrar-me de alguns momentos com tanta nitidez que, esses, decerto foram mesmo reais.
A primeira vez que fui à escola, por exemplo. Nessa altura havia um único Jardim-Escola. As crianças costumavam ficar em casa até começarem os estudos. Mesmo no caso de as mães trabalharem, como quase todas as famílias tinham uma empregada ficávamos com ela. Isso, até mesmo quem tinha pouco dinheiro. E, se assim não fosse, havia uma avó, uma madrinha, uma tia com quem nós ficávamos durante o dia. No meu caso vivia connosco uma tia velha e uma empregada com quem fiquei até aos 3 anos.
Mas, como era filha única, os meus pais consideraram que era importante a convivência com outros meninos e, avançados para a época, foram levar-me ao tal Jardim-Escola. Era na Pedro Alvares Cabral, junto ao Jardim da Estrela. A intenção era boa, mas para mim esse dia foi um pesadelo! A viver 3 anos num ninho, senti-me projectada no ar sem saber como se abriam as asas. E, pelos padrões de hoje, a escola era muito rigorosa – entrava-se e pronto! Nada de os pais ficarem connosco uma manhã, ou a entrada ser gradual. Chegada à porta, cumprimentava-se uma senhora que eu nunca tinha visto e… adeus, até logo!
Nesta escola pretendia-se, firmemente, não haver distinções de classe e assim vestiam-nos um bibe de quadradinhos – azuis, amarelos ou rosa conforme a sala – e calçavam-nos umas sapatilhas de sola de corda. Lá distinções não havia mas, de início, senti que perdia era a identidade. Não era eu , era uma menina, igualzinha às outras todas. E todos eram desconhecidos para mim. A sensação, Clara, foi de verdadeiro pânico! Sentia-me diluída, fundida no conjunto, sem presença real. Esse dia foi inesquecível. Recordo-me de ouvir alguém dizer: “Coitadinha, esta faz pena, nem se ouve chorar só se lhe vêem as lágrimas cara abaixo”. E era certo, porque apesar de muito pequena eu tinha o meu orgulho e queria mostrar-me forte, nem queria que reparassem nas lágrimas que não conseguia segurar.
Depois habituei-me, claro está. Saía de casa, bem cedo, pela mão da tia-avó que morava connosco, e íamos até ao eléctrico. Era uma meia hora a chegar ao Rato, e a seguir era só subir a avenida. Dessa parte sempre gostei e acho que os meninos de hoje, que vão de carro até à porta da escola, perdem qualquer coisa. Porque o convívio no carro eléctrico era divertido: as pessoas metiam-se comigo e puxavam-me o laço, entravam ardinas a vender jornais, havia miúdos que se penduravam das portas com o revisor a ralhar com eles, todos os dias havia motivos de interesse, era a vida perto de nós.
O revisor que vendia os bilhetes vinha de banco em banco, com 3 macinhos conforme a distância, bilhete de 5 tostões, de 7 tostões ou de 10 tostões. Com um alicate fazia um furinho no bilhete, marcando onde se tinha entrado. Muitas vezes brincava comigo, fingindo que me fazia um furo na orelha com esse alicate. Era uma relação muito mais humanizada do que a de hoje, a qualidade do tempo era diferente.
E é isso que gostava de acentuar. O tempo desenrolava-se à minha frente longo, longo, os dias, semanas, meses, pareciam não ter fim. Quando me diziam “para a semana que vem” parecia-me uma eternidade. Se queres saber, o que acho que mais mudou da minha infância para agora foi a qualidade do tempo. Houve algo que se transformou em profundidade. Nem melhor nem pior, mas o tempo hoje é diferente. Acredita.»
Publicado por Clara às maio 5, 2005 10:05 PM
Comentários
Clara acabei de te deixar um testamento no post de baixo e agora tás aqui.Vou ler e já volto.
Publicado por: patrícia em maio 5, 2005 10:00 PM
Oh Patrícia, mal publiquei isto já tinha o teu comentário, fiquei atrapalhada. Ainda havia uma palavra ou outra que fui retocar, porque escrevi isto quase sem rever. Nem sempre o faço, mas às vezes, como hoje, acontece.
Não imaginei que tivesse uma leitora já aqui perto...
:)
Publicado por: Clara em maio 5, 2005 10:22 PM
Clara , daqui a um bocadinho já comento o post...agora deixa-me, apenas, deslumbrar, com o sorriso.
Publicado por: isabel em maio 5, 2005 10:27 PM
Pois...sinto a cabeça vazia...já não consigo escrever mais...já não raciocino.Até podia pôr-me a reflectir sobre a profundidade do tempo que não é melhor nem pior do que antes.É o tipo de coisa que sinto mas não sei explicar o que é.
