« maio 2005 | Entrada | julho 2005 »
junho 29, 2005
Blog Coughing #3

(Por favor, olhem bem para a absoluta maravilha desta capa. Como diria um amigo meu: «é muita droga».)
O segundo álbum dos Soul Coughing, IRRESISTIBLE BLISS (1996), apesar de ficar uns furitos abaixo (mas nada de grave) da obra-prima que foi o disco de estreia, conseguiu trazer à banda o seu single mais emblemático: «Super Bon Bon». Há ainda grandes canções, caso de «Soft Serve», «Paint», «Disseminated» ou o magnífico «Idiot Kings» e todas elas denotam um esforço da banda em tentar tornar o seu som mais acessível e consentâneo com o formato canção-pop. É ainda assim um belíssimo disco e já denuncia, em parte, o salto que a banda viria a dar dois anos mais tarde com OSO (1998), que fecharia com chave de ouro (adoro esta expressão pateta) a carreira do grupo.
O tema que vos deixa aqui é, como não poderia deixar de ser, o magnífico e nervoso «Super Bon Bon», talvez o único tema dos Soul Cof Cof que ainda hoje vai passando nas rádios mais escrupulosas do nosso país. Sobre a origem da canção, M. Doughty explica:
«The Super Bon Bon bit was this Italian candy bar that I saw at a truckstop on a European tour. I was a little high at the time and I just kept repeating Super Bon Bon Super Bon Bon Super Bon Bon, amazed at the number of possible variations in a candy bar name. Super Bon Bon became a pet name for a woman I was seeing at the time, and thus the gap between the terrified-of-the-phone verse and the seemingly light chorus.»
Alucinante, não é? (Aviso já os mais distraídos que esta música tem o dom de se instalar no vosso cérebro logo após a primeira audição. Não venham depois pedir contas aqui ao «je»...).
[O ficheiro esteve disponível nas 48h seguintes à publicação do post.]
SUPER BON BON (M. Doughty, 1996)
Move aside
And let the man go through
Let the man go through
If I stole somebody else's wave to fly up
If I rose up with the avenue behind me
Some kind of verb
Some kind of moving thing
Something unseen
Some hand is motioning
To rise, to rise, to rise
Too fat fat - you must cut clean
You got to take the elevator to the mezzanine, chump
Change and it's on: Super bon bon Super bon bon Super bon bon
And by the phone I live in fear
Sheer chance will draw you in to here
Publicado por João Pedro da Costa às 04:25 PM | Comentários (26)
Blog Coughing #2

Mais uma dose de Soul Coughing, ainda proveniente dessa moca que é RUBY VROOM (1994). O tema que vos trago é o que fecha, em grande estilo, o álbum e intitula-se «Janine». Para variar, é uma belíssima canção, cantada por cima de um sampler esquisitíssimo (uma ouvinte de um programa de rádio a cantar via telefone um tema que não consigo identificar). O resto é a voz incrível de M. Doughty, um contrabaixo cheio de swing e uma guitarra acústica. As simple as that.
A origem da música também tem muita piada e não resisto em partilhar convosco esta história (talvez nem seja bem a história em si, mas a forma como M. Doughty a conta - isto partindo do princípio que as essas duas coisas são separáveis):
«I was walking over on lower Second Avenue with my guitar and this drunken man walks up to me and goes:
- Hey, excuse me, how do you get a white woman to love you?
Bright boy that I am, I answered:
- Uh, try writing her a song.
- You write her a song, you got a guitar - he answered indignantly - Her name's Janine.»
(A letra é lindíssima.)
[O ficheiro esteve disponível nas 48h seguintes à publicação do post.]
JANINE (M. Doughty, 1994)
Janine, I drink you up
Janine, I drink you up
Janine, Janine, I sing
If you were the Baltic Sea
And I were a cup, uh-huh
Varick Street and I drove South
With my hands on the wheel and your taste in my mouth
Jesus to my left, the Holland Tunnel on my right
Angels shine down from the traffic light...
I fell asleep by the blue light of Live at Five
And as I drifted off, I heard Al Roker say to me:
Dial 1-900-4-J-A-N-I-N-E
Slap myself to waking but now it's too late
Cause I spelled your name out on my licence plate
Janine
Publicado por João Pedro da Costa às 02:37 AM | Comentários (7)
junho 28, 2005
Blog Coughing

