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junho 28, 2005

Blog Coughing

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Depois dos American Music Club, deu-me agora a panca dos Soul Coughing (deve ser do Verão. Tem piada como o clima tem efeito sobre o tipo de música que gostamos de ouvir num determinado momento. Um exemplo: eu adoro os Sigur Rós, mas ninguém me verá a ouvir os ditos numa praia ou numa noite de Verão. Outro: só me dá para ouvir Brian Eno quando está a chover...).

Os Soul Coughing foram uma das bandas mais singulares da década de 90. Surgiram numa altura em que o grunge dominava a cena musical e lembro-me perfeitamente do assombro que eles me provocaram quando os ouvi pela primeira vez (cortesia da saudosa Xfm). Para além da voz inconfundível de M. Doughty, o que mais surpreendia (e surpreende) na música deste quarteto de Nova-Iorque era o «mistura fina» de influências que convergiam em cada uma das suas canções: ele era pop-rock, jazz, funk, hip-pop, swing, electrónica, experimentalismo qb e sobretudo samples - não era por acaso que um dos membros da banda, Gli Antoni, se dedicava única e exclusivamente ao sampler. Estou mesmo em crer que os Soul Coughing foram absolutamente pioneiros na forma inteligente como integraram os samples nas suas canções, de tal forma que não é nada óbvio nos apercebermos onde acabam os instrumentos tocados pela banda e onde começam os sons remotos (caso de Howlin' Wolf ou das Andrew Sisters) que eles importavam.

RUBI VROOM (1994) é um daqueles discos que roça a inverosimilhança e está perfeitamente ao nível das grandes estreias da década de 90, caso de BLUE LINES dos Massive Attack ou de DUMMY dos Portishead (não goza é de um décimo da popularidade desses discos, vai-se lá saber porquê...). É um obra genial, sem momentos mortos, e quando ouço hoje estas quatorze canções até custa a acreditar que o álbum tem mais de dez anos: como o quarto de Melquíades, parece que o tempo não passou por aqui. O tema que vos deixo aqui foi o rastilho que despoletou o culto da banda na Europa e nos Estados Unidos: intitula-se «Screenwriter's Blues» e é uma absoluta delícia. Enjoy, que nos próximos dias haverá mais.

[O ficheiro esteve disponível nas 48h seguintes à publicação do post.]

SCREENWRITER'S BLUES (M. Doughty, 1994)

Exits to freeways twisted like knots on the fingers. Jewels cleaving skin between... breasts.

Your Cadillac breathes four hundred horses over blue lines. You are going to Reseda to make love to a model from Ohio, whose real name you don't know. You spin like the Cadillac was overturning down a cliff on television. And the radio is on and the radioman is speaking and the radioman says:

«Women were a curse, so men built Paramount studios... and men built Columbia studios... and men built Los Angeles. It is 5 am and you are listening to Los Angeles.»

And the radioman says: «It is a beautiful night out there!»
And the radioman says: «Rock and Roll lives!»
And the radioman says: «It is a beautiful night out there in Los Angeles. You live in Los Angeles and you are going to Reseda. We are all in some way or another going to Reseda someday to die.»

(And the radioman laughs because the radioman fucks a model too.)

Gone savage for teenagers with automatic weapons and boundless love. Gone savage for teenagers who are aesthetically pleasing (in other words: fly). Los Angeles beckons the teenagers to come to her on buses. Los Angeles loves love.

«It is 5 am and you are listening to Los Angeles.»

I am going to Los Angeles to build a screenplay about lovers who murder each other. I am going to Los Angeles to see my own name on a screen, five feet long and luminous. As the radioman says:

«It is 5 am and the sun has charred the other side of the world and come back to us and painted the smoke over our heads an imperial violet. It is 5 am and you are listening to Los Angeles.»

«It is 5 am and you are listening to Los Angeles.»

«You are listening.»

Publicado por João Pedro da Costa às junho 28, 2005 06:21 PM

Comentários

Logo, quando chegar a casa, a primeira coisa que faço é ouvir este disco.
Não há por aí um milionário que queira financiar uma rádio sem fins lucrativos?

Publicado por: Fred em junho 28, 2005 06:37 PM

Não conhecia mas fiquei cliente!

Saudosa XFM...

Publicado por: Rodrigues Cunha em junho 28, 2005 06:37 PM

Fred: :)

RC: ainda bem. O tema é mesmo do caralhão, não é?

Publicado por: João Pedro da Costa em junho 28, 2005 06:41 PM

Não conhecia, aguardo a continuação...

(the radioman laughs(...) está o máximo... e os lissss-tenin' finais também. Manda mais!)

Publicado por: Andy em junho 28, 2005 06:55 PM

E depois há aquele contrabaixo... Genial.

Publicado por: Pedro em junho 28, 2005 08:07 PM

Isso é controverso, Pedro.

Publicado por: Fred em junho 28, 2005 08:17 PM

É um grande álbum este, fartei-me de amalucar com isto no verão de 95...

...yellow n 5...voulez-vous the bus? :)

Publicado por: vanus em junho 28, 2005 09:23 PM

Fred: não percebi a piada. Ora lê outra vez o comentário do Pedro (LOL).

Vanus: ADORO essa canção (Beelzebub).

Publicado por: Pedro em junho 28, 2005 09:41 PM

I am Lisss ning.

Publicado por: susana em junho 28, 2005 10:55 PM

LOL. Ouvi agora pela segunda vez enquanto lia a letra. Estava a ouvir o fim quando pus o comentário e vejo agora que o Andy também falou do lisss ning.
Gostei imenso, também não conhecia.

Publicado por: susana em junho 28, 2005 10:59 PM

(Saskatoon is in the room)

Pedro, corrijo: isso é contraverso.

Publicado por: Fred em junho 29, 2005 12:20 AM

fred is in the shed.

Publicado por: susana em junho 29, 2005 12:27 AM

Fred should be in bed instead.

Publicado por: Fred em junho 29, 2005 02:00 AM

:-)

Publicado por: susana em junho 29, 2005 03:17 AM

Acrescento, o tema E a letra são do caralhão. A letra é uma delícia. Pronto, fiquei cliente, vou investigar a obra deles! Tem de ser!

Publicado por: batatas em junho 29, 2005 10:58 PM