Olha, estou farta de não conseguir ser breve.A única coisa que me bateu no teu texto, desta vez e a esta hora, é que me fez lembrar de que adoro uma criança que conheço quase como a palma da minha mão.Costumo levá-la de carro à escola e é tão bom...vamos sempre a cantar e a dizer disparates.Ninguém se mete com ela, é verdade, mas ela mete-se tanto comigo.Imagina tu que ela é tão tímida...cada vez que a deixo à porta da escola segue rápida e cabisbaixa até à sala de aula, não fala com ninguém. Sempre que foi à vacina vi a cara dela estremecer de dôr mas não verteu uma lágrima. Se soubesses como isto me doía.Chora, zanga-te gritava-lhe eu mas ela só dizia:tenho vergonha.
Ontem experimentei mandá-la à escola com o único vestido comprido que tem, um que lhe ofereci para ir a um baptizado.Clara, se tu visses como é que ela entrou na escola:de cabeça para cima, a chamar toda a gente...estava feliz.Imagina tu, bastava-lhe um vestido de festa, de barbie, de princesa.Adoro-a como nunca adorei ninguém em toda a minha vida mas nunca liguei ao pormenor dos vestidos...estúpida...agora vou tentar ir a uma dessas lojas comprar-lhe vários de Primavera e sei que vou passar a saber explicar a profundidade do tempo.Nunca fui tão pirosa mas adoro aquela miúda e estes teus textos trazem-ma. Em setembro vai para a primeira classe.Não faço a minima ideia se o teu texto é bom mas um comentário destes nunca me tinha acontecido.Obrigada, vou tapar a miúda que já está deitada de cabeça para baixo e os lençois todos no chão.Fica bem.
Publicado por: patrícia em maio 5, 2005 10:28 PM
Espero bem que a dona do caderno castanho continue a contar-te histórias dos seus tempos de infância. E que tu no-las contes, com esse teu jeito tão terno de evocar o passado (terno, sim, JP, o comentário é para a Clara e não para ti; se te der pesadelos com o JMV, pior para ti ;DDD).
Publicado por: 1poucomais em maio 5, 2005 11:46 PM
Gostei muito, Clara, que descrição tão viva. Parece que tem voz e sorriso, a evocação da dona do caderno.
Publicado por: susana em maio 6, 2005 12:50 AM
Tal como a Isabel, vou guardar o comentário para depois que quero ler o post com mais cuidado do que o fiz agora.
Estou mesmo de passagem, mas volto mais tarde.
Também gostei da imagem, mesmo de época.
Publicado por: Emiéle em maio 6, 2005 06:12 AM
Tenho passado por aqui e quanto aos textos da Clara, acho que enganam muito. Parecem muito simples, escritos de uma penada, mas há por aqui muito trabalho!!! É como os vestidos de bom corte, que parecem muito "simples" mas dão um trabalhão a conceber.
Quando falo em textos é porque considero que isto é mais do que um post. É um bom texto. E dá muito, mas muito trabalho escrever com esta simplicidade.
Sem adjectivos :)
Publicado por: Gui em maio 6, 2005 09:51 AM
Tem piada, Gui!
Li o que escreveste e faz muito sentido.
Também sinto o mesmo.
Há uma simplicidade que é muito trabalhada.
Como aqueles "improvisos" que nunca são bem improvisos, são muito pensados antes de se dizerem.
Boa malha! Não tinha pensado nisso, mas concordo.
Publicado por: Zé em maio 6, 2005 09:53 AM
Eu sou mais leitor do Afixe, aqui comecei a vir de um link de lá.
E afinal fiquei também fã deste blog!
Todo o blog é porreiro, os comentários são bestiais, o "ambiente" é do melhor.
Vivam as Ruínas.
E viva esta Clara, que escreve espantosamente bem.
Não sei de quem são estas "memórias", nem isso me interessa, mas gosto imenso deste estilo, escorreito, directo, indo ao essencial.
É fácil imaginar a vida desta época, contada assim.
Publicado por: King em maio 6, 2005 10:01 AM
Que menina linda!
Está mesmo de acordo com o que está escrito. Será a mesma? :)
Publicado por: Paulo em maio 6, 2005 10:12 AM
Estou no meu emprego e estava a ouvir os meus colegas a falarem deste blog e deste post. Fiquei com curiosidade e vim aqui ver.
Só posso dizer que vou adicionar aos meus favoritos!
Nem quero dizer agora nada, que não tenho tempo para ler isto como merece. Vou deixar a leitura para logo á noite em casa.
Excelente blogger.
Muito bem escrito, mas não se pode ler a correr.
Até logo!
Publicado por: J.C. em maio 6, 2005 10:16 AM
Que belo texto, Clara. E a fotografia é lindíssima.