Depois dos American Music Club, deu-me agora a panca dos Soul Coughing (deve ser do Verão. Tem piada como o clima tem efeito sobre o tipo de música que gostamos de ouvir num determinado momento. Um exemplo: eu adoro os Sigur Rós, mas ninguém me verá a ouvir os ditos numa praia ou numa noite de Verão. Outro: só me dá para ouvir Brian Eno quando está a chover...).
Os Soul Coughing foram uma das bandas mais singulares da década de 90. Surgiram numa altura em que o grunge dominava a cena musical e lembro-me perfeitamente do assombro que eles me provocaram quando os ouvi pela primeira vez (cortesia da saudosa Xfm). Para além da voz inconfundível de M. Doughty, o que mais surpreendia (e surpreende) na música deste quarteto de Nova-Iorque era o «mistura fina» de influências que convergiam em cada uma das suas canções: ele era pop-rock, jazz, funk, hip-pop, swing, electrónica, experimentalismo qb e sobretudo samples - não era por acaso que um dos membros da banda, Gli Antoni, se dedicava única e exclusivamente ao sampler. Estou mesmo em crer que os Soul Coughing foram absolutamente pioneiros na forma inteligente como integraram os samples nas suas canções, de tal forma que não é nada óbvio nos apercebermos onde acabam os instrumentos tocados pela banda e onde começam os sons remotos (caso de Howlin' Wolf ou das Andrew Sisters) que eles importavam.
RUBI VROOM (1994) é um daqueles discos que roça a inverosimilhança e está perfeitamente ao nível das grandes estreias da década de 90, caso de BLUE LINES dos Massive Attack ou de DUMMY dos Portishead (não goza é de um décimo da popularidade desses discos, vai-se lá saber porquê...). É um obra genial, sem momentos mortos, e quando ouço hoje estas quatorze canções até custa a acreditar que o álbum tem mais de dez anos: como o quarto de Melquíades, parece que o tempo não passou por aqui. O tema que vos deixo aqui foi o rastilho que despoletou o culto da banda na Europa e nos Estados Unidos: intitula-se «Screenwriter's Blues» e é uma absoluta delícia. Enjoy, que nos próximos dias haverá mais.
[O ficheiro esteve disponível nas 48h seguintes à publicação do post.]
SCREENWRITER'S BLUES (M. Doughty, 1994)
Exits to freeways twisted like knots on the fingers. Jewels cleaving skin between... breasts.
Your Cadillac breathes four hundred horses over blue lines. You are going to Reseda to make love to a model from Ohio, whose real name you don't know. You spin like the Cadillac was overturning down a cliff on television. And the radio is on and the radioman is speaking and the radioman says:
«Women were a curse, so men built Paramount studios... and men built Columbia studios... and men built Los Angeles. It is 5 am and you are listening to Los Angeles.»
And the radioman says: «It is a beautiful night out there!»
And the radioman says: «Rock and Roll lives!»
And the radioman says: «It is a beautiful night out there in Los Angeles. You live in Los Angeles and you are going to Reseda. We are all in some way or another going to Reseda someday to die.»
(And the radioman laughs because the radioman fucks a model too.)
Gone savage for teenagers with automatic weapons and boundless love. Gone savage for teenagers who are aesthetically pleasing (in other words: fly). Los Angeles beckons the teenagers to come to her on buses. Los Angeles loves love.
«It is 5 am and you are listening to Los Angeles.»
I am going to Los Angeles to build a screenplay about lovers who murder each other. I am going to Los Angeles to see my own name on a screen, five feet long and luminous. As the radioman says:
«It is 5 am and the sun has charred the other side of the world and come back to us and painted the smoke over our heads an imperial violet. It is 5 am and you are listening to Los Angeles.»
«It is 5 am and you are listening to Los Angeles.»
«You are listening.»
Publicado por João Pedro da Costa às 06:21 PM | Comentários (15)
High-Tech-Lado

