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julho 22, 2005
Listening Sessions #27 (I guess we'll just have to adjust)

Eu, o Rei dos Palermas, me confesso: apesar de um comentador d'As Ruínas me ter alertado para o álbum há alguns meses atrás e das considerações entusiásticas do Fred, o Príncipe dos Palermas, a verdade é que só esta semana adquiri esta absoluta maravilha que é FUNERAL (2005) dos Arcade Fire.
O centro nevrálgico-criativo dos Arcade Fire é bilingue: os canadianos Win Butler e Régine Chassagne formam a banda com mais quatro elementos em 2003. Algures entre o final da gravação do primeiro EP e o início da deste primeiro disco, os dois casam-se («partially due to the intense heat», como vem referido no belíssimo desdobrável do disco). Nos meses seguintes, ao longo de quase um ano de gravações, 9 (repito: nove) pessoas pertencentes ao círculo familiar dos seis elementos da banda acabam por morrer. Como é óbvio, essas perdas acabariam por se reflectir na composição e na gravação das canções do disco, sendo, de resto, essa influência imediatamente identificável no próprio título.
O incrível, contudo, é que, longe de estarmos perante um trabalho depressivo e obscuro, o disco de estreia dos Arcade Fire é um autêntico manifesto de criatividade, cheio de energia positiva. Mais: não obstante os arranjos orquestrais que pululam aqui e ali, estamos sobretudo na presença de um álbum rock, cheio de guitarras eléctricas, iluminado por uma secção rítmica irrepreensível e por uma voz absolutamente inacreditável, algures entre um David Byrne histérico e um Peter Gabriel embebido em LSD. Definir o espectro musical dos Arcade Fire torna-se um exercíco prolixo: poderia falar da ironia dos dois primeiros álbuns dos Tindersticks, da aura decadente da fase berlinense de David Bowie e Brian Eno, do romantismo sofisticado dos Roxy Music, ou mesmo da euforia psicadélica dos já referidos Talking Heads - contudo, no meu imaginário musical, o disco deste grupo canadiano vem ocupar um lugar preciso junto a um conjunto de álbuns que, nos últimos anos, elevaram o rock do novo continente para patamares inauditos. Se forem, como eu, fãs devotos de discos como DESERTER'S SONGS (1998) dos Mercury Rev, de THE SOFT BULLETIN (1999) dos Flaming Lips ou de IT'S A WONDERFUL LIFE (2001) dos Sparklehorse, podem adicionar mais um disco à vossa lista: este belíssimo FUNERAL (2005) dos Arcade Fire.
Escolher um tema do disco para colocar neste post é a coisa mais fácil do mundo: é só fechar os olhos e escolher à sorte. O acaso ditou este «Wake Up», talvez a canção mais «Flaming Lips» do disco, uma autêntica desbunda sónica e psicadélica, com harpas, piano, violinos, harmonias vocais, mudanças de «tempo» e, porque de rock estamos a falar, um riff de guitarra de primeiríssima água. Uma absoluta delícia.
Pois é. Ia agora escrever que este é o disco do ano, mas não o faço. Nunca fui muito dado a eufemismos.
WAKE UP (Arcade Fire, 2005)
Something filled up
My heart with nothing
Someone told me not to cry
Now that I'm older
My heart's colder
And I can see that it's a lie
Children, wake up
Hold your mistake up
Before they turn the summer into dust
If the children don't grow up
Our bodies get bigger but our hearts get torn up
We're just a million little god's causin rain storms turning every good thing to rust
(I guess we'll just have to adjust)
With my lightning bolts a glowing
I can see where I am going to be
When the reaper he reaches and touches my hand
Better look out below!
Publicado por João Pedro da Costa às julho 22, 2005 03:40 PM
Comentários
Se fiz alguma consideração entusiástica sobre o que quer que seja, penitencio-me. :-)
Publicado por: Fred em julho 22, 2005 03:38 PM
São 10 padres-vossos e 20 olé-marias, Fred.
Publicado por: João Pedro da Costa em julho 22, 2005 03:55 PM
I guess I'll just have to adjust.
Publicado por: Fred em julho 22, 2005 04:02 PM
...adjuuuuuuuuuuuuuuuuuussssssst oooooooooohhhhh
Publicado por: João Pedro da Costa em julho 22, 2005 04:05 PM
É um grande álbum, eu conheci-os no início deste ano, em conjunto com os dog die in hot cars, mas isso são as vantagens do soulseek e as desvantagens de não ter capas nem livrinhos :)
Publicado por: vanus em julho 22, 2005 07:07 PM
Mau, mau, então um tipo distrai-se e perde logo o título de Palerma Supremo!?!