Publicado por: João Pedro da Costa em maio 6, 2005 11:13 AM
Decidi comentar este post até conseguir explicar(me) o que a dona do caderno castanho quer acentuar:o tempo e a sua profundidade.Já voltei a ler o post e ainda não consigo fazê-lo mesmo que fique com uma sensação daquele género.
De qualquer modo apetece-me começar pelo comentário do Gui(tenho um problema de falta de estruturação mental).O que eu gosto nos posts da Clara é que ela demonstra sempre uma convicção que tenho em relação aos blogs:não é por termos um espaço (net)livre, que não está legislado, que podemos vir para aqui escrever o que nos apetece, como nos apetece.Qualquer um pode ter um blog mas acho que é aqui que entra o conceito liberdade e a liberdade, em minha opinião, é o conceito mais pesado e que exige mais trabalho para ser realizada.Um gajo que tem um blog, chega a casa e espeta com a frase que lhe veio à cabeça no duche, com o episódio do café, com a conversa da vizinha ou com o último livro que leu.Das duas uma:ou o faz com responsabilidade, com trabalho, com a certeza de que aquilo vale a pena ou então, para mim, está a ocupar o espaço infinito da net...como se fosse uma espécie de trash net.Como é que se avalia o que é ou não trash net.É facilimo.Obviamente que também é facilimo vir para aqui argumentar o contrário. Que deve ser uma anarquia, que é um tubo de escape, que o giro e saudável é realmente não ter trabalho, que faz bem vir descarregar.E é aqui que entra a minha identificação com a Clara...é uma coisa muito pessoal:ela escreve num blog e sente-se nela uma responsabilização a partir do momento em que sabe que vai ser lida por não sei quantas pessoas.Ela até pode deixar aqui um simples palavrão mas até isso terá sido pensado ou com alguma intenção...é que o eu sinto até agora.Ela pode contrariar-me já de seguida mas nessa altura passará a ser uma blogger com a qual não me identifico....Mas isso também é bom?! Para mim é bom apenas pela novidade porque depois deixo de a ler(eu).A simplicidade dá trabalho? Caramba pensei que não havia nada mais óbvio.Eu por exemplo, quando faço comentários confusos, complicados, devo confessar que estou num momento de preguiça...mas tento contrariá-lo.Hoje o meu objectivo, por questões profissionais, é estruturar-me mentalmente.É o que estou a tentar fazer.Quanto à simplicidade, ainda sinto, em relação a este post, que o último parágrafo(acentuar a profundidade do tempo)me complicou o entendimento.Sinto o que a Clara quer dizer mas não consigo explicar-me e acho graça porque a própria senhora acaba a dizer:acredite.Como se aquilo não tivesse explicação, como se fosse uma questão de fé.Ao longo do dia vou tentar lê-lo mais uma vez.Vou tentar cumprir o objectivo a que me propus:ser curta, breve, objectiva.Está-me a dar muito trabalho.
Publicado por: patrícia em maio 6, 2005 11:41 AM
Uma das coisas a que achei grande curiosidade quando vim a Lisboa pela primeira vez foi o tamanho dos bilhetes que os cobradores vendiam nos autocarros, já que noutras terras, onde os minutos eram tão longos que dava para encher uma hora com mais de quinhentos, se calhar até mais, nas camionetas os pedaços de papel que davam direito à viagem eram bem maiores, cheios de nomes de lugares por onde se passava, e os buraquinhos indicavam de onde se partia e para onde se ia, era assim como que um título de viagem personalizado, é daqui que venho e é para ali que vou, o fiscal pode entrar e verificar, é esta a minha viagem, a minha sina, o meu destino.
Publicado por: Rezendes em maio 6, 2005 02:26 PM
Hoje, mais uma vez tratarei de explanar certo exercício mental [...]
• A Clara é sem sombra de dúvida alguma, uma mulher que sabe tratar bem as palavras, e esse tratamento reflecte-se no brilhantismo textual inconcusso. As pessoas que aqui vão deixando comentários, por seu lado, são tentadas a melhorar o nível destes últimos, facto que por si só, eleva a Clara a um nível bastante acima de outros blogeurs. Tudo o resto são meras tentativas de equiparação. •
Por tudo o que este blog representou para mim, estás desde este momento convidada a vires ver a 'Arte' exposta no meu território.
BFS, beijocas e inté.
Publicado por: Espectro #999 em maio 6, 2005 03:40 PM
CLARA!
Eu Acredito. :)
patrícia
Publicado por: patrícia em maio 6, 2005 04:28 PM
Muitos de nós sofrem dessa (re)construção da memória mais recuada, o que é pena. Ainda bem que há cadernos de capa castanha e que tu nos enriqueces com essa partilha, Clara.
