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setembro 20, 2006
Post-War(d)

Só mesmo este rapaz para me fazer voltar a estas ruínas: o grande, único e incomparável M. Ward acaba outra vez de mimar o mundo com um novo álbum intitulado POST-WAR. Num momento em que andava a ter um ataque Bob Dylaniano (pelos vistos, não sou o único), ouvir este novo disco (que não é nem melhor nem pior que o resto da sua discografia - é mais uma obra-prima, ponto final) levou-me a reparar nas imensas semelhanças entre as suas canções e as do autor de «Tangled Up In Blue» - sobretudo às do período BRINGING IT ALL BACK HOME / HIGHWAY 61 REVISITED / BLONDE ON BLONDE, esses quinze magníficos meses em que Bob Dylan mudou para sempre a história da música. A única novidade relevante desse novo álbum é o facto de Ward ter agora uma banda a acompanhá-lo (até nisto a analogia é pertinente) e das suas canções (ó heresia!) terem um cunho ligeiramente mais pop. O cabrão do disco começa assim:
e depois, como se isso não bastasse, atira-nos com esta
magnífca versão de um original de Daniel Johnston (isso mesmo, o maluquinho dos desenhos a caneta de filtro). O resto do álbum continua neste tom de impune genialidade, mas não resisto a destacar o single de apresentação intitulado «Chinese Translation», cuja letra é um belíssimo nó cego (bem visível nas citações de segundo grau) que me faz lembrar os textos apócrifos dos autores orientais que o Borges gostava tanto de «citar»:
CHINESE TRANSLATION (M. Ward, 2006)
I sailed a wild wild sea, climbed up a tall tall mountain
I met a old old man beneath a weeping willow tree
He said: ««Now if you got some questions go and lay them at my feet
But my time here is brief, so you'll have to pick just three»
And I said: «What do you do with the pieces of a broken heart?
And how can a man like me remain in the light?
And if life is really as short as they say, then why is the night so long?»
And then the sun went down and he sang for me this song:
«See I once was a young fool like you afraid to do the things that I knew I'd to do
So I played an escapade just like you, I played an escapade just like you
I sailed a wild wild sea climbed up a tall tall mountain
I met an old old man he sat beneath a sapling tree
He said: «Now if you got some questions go and lay them at my feet
but my time here is brief so you'll have to pick just three»
And I said: «What do you do with the pieces of a broken heart?
And how can a man like me remain in the light?
And if life is really as short as they say, then why is the night so long?»
And then the sun went down and he sang for me this song...»
Ah, já agora, também há um belíssimo teledisco e tudo. Cortesia da 4AD:
Vocês estão à espera de quê para comprar aquele que é, de longe, o melhor álbum do ano? (Ou pelo menos até ouvir o novo dos Sparklehorse com o dedinho do Danger Mouse...)
Publicado por João Pedro da Costa às setembro 20, 2006 01:13 PM
Comentários
ena. vou já comentar! e a seguir vou ler o post. : )
Publicado por: susana em setembro 20, 2006 06:07 PM
First things first.
Publicado por: João Pedro da Costa em setembro 20, 2006 06:45 PM
Regresso em grande. A letra de "Chinese Translation" é de facto genial. É bom continuamos a ter as mesmas dúvidas de sempre.
Publicado por: Contrabandista X em setembro 21, 2006 12:14 PM
João,a ausência explica-se com uma subida à montamha?
Publicado por: Contrabandista X em setembro 21, 2006 01:21 PM
Olá Contrabandista X: que bom ver-te por aqui! (essas exclamações são sempre deliciosamente parvas, não é?). A minha ausência deve-se mais com coisas mais prosaicas como preguiça e falta de tempo. Mas é sempre bom voltar (bom título para um faduncho).
Publicado por: João Pedro da Costa em setembro 21, 2006 11:00 PM
Enacuncamandro, esta merda está a funcionar!
Publicado por: Fred em setembro 22, 2006 01:08 AM
Estou a fazer uma coisa muito gira, que é pôr todas as canções a tocar ao mesmo tempo. O gajo é um génio! A harmonia!
Já volto.
Publicado por: Fred em setembro 22, 2006 01:11 AM
Gostei da Chinese Translation. Deve ser porque tinha imagens.
(Essa cena do Bob Dylan. Eu tento gostar do gajo, a sério, mas só consigo gostar de três ou quatro canções. Gostei muito do documentário do Scorsese.)