Publicado por João Pedro da Costa às 04:23 PM | Comentários (38)
junho 27, 2005
Mesa de leitura

ADENDA
O que pretendia fazer com esta montagem (e que não sei se consegui) era criar uma analogia visual entre a leitura de textos na blogosfera e o processo de mistura de canais sonoros num processo de gravação ou reprodução (leiTURA vs. misTURA). Para isso, alinhei uma série de scroll-bars a fim de criar uma imagem semelhante à das mesas de mistura. A leitura na blogosfera (e nos PCs em geral) depende muito dessas barrinhas para fazer correr o texto no écran à medida que a leitura vai progredindo. Também procurei transmitir a ideia de simultaneidade que esse tipo de leitura (na blogosfera) proporciona: estamos sempre a ler diferentes textos (canais) que, de certa forma, acabam por se misturar na nossa cabeça. Enquanto que a posição das barras numa mesa de mistura corresponde ao volume da pista, nesta mesa de leitura, ela corresponde ao estado em que se encontra a leitura do texto (por exemplo, só o oitava texto é que se encontra totalmente lido). Há ainda mais analogias que podem ser detectadas, mas deixo isso ao cuidado dos leitores.
Publicado por João Pedro da Costa às 05:27 PM | Comentários (30)
junho 23, 2005
Efeméride
No próximo dia 1 de Julho, Sexta-feira, às 19h00, na FNAC Santa Catarina, bem no coração da baixa portuense, eu, o Paulo Querido e o Luís Ene somos gajos para proceder ao lançamento do livro d'As Ruínas Circulares. A apresentação estará a cargo do Professor Francisco Topa, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Haverá coisas altamente ilegais para o deleite daqueles que quiserem aparecer. Contamos com vocês para, no fim, irmos parar todos à esquarda.
(Em breve, deixarei aqui novidades relativamente ao lançamento em Lisboa.)

Publicado por João Pedro da Costa às 05:14 PM | Comentários (34)
junho 19, 2005
Convite
Em exibição esta semana, no Largo do Viriato, junto ao Hospital de Santo António, no Porto. A entrada é livre. Mas só a muito custo é que um gajo consegue partir.








Publicado por João Pedro da Costa às 10:22 PM | Comentários (57)
junho 16, 2005
Exercício de caligrafia
Hoje, fui com o meu pai ver as flores e os ramos e o tronco do jacarandá do Viriato. Sentámo-nos na beira da estrada e fumámos um charro a meias (ele pensava que era um cigarro). Pensei: tenho de escrever sobre isto com uma letra que se perceba. Que se perceba: para depois ele poder voltar.
Publicado por João Pedro da Costa às 06:09 PM | Comentários (33)
junho 11, 2005
Revisão da matéria dada em animações HTML (último post antes do teste)
Tendo em conta que:
a) várias famílias se têm queixado da inexistência de animações no livro d'As Ruínas Circulares;
b) sou incapaz de criar categorias no Movable Type;
c) tenho sentido uma sincera dificuldade em sentar-me em frente ao computador quando o calor e o sol chamam por mim lá fora;
d) haverá um teste de avaliação somativa para os leitores d'As Ruínas na próxima semana;
resolvi reunir neste post algumas das animações em Flash que fiz para este blog. Os leitores maníaco-compulsivos d'As Ruínas (e eu sei que andam alguns por aí - Cf. Fred) poderão sempre copiar as animações deste post, gravá-las num CD-ROM e acoplá-lo ao exemplar do livrinho que tão gentilmente adquiriram (cof cof).
Se, por mero acaso, o blog entupir com tanta animação, façam o favor de utilizar o seguinte

artefacto, especialmente concebido para resolver este tipo de situações. Obrigado.
Post Circular (26/12/2004)

Pedimos desculpa pelo incómodo: os posts normais (normais?) serão retomados dentro de momentos (27/12/2004)

Post Circular II (07/01/2005)

O meu coelho suicida #26 (Xau Silvestre rules!) (13/01/2005)

Post lento (18/01/2005)

Post 3310 (23/03/2005)