Já agora deixa-me dar um recado ao João (e também a ti), o Bits & Bytes tem muito bom gosto. ;)
Publicado por: cap em maio 6, 2005 04:40 PM
Que comentário, Patrícia, que trabalheira! Nem os críticos literários se alongam tanto! Já pensaste em ir ao psiquiatra? :-)
Publicado por: Rata Zinger em maio 6, 2005 05:01 PM
Lerei o texto com mais tempo. Os textos da Clara costumam ser bons. Bom fim-de-semana.
Publicado por: Rata Zinger em maio 6, 2005 05:03 PM
Há uma coisa que salta à vista até dos leitores mais distraídos: as manchas enormes de texto assinados pela Patrícia. Já fui ler os blog dela e há só uma conclusão a tirar de toda esta ganga, a obsessão dela pela Clara. A Patrícia, claramente (não é jogo com as palavras), quer ir para a cama com a Clara. Não tem nada de mal. É apenas confrangedor assistir publicamente a isso. Ainda por cima sem pudor, sem recato e sem sentido do ridículo. Há algo de desesperante, esfomeante, na catadupa de textos da Patrícia. Impressiona, por exemplo, a forma como ela implora pelos comentários da Clara. E quando os tem, desfaz-se, derrete-se toda. Só para terminar, a Patrícia falou das pessoas que vêm para a internet escrever à balda tudo o que lhes passa pelos neurónios sem antes pensarem bem no que escrevem. Bom, a Patrícia está a precisar de se olhar ao espelho. É a minha opinião, directa, crua e autêntica.
Publicado por: Joana em maio 6, 2005 07:14 PM
Tinha-me esquecido: esta minha opinião deriva da leitura dos textos da Patrícia no blog Não sei brincar.
Publicado por: Joana em maio 6, 2005 07:16 PM
A Patrícia é uma maluca. Não tenho pachorra para ler todos os comentários dela (os meus dias têm 24h), mas as manchas gráficas até são giras.
Publicado por: João Pedro da Costa em maio 7, 2005 12:25 AM
vai para c.....o
Publicado por: DA SILVA JOSE em maio 7, 2005 05:09 PM
...E se fôr a Patrícia, protagonista deste blog(ruínas circulares), a própria psiquiatra? Com o choque tecnológico também os estudos de medicina se praticam...de outra maneira.Epá, espero que não seja nada disto.
Publicado por: Rita em maio 7, 2005 09:54 PM
Gentes, vocês estão a delirar e a afastar-se do tema do post!!!
E se pensássemos outra vez naquilo que a Clara nos quis contar? De como era a vida, o dia a dia, nessa altura? Ouvindo isto parece que se passou ainda mais tempo do que na realidade passou... este problema do tempo tem que se lhe diga.
Publicado por: Emiéle em maio 7, 2005 10:16 PM
Nunca comentei este blog.Pessoalmente acho que os posts não têm um interesse por aí além mas não quero ofender.Sei apenas que dava 10 anos de vida para que uma mulher me amasse tanto como a patrícia ama a clara.Há pessoas com sorte.Nunca me atrevi a comentar os posts da patrícia, deixam-me petrificado e acho ainda mais lindo que ela apregoe em público o que sente pela clara, como se os outros tivessem deixado de existir.patrícia, tu fazes-me acreditar no amor, não mudes nunca.
Publicado por: Carlos em maio 7, 2005 11:07 PM
carlos:
Não te constranjas.Se me queres dizer alguma coisa fá-lo onde eu escrevo cenas petrificantes.Também sou capaz de amar assim um homem...mas não tu com certeza.
Ai etelvina, estás finalmente a colher as tempestadas dos teus ventos.
TEMA DO POST DA CLARA:
A PROFUNDIDADE DO TEMPO (através do caderno castanho)
Publicado por: patrícia em maio 7, 2005 11:20 PM
tema do mais recente post d´As Ruínas Circulares
Um Caderno de Capa Castanha #2
Publicado por: patrícia em maio 8, 2005 03:42 PM
:-) Gostei do texto.
Publicado por: Rata Zinger em maio 8, 2005 09:13 PM
Ainda cá voltei reler o post.
( até estou a pensar imprimir estes textos do Caderno e ir guardando...)
Soube-me muito bem saborear de novo o que escreveste. É que eu não sou muito novo ( eheheheh ) e lembro-me tão bem dos pica-bilhetes com o seu alicate e os bilhetes de várias cores. Tens razão, Clara, era muito mais humanizado.
Que saudades....
....
Publicado por: Zé em maio 9, 2005 10:05 AM
Having problems with an at-risk youth or a troubled teen? Maybe it's time you consider tough love measures. Boarding schools, group homes, teen juvenile boot camps and military schools are all options parents have used to to get their troubled teens back on track. Don't tolerate teen drug abuse another day. Send them off to a private military school where they can get the help they need.
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Publicado por: military schools em junho 11, 2005 09:40 PM