Publicado por: Fred em setembro 22, 2006 01:20 AM
Fred, se não me engano, essa de misturar músicas é da autoria dos Flaming Lips. Mas o rapaz não deixa de ter mérito.
Publicado por: Contrabandista X em setembro 22, 2006 06:16 AM
:)
O melhor disco do ano... versão de Setembro, hein!?
Ainda acho melhor a do élicoprico.
Publicado por: cap em setembro 22, 2006 10:16 PM
Há um ditado Chinês que diz que quando alguém não tem nada para dizer, normalmente cita um ditado Chinês.
[... ou, descomplicando, este Chinese Translation é delicioso: letra, vídeo e música!]
Abraço
Publicado por: Carriço em setembro 23, 2006 12:49 PM
Fred: gostar do Bob Dylan, confesso, não tão fácil como gostar de ti, mas com um pouco de atenção, consegues.
Carriço: é mesmo este o espírito da coisa.
Publicado por: João Pedro da Costa em setembro 23, 2006 07:08 PM
Bons olhos te vejam pá!
Publicado por: Luis Oliveira em outubro 3, 2006 12:21 PM
Olá, blz?
Estou te escrevendo, por que vi o seu blog site e achei muito bom.
Meu nome é Caio Dubfones e eu represento um grupo do Guarujá (SP) chamado Radiola Santa Rosa e lançamos em 2005 o nosso primeiro disco chamado "Disqueria". Hip Hop psicodélico e lo-fi feito com colagens de vinil de um real, softwares, equipamentos velhos e rimas que falam do auto-conhecimento através da arte, buscando a modernidade através dos climas tropicais setentistas e sessentistas.
E acabamos de lançar o Duberia, a versão dub do nosso primeiro disco.
Se quiser conferir entre em:
www.radiolasantarosa.com.br
www.myspace.com/radiolasantarosa
Da pra ver o clipe de Zoro, trechos de shows, ouvir trechos de todas as músicas, pegar 2 remixes e ler algumas matérias e os releases do disco e da banda.
Aguardo respostas
Caio Dubfones
caio@radiolasantarosa.com.br
Paz
Publicado por: caio dubfones em outubro 7, 2006 05:57 PM
Venho aqui por causa do dever de reciprocidade e essas merdas, pois quero é que tu te fodas.
Pra já tás completamente demodé. A comentar o Charquinho, meu? Onde é que tens andado? O Charquinho? Mas alguém comenta aquela merda, seu palhaço? Ainda por cima tens responsabilidades acrescidas por teres sido em tempos o melhor blogger que esta cena conheceu, tens de dar o exemplo...
E aqui? Só música e o caralho... Posta de mês a mês... Desaprendeste de escrever, foi? Seu moinas sem vergonha, até a merda do livro dele comprei e agora népia, armado em doutor e o caralho.
Tou fodido contigo e ainda não tive oportunidade de te dizer porquê. Mas é cagativo, porque tu sabes que eu sou um homem fácil de ficar fodido com e pelos outros/as.
E pronto, já cumpri as regras da etiqueta e comentei.
Agora vai-te foder ou assim...
(Um beijo nessa boca, paneleiro, que eu agora tou contigo numa relação de amor-ódio que é uma cena assim intensa e dá excelente material para novelas mexicanas e para uma chamadinha telefónica de vez em quando.)
Teu amigo que tem imensas saudades tuas mas já tá desertinho pra te ver pelas costas.
Sharkinho
(Tenho um nick muita foleiro, não é? Podia usar Pedro Alves dos Santos ou assim um que desse mais pala. Como o teu, que toda a gente julga ser o nome próprio mas eu sei que tu és o Rui Reininho. A cantar Roberto Carlos... palhaço...)
Publicado por: sharkinho em outubro 12, 2006 03:00 PM
Adenda:
E se metesses o dedinho do danger mouse no cuzinho da tua inspiration (new) house e debitasses assim uma posta sem fumfum nem gaitinhas? Um gajo anda aqui à mama do trabalho de borla dos outros e tu trálálá, trálálá...
(Já não posso dizer mais, porque disse mais asneiredo neste coment do que em seis meses a blogar. E eu não sou tripeiro, uso a língua como deve ser.)
Publicado por: sharkinho em outubro 12, 2006 03:12 PM