Post à Martin Scorsese («The Aviator» meets «Last Temptation of Christ») (27/03/2005)

O meu coelho suicida #28 (29/03/2005)

O meu coelho suicida #29 (05/04/2005)

Publicado por João Pedro da Costa às 04:30 PM | Comentários (60)
junho 07, 2005
O meu coelho suicida #30 (respiração assistida com uma remota e interactiva hipótese de salvamento)

Publicado por João Pedro da Costa às 04:08 PM | Comentários (65)
junho 06, 2005
Foi por causa duma cena dessas que comecei a fumar
Hoje, esteve um dia absolutamente magnífico de Verão e, como não sou gajo para resistir aos apelos do mar e do calor (na verdade, não sou gajo para resistir a apelos - ponto final), resolvi ir para a praia. Contudo, quando encontrei os meus calções de banho, fui confrontado com uma dificuldade inesperada: uma das extremidades do cordelito dos referidos calções tinha-se afundado nas profundezas da costura. Para quem não está familiarizado com o sucedido, a resolução do problema consiste em fazer deslizar, através de uma costura exígua feita num tecido particularmente fino, um cordel que, por definição, é um objecto que não foi feito para deslizar em costuras exíguas feitas em tecidos particularmente finos (só de falar nisso, já tou com os nervos em franja). Como é óbvio, acabei por não ir para a praia, mas não se perdeu tudo: as 6 horas que precisei para realizar a delicada operação deram para decorar a letra da música que, incessantemente, não parava de ecoar na minha cabeça.
Publicado por João Pedro da Costa às 12:30 AM | Comentários (56)
junho 03, 2005
A mão no arado

«Feliz aquele que administra sabiamente
a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias»
RUY BELO
(Tudo bem, Ruy. Mas as noites é que são fodidas...)
Publicado por João Pedro da Costa às 12:32 AM | Comentários (25)
junho 01, 2005
American Music Club #6 (final)

E para acabar esta incursão pela obra de Mark Eitzel e dos American Music Club, deixo-vos uma coisinha pequenina chamada «Sacred Heart», retirada do primeiro e magnífico álbum de estúdio a solo do meu compositor favorito: 60 WATT SILVER LINING (1996).
Poderia vos falar de tanta coisa, caramba. Da forma como Mark Eitzel se borrifa para a métrica da música, da sublime reincindência do adjectivo «throwaway», do génio contido numa frase como «Though Noah doesn't want me, you won't let me drown», do contraste entre o ritmo alegre da música e as palavras de Eitzel, da forma como ele canta «I'm always alone and I don't wanna be always alone», mas não - não irei falar de nada disso.
Apenas peço duas coisas. Que ouçam. E que os novos fãs dos AMC / Mark Eitzel se chibem nos comentários. Há-de haver pelo menos um, caramba.
[O ficheiro esteve disponível nas 48h seguintes à publicação do post.]
SACRED HEART (Mark Eitzel, 1996)
Now I'm out walking on Saturday morning without a direction. I'm a dime a dozen, a worthless tourist, a walking target with his eyes stuck on glue and paper. No roof to crawl under, but with a heart full of rain, a heart full of rain. Full as the clouds. My throwaway map should throw me away and where does it take me? Streets long since flooded, raindrops and heartbeats (though Noah doesn't want me, you won't let me drown). I don't need to see you: I just need to feel you when we make love. Feel you in the dark, feel you in the future, when we make love. Up in heaven, do we make 'em burn up or do they ignore us (bigger fish to fry). Waiting with the others at the «Sacré Coeur», many different colors from all over the world. Here in the City of Love, no one wants me here. But I remember the sweet things we did together, when we made love. Saturday morning, waiting with the others, listening to Messiaen, waiting in the dark at the «Sacré Coeur». The future doesn't matter: nothing lasts but the dark where we feel love. Track me down and I'll give you my pomegranate heart, my throwaway heart. Track me down and stop me - I'm ripe enough for the terror that lies at the center of my heart's desire. I'm always alone, I'm always alone, I'm always alone. I'm always alone and I don't want to be... always alone.
Publicado por João Pedro da Costa às 12:22 AM | Comentários (56)