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fevereiro 17, 2006
Terry Callier

Se há algo que sempre caracterizou os álbuns dos Massive Attack (para além de serem uma moca, é claro), é o gabarito dos vocalistas que eles convidam para participar nas suas tripes. Contudo, depois de Shara Nelson, Tony Brian, Nicolette, Tracey Horn, Elizabeth Fraser, Sara Jay e Sinead O'Connor (isto já para não falar de Horance Andy ou de Tricky), a banda de Bristol conseguiu ser ainda mais caprichosa e convidar Terry Callier para cantar o seu novo single «Live With Me», que serve de cartão de visitas à antologia que será editada em Março. O tema é magnífico (um regresso óbvio às sonoridades de BLUE LINES) e conta com um teledisco que é uma absoluta maravilha e que marca o fim de um hiato de seis anos de Jonathan Glazer nessa coisa bem gira que são os vídeos musicais (caso não saibam, esse rapaz é também o responsável por um dos melhores anúncios publicitários que vi na minha vida - o incontornável Levi's Odissey).
Dito assim, até parece que eu já sabia quem era o Terry Callier. Mentira. Apenas tinha ouvido falar dele vagamente, sobretudo devido ao facto de a sua voz ter sido samplada num single dos UNKLE (o muito recomendável «Be There», cantado por Ian Brown) e de ele ter participado, há alguns anos, num EP da Beth Orthon que, por acaso, nunca cheguei sequer a ouvir. Resolvi então perguntar a um amigo quem ele era e, tava-ve mesmo a ver, levei o maior sermão da minha vida. Que Terry Callier era um absoluto génio, o primeiro compositor na história da música a testar, com sucesso, uma fusão entre o folk e o jazz, que a sua voz era uma autêntica referência na música soul e R&B, que era uma espécie de versão negra de Van Morrison colheita ASTRAL WEEKS, que, apesar de ter estado quase 30 anos sem editar nenhum disco, os seus trabalhos da década de 60 e 70, mais os três que tinha lançado recentemente aquando da sua «redescoberta» no final da década de 90, o colocavam em primeiro lugar num pódio onde ele teria Marvin Gaye à sua esquerda e Curtis Mayfield à sua direita. Enfim: às vezes, mais vale um gajo estar calado.
Ou talvez não. Ontem, como não poderia deixar de ser, entrei numa loja de discos e procurei, sem grandes esperanças, por um disco de Terry Callier («Como? Não conhece o Terry Callier? Puxa, parece impossível. Então você trabalha numa loja de discos e não sabe quem é blá blá blá...»). Para grande surpresa minha, havia um exemplar de FIRST LIGHT, um disco editado em 1998 que trazia pela primeira vez as demos que ele tinha gravado no final da década de 60 em Chicago.
Custa acreditar que os nove originais presentes em FIRST LIGHT estiveram quase trinta anos na gaveta. São nove obras-primas absolutas de um género híbrido que, sinceramente, me surje como uma espécie de manual enciclopédico que veio iluminar uma das áreas que menos conheço da música pop. E como calculo que o single dos Massive Attack vai trazer imenso hype em torno do senhor, resolvi antecipar-me e deixar o html das Ruínas a marinar ao som de «Lean On Me». Preparem-se para o primeiro de muitos estalos, que eu já encomendei todos os restantes discos.
[O belíssimo ficheiro esteve disponível nas 48 horas seguintes à publicação do post. And it was great when it did.]
LEAN ON ME (Terry Callier, 1970)
You've seen sad times (your eyes have told me so)
Blue and bad times, you think that I don't know
But there'll be glad times, just you wait and see
Girl, I’ll be your sunrise if you lean on me
Now, I imagine I could comfort you
I’d forgotten the things that you've been through
But here’s one thing on which we can agree
When you're ready, darling, you can lean on me
And the love I bring will grow into a lasting thing
Little, put your heart on wings and set you free
And as you rise I hang into the clearing skies
And maybe you will realize you can always lean on me
All your heartaches are hidden deep inside
So there's no telling how many tears you've cried
But like the river to the weeping willow tree
I can hold your teardrops if you lean on me
Sweet lovin’ care and girl I’ll find the strength I swear
And when you need me I’ll be there - if you let it be
Til time is done and til the longest races run
Right on til the kingdom come, you can always lean on me
Publicado por João Pedro da Costa às fevereiro 17, 2006 01:50 PM
Comentários
Belo trabalho de casa & Bela banda sonora para a minha movimentação. Gracias!
Publicado por: racf em fevereiro 17, 2006 02:24 PM
De nada, amigo. Mi casa su casa.
Publicado por: João Pedro da Costa em fevereiro 17, 2006 03:15 PM
Quando ouvi a música dos Massive Attack fiquei curioso acerca do vocalista. És bruxo.
Publicado por: Fred em fevereiro 18, 2006 03:21 AM
[Comentário apagado como quem apanha figos numa tarde quente de Verão. JPC]
Publicado por: Brigada Bigornas em fevereiro 18, 2006 10:21 AM
e eu fiquei curiosa relativamente ao disco dos massive attack, quando ouvi o terry callier.
(bigornas, estás cada vez mais sexy.)
Publicado por: susana em fevereiro 18, 2006 02:59 PM
Right on!
Sobretudo a última estrofe, que é uma grande malha (as usual JP). :)
Publicado por: cap em fevereiro 18, 2006 06:59 PM
Obrigada pela sugestão. Gostei muito.
Publicado por: devilspit em fevereiro 18, 2006 08:06 PM
pá...tambem ando maravilhada com este senhor, por acaso já o conhecia do album: juke joit dos boozoo bajou, ordinary joe, linda! de qq forma depois deste fantastico live with me, tou a "recolher" todo o material dele.
http://www.boozoobajou.com/music/mp3player_jj.html
Publicado por: rosa em março 31, 2006 02:30 PM
http://www.mrbongo.com/fileadmin/soundclips/Alive_01_ordinary_joe_-48khz.mp3
Publicado por: rosa em março 31, 2006 02:42 PM
Publicado por: lfeixlejr5 em fevereiro 14, 2007 05:07 AM
[url=http://hometown.aol.com/woman208009907/midget-sex-films.htm]midget sex films[/url]
Publicado por: htr6lscxph em fevereiro 21, 2007 05:13 PM