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julho 13, 2005

Daniel Jonas

danieljonas.jpg

O Corpo Está Com o Rei (AEFLUP, 1997)
Moça Formosa, Lençóis de Veludo (Cadernos do Campo Alegre, 2002)
Os Fantasmas Inquilinos (Cotovia, 2005)


Ontem, a blogosfera proporcionou-me o maior momento de alegria em quase um ano de leituras. Estava eu a navegar neste magnífico blog, quando leio a seguinte entrada escrita por Osvaldo M. Silvestre:

«Será Daniel Jonas a maior revelação da poesia portuguesa na década que corre? Por mim, não vejo quem lhe possa retirar por agora esse título.»

Ok, sou um bocadinho suspeito: sou amigo do Daniel há quase dez anos, publicámos os nossos primeiros livros ao mesmo tempo e na mesma editora, e desde o primeiro minuto que sou um fã incondicional da sua escrita. Mas o texto do Osvaldo M. Silvestre representa, pelo menos para mim, enquanto leitor compulsivo da obra do Daniel, um momento importantíssimo: o primeiro em que alguém exprime, por escrito, um deslumbramento que me é extremamente familiar: o da leitura dos seus poemas. Tenho a certeza que se seguirão muitos mais.

Devido à minha condição priveligiada, é óbvio que, para mim, o Daniel Jonas será, em 2005, tudo menos uma revelação, mas uma absoluta certeza. Em 1997, por exemplo, no livro O CORPO ESTÁ COM O REI, já se podia ler esta arrebatadora arte poética:

dja.jpg


ou uma reinvenção da «coita de amor» da lírica trovadoresca numa cantiga de contribuinte, na qual o vocabulário retirado no Modelo 2 do IRS ganha uma nada previsível conotação sexual:

djb.jpg


Num percurso sempre ascendente, MOÇA FORMOSA, LENÇÓIS DE VELUDO, de 2002, mostra um Daniel ainda mais mestre da sua sintaxe e extremamente consciente de que a verdadeira questão por detrás do lirismo, não é a do «eu», mas a do desejo:

djc.jpg


Quanto ao seu último livro, OS FANTASMAS INQUILINOS, editado há poucas semanas, deixo a pessoas imensamente mais capazes como Osvaldo M. Silvestre, a tarefa de sobre ele escreverem. Apenas vos digo que encontro lá, em cada nova leitura, alguns dos mais belos poemas que já li na minha vida. O menor deles não será, com certeza, este que vos deixo de seguida e em que me parece que o Daniel terá resolvido, como em nenhum outro poema seu, o problema árduo da respiração na poesia:

djd.jpg


Os livros estão aí à venda. Vocês estão à espera de quê?

Publicado por João Pedro da Costa às julho 13, 2005 06:13 PM

Comentários

Já andava para te perguntar o nome do homem (a minha filha não me deixou ouvir no dia). Já sabia que lia bem os teus textos, mas gostei do que li, pela primeira vez não exageraste ;-)

Publicado por: Jorge Morais em julho 13, 2005 08:10 PM

Erm... encontrei finalmente um livro dele e peguei-lhe e...

João, meu, traz o Daniel cá abaixo ao lançamento, ele é um espectáculo a ler!

Publicado por: Paulo em julho 13, 2005 08:39 PM

A Mi falou-me das leituras dele, suscitando garnde curiosidade. Só te posso dizer que agora essa curiosidade ficou grandemente ampliada. (vou procurar os livros)

Publicado por: susana em julho 13, 2005 09:23 PM

Paulo: o Daniel viaja amanhã comigo. :)

Publicado por: João Pedro da Costa em julho 13, 2005 09:25 PM

Muito Bom!

A cadência lírica é fantástica. Mas é pena que o texto esteja todo na superfície e não se possa ler mais. Isto não indica superficialidade mas a verdade é que a poesia dá mais.

Para dar um exemplo, tomemos uma linha de Thom Gunn:

"O mundo do faroleiro é redondo."

Aqui, para lá da verdade poética da superfície, há a ideia do círculo que se repete 3 vezes em quase tantas palavras, e o leitor amplifica intelectualmente o sentido literal e pode-se ler concentricamente muito mais palavras do que aquelas que foram escritas.

Cumprimentos.

Publicado por: v em julho 14, 2005 03:34 AM

Onde se lê "pode-se ler" leia-se "pode ler-se".

Por que razão têm os portugueses reflexos no fim quando a coisa dá no instinto?

Vá-se lá-se saber-se... Dizia Wittgenstein: "Sobre aquilo que não podemos falar devemos passar em silêncio".

Publicado por: v - errata em julho 14, 2005 03:54 AM

Lamento, mas não chamo a isto poesia. O Jonas pagou as publicações a meias com a editora?

Publicado por: Rata Zinger em julho 14, 2005 05:01 PM

Não estou à espera de nada, JP. Há autores incomparáveis na Cotovia, mas isto... Sinceramente...

Publicado por: Rata Zinger em julho 14, 2005 06:22 PM


Nãnãnã.
A poeta revelação do séc.XXI,
a nossa Alberto Caeiro de saias,
é a quase famosa "Encandescente"!

FAvor conferir:
http://eroticidades.blogspot.com

Publicado por: BlahBlahBlah em julho 15, 2005 03:00 AM

A Cotovia só tem homens no catálogo. Já repararam? Mulheres? Algumas, e estão com sorte, coitadas! O favor que se lhes fez...

Publicado por: Rata Zinger em julho 15, 2005 01:05 PM

Ó Rata,

Está na altura de deixar esses sexismos de lado. A literatura começa depois da política e das ideologias. Antes é tudo panfleto.