Vocês são uma cambada de arrivistas.
Publicado por: PN em julho 22, 2005 08:17 PM
Não perdeste nada, seu Palerma Superior.
Vanus: mau mau. Quem são esses Dog Die In Hot Cars???
Publicado por: João Pedro da Costa em julho 22, 2005 09:55 PM
Muito fixe. (hehe, a vanus já te apanhou desprevenido)
Publicado por: susana em julho 23, 2005 12:50 AM
São uns escosseses que se lançaram o ano passado com um álbum que se chama please describe yourself, têm um som semelhante aos dexy's e fazem lembrar um pouco big country talvez, muitos metais, muito ritmo, muitas vozes harmónicas, mas também são muito pop e um pouco mainstream, não têm nada a ver com arcade fire, são muito coloridos e heterogéneos nas músicas, mas foram as minhas duas paixões durante os primeiros meses do ano, dadas a conhecer por um americano meio maluco que me costuma entrar pelo soulseek dentro :)
Eles ficaram mais conhecidos porque um deles foi eletrocutado em palco, acho eu, e ficou todo queimado nas mãos.
Não sei se gostarás, eu gosto de música muito diferente.
Publicado por: vanus em julho 23, 2005 01:19 AM
lol, Susana, olha que deve ser uma vez única :)
Publicado por: vanus em julho 23, 2005 01:23 AM
Já que estás com pruridos estilísticos, digo-o eu: este é o disco do ano! :)
Publicado por: cap em julho 23, 2005 02:46 AM
JP,
devias ouvir mais o Fred... :-)
Publicado por: Jorge Morais em julho 23, 2005 12:44 PM
Uma pequena correcção, a obra é de 2004 e está provado cientificamente que a música dos Arcade of Fire nada tem a ver com as mortes, pelo contrário é bem capaz de ressuscitar (nota: não a tocar perto de cemitérios).
Publicado por: Contrabandista X em julho 23, 2005 04:13 PM
O copyright é de 2004, mas foi editado em 2005.
Publicado por: João Pedro da Costa em julho 23, 2005 08:51 PM
Sim, João Pedro porque o álbum saiu em 2004 na América do Norte e só em 2005 saiu na Europa.
Publicado por: vanus em julho 23, 2005 09:48 PM
Não
Publicado por: Mi em julho 23, 2005 11:19 PM
Ou isso. :)
Publicado por: João Pedro da Costa em julho 23, 2005 11:43 PM
Afinal já tinham deitado alguma areia em cima do "não".
Publicado por: susana em julho 23, 2005 11:51 PM
Aleluia!
Mais um conselho de borla, caso não conheças:
Neutral Milk Hotel - In the Aeroplane Over the Sea
Publicado por: guybrush em julho 24, 2005 10:22 AM
Eu sou o blogger mais sortudo do mundo, com comentadores tão genorosos. Neutral Milk Hotel - o nome da banda promete... Obrigado, Guybrush, vou já já investigar.
Publicado por: João Pedro da Costa em julho 24, 2005 02:40 PM
Deve ser um belo disquito sem dUvida - ainda sO conheCo o Single muito bom - mas este comment E para dar os ParabEns pelo livro ruinoso que li nAO na cidade do Borges, mas na do velho Franz entre duas ou mais paragens de Metro e de TRAM. Desculpem a falta de acentos, mas neste teclado nem sequer figuram os acentos Checos. By the way, visitem o brolque mais non-sense da Berlogosfera, o do meu maninho...
Publicado por: TZL em julho 24, 2005 03:33 PM
O meu livrinho já anda pela Checa? Caramba, TZL, muito obrigado pelo gentil comentário. Quanto ao disco dos Arcade Fire, manda-me a tua morada que terei todo o gosto em enviar-te uma cópia.
Publicado por: João Pedro da Costa em julho 24, 2005 03:39 PM
ESte álbum não é grande, é realmente enorme!!!!
Publicado por: Rui Ribeiro em agosto 4, 2005 01:08 AM
funeral sublime. extraordinário.
cumprimentos.
Publicado por: fdv em agosto 20, 2005 07:59 PM