Publicado por: v em julho 15, 2005 03:47 PM

O sexismo existe. E quando a literatura começa por aí é porque não presta. A prova é que se publicam machos incompetentes com falta de alguma coisa, mas eles acham que são escritores de calibre. É deixá-los sonhar.

Publicado por: Rata Zinger em julho 15, 2005 04:33 PM

Isto sim, é poesia, basta lê-lo em voz alta para o saber.

Publicado por: vanus em julho 16, 2005 12:49 AM

surpreendente. um achado. urgente divulgá-lo mais.

Publicado por: jose quintas em julho 16, 2005 10:28 AM

rata zinger -> poeta frustrada

Publicado por: pepsi em julho 16, 2005 11:23 AM

Não é poesia. Isto ou é pago a meias ou com outra coisa. E é só homens na editora. Apreciam mesmo homens... O mundo editorial é um mundo restrito para incompetentes e homens que gostam de homens. Isto é que são mesmo HOMENS. Parabéns pela publicação. Poesia, sim, equiparo isto a uma Sophia de Mello ou a um Eugénio de Andrade. É fantástico! Ou até fico com arrepios quando leio estes poemas! O poema penetra-me por completo e acho que é pelas traseiras...

Publicado por: Rata Zinger em julho 16, 2005 01:47 PM

Poeta? Desde quando é que sou poeta, garrafa Pepsi? Sabes, Pepsi, o tempo dirá o que essas merdas valem. Quando tiveres 80 anos, vem ter comigo. Até me vais graxar as sapatas.

Publicado por: Rata Zinger em julho 16, 2005 01:54 PM

Estou com a Rata Zinger - é o tempo que faz os poetas e os escritores, não o que círculos querem. Dispenso-me de comentar os poemas aqui expostos porque me falta calibre para tal ( e sensibilidade: para ser sincero nada me dizem, mas é apenas uma questão de gosto pessoal), mas proponho um nome para poeta do século XX: Florbela Espanca e um para o séc XIX: Antero de Quental. Daqui a cinquenta anos, quem for vivo, verá qual o impacto deste Daniel Jonas, mas aposto que ainda ouvirá falar de Antero e de Florbela.

Publicado por: João Nobre em julho 16, 2005 02:41 PM

Se tivesses logo dito porque é que ele era um dos grandes "vultos" da poesia contemporânea quando o envergonhaste lá na esplanada a malta tinha ido logo a correr comprar o livro...Assim, não perdes pela demora!
Surpreendente, a poesia do Daniel. Para além de ser um espanto a forma como leu os textos das Ruinas.

Publicado por: Mar em julho 16, 2005 04:18 PM

Se as crianças me perguntarem o que quero, não digo.

Publicado por: Fred em julho 17, 2005 11:03 PM

:D

Publicado por: João Pedro da Costa em julho 18, 2005 07:18 PM

Não te importas que eu copie a "declaração de rendimentos para publicar no meu blog? (É que tem tudo a ver)

Publicado por: facturinha em julho 19, 2005 07:15 AM

Claro que não, esses poemas já não são do Daniel: são de quem os ler.

Publicado por: João Pedro da Costa em julho 19, 2005 03:03 PM

Se as crianças me perguntarem o que quero, respondo "Um copo de leite fresco e uma sandes de fiambre com manteiga. E é já!"

Publicado por: Mi em julho 19, 2005 11:33 PM

Estão sempre com perguntas!

Publicado por: Fred em julho 21, 2005 12:59 AM

Mi: LOL

As crianças não perguntam. Exigem.

«Se as crianças me exigirem alguma coisa, digo-lhes para irem ter com os seus progenitores.»

Publicado por: João Pedro da Costa em julho 22, 2005 04:32 PM

Muito sinceramente, não achei os poemas assim nada de especial. A ideia do poema Declaração de Rendimentos é engraçada mas não deixa de ser um bocadinho "a fórmula" que se pode aplicar a muita coisa e criar uma coisa engraçada. Dou razão a essa RATA ZINGER na apreciação que faz dos poemas. Quanto ao sexismo, mesmo que ele exista, que é que isso importa? Tu não tens que comprar os livros deles, e o que é mesmo bom acaba sempre por ser descoberto; nem que seja depois do autor já ter marado, não é? Se eles se masturbam uns aos outros (o que porventura nem sempre acontecerá) melhor para eles... a literatura, como dizia é o V, vem depois, ou está além, desse ruído todo. Digo eu!

Publicado por: Bartleby em julho 23, 2005 12:01 PM

Sobre a «Declaração de Rendimentos», Barteby, estás redondamente enganado: não se trata da aplicação de uma fórmula, mas de um trabalho minucioso sobre cada uma dos topoi que caracterizam a produção da primeira geração de trovadores galego-portugueses. Está lá tudo, numa trabalho glorioso de polissemia.

Publicado por: João Pedro da Costa em julho 24, 2005 02:42 PM

...de onde veio esta mensagem desportiva!!! Até para americano, é non-sense absoluto, não!

Acredito que sim João Pedro da Costa... na minha modesta opinião até lhe posso reconhecer o valor por isso. Agora, a mim soa-me a "fórmula" que se pode aplicar ao que quer que seja. Depois, claro, podes gostar ou não da "fórmula"... por mim, é uma coisa que não me diz muito... sinceramente! Mas também não vem mal ao mundo por causa disso, não é?!

Publicado por: Bartleby em julho 26, 2005 11:27 AM

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Publicado por: Debt Consolidation em agosto 24, 2005 09:05 AM