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março 30, 2009

Miam

beyy.jpg Já cá canta «Beyond Here Lies Nothin'», o primeiro single e tema de abertura de TOGETHER THROUGH LIFE, o novo álbum de Dylan. E que dizer? Imenso que a alma é fraca e a carne pequena. Esta autêntica maravilha é um surpreendente tema dançável, latino qb, com um acordeão que classificaria de surpreendente, sopros cheios de groove e uma guitarrinha que é black, magic e woman até ao tutano. Como se o Tom Waits cantasse rimas infantis (um género caro ao bardo) por cima de um tema dos Fleetwood Mac. Down every street there's a window / And every window's made of glass / We'll keep on lovin' pretty baby / For as long as love will last. Do caralhão. Dia 28 de Abril há mais. Até lá, há que treinar o cha-cha-cha.

Publicado por João Pedro da Costa às 02:27 PM | Comentários (7)

março 24, 2009

Ponto Negro #28

Não é por nada,mas o #27 era um dos meus favoritos da série.

Publicado por João Pedro da Costa às 08:27 PM | Comentários (2)

março 23, 2009

Duas em uma

Eis as duas mulheres que mais venero no universo pop-rock (e talvez não será por acaso que ambas têm capitulares a vaguear pelos respectivos nomes): PJ Harvey e Karen O. E ambas têm dois discos novos com respectivos singles. A Pijuka, novamente em parceria com o sempre mui recomendável John Parish, a Karen, com os seus Yeah Yeah Yeahs. Duas grandes grandes canções. A primeira soa a Sonic Youth até ao tutano e a segunda tem elementos electrónicos que acrescentam uma saudável frescura ao som do trio nova-iorquino. Escusado será dizer que, em ambos os vídeos, são elas que partem a loiça.


Publicado por João Pedro da Costa às 09:50 PM | Comentários (1)

março 22, 2009

Ponto Negro #27

Os ratos ópticos são uma merda.

Publicado por João Pedro da Costa às 08:33 PM | Comentários (2)

março 21, 2009

Play, play, play again

Isto, meus amigos, foi gravado em 1963 e, na altura, o rapaz achou que o tema não era suficientemente bom para ser incluído no THE TIMES THEY ARE A-CHANGIN'. Depois de a Joan Baez ter interpretado o tema num dos mais belos momentos de Dont' Look Back e de os Fairport Convention o terem praticamente arruinado em 69 (année diabolique), foi preciso esperar por 91 para, cortesia dos 3 primeiros volumes das BOOTLEG SERIES, termos finalmente acesso à sua versão original e definitiva. Esta canção é como a minha mãezinha. Tento sempre ouvi-las todos os dias.

Publicado por João Pedro da Costa às 10:32 PM | Comentários (1)

março 19, 2009

Ponto Negro #26

Não me esquecer de entregar o IRS.

Publicado por João Pedro da Costa às 09:41 PM | Comentários (5)

março 18, 2009

Ponto Negro #25

Gesundheit!

Publicado por João Pedro da Costa às 03:05 PM | Comentários (1)

Que maravilha

«Borderline» da Madonna desbundado pelos grandes The Flaming Lips. Aqui.

Publicado por João Pedro da Costa às 10:42 AM | Comentários (4)

março 17, 2009

A Brisa (não a das Estradas de Portugal)

lovingt.jpg Ora aqui está o que chamo uma brilhante ideia. Depois da Chapter Music ter reeditado (e vendido muitos poucos exemplares) da discografia da grande Kath Bloom, os rapazes resolveram juntar malta cheia de talento como Devendra Banhardt, Mark Kozelek, The Dodos, The Concretes e muitos mais para gravar um disco de versões em homenagem à grande compositora norte-americana. Se não conhecem a senhora (descobri-a há alguns anos graças à sublime «Come Here» que entrava em BEFORE SUNRISE do Linklater - e pimba, o U2B é uma maravilha), têm aqui uma excelente oportunidade para recuperar o tempo perdido e ir depois ouvir coisas fundamentais como SING THE CHILDREN OVER (1982) e SAND IN MY SHOE (1983) em parceria com Loren Connors (existe uma bela reedição com estes dois discos) ou ainda TOTALLY (2005) e o recente TERROR (2008). Apesar de o disco de homenagem apenas estar disponível no próximo dia 7 de Abril, ficam já com a fantástica versão de «The Breeze / My Baby Cries» do Bill Callahan (Smog), um gajo a quem eu daria (na boa) uma salva de fodas. Ouvir isto dá para um gajo ficar a levitar a semana toda.

THE BREEZE / MY BABY CRIES (Kath Bloom, 1982) (Bill Callahan, 2009)

I'd like to touch you, but I've forgotten how
And said I didn't need you, but look at me now
Sometime in the summer when we're lying in the breeze
The breeze will kill me, the breeze will kill me

I tried to follow the path that you're on
Something in me is stubborn, I keep going wrong
If you can forgive me now, we'll meet up in another land
When the breeze has killed me, when the breeze has killed me

Sometime in the summer when we're lying in the grass
And the breeze, the breeze

Well my baby cries when he's tired
My puppy howls with the moon
You can never be sure of the people that you know
They don't want to show you their sadness

Yesterday I talked with my father
He said that we could never win
It's so hard to tell where I end and my father begins

So if you see me passing by
Please hold me deep in your heart
And just remember I want to help you, I don't want to hurt you
Just remember I want to help you, I don't want to hurt you
So don't tear it apart

Well my baby cries when he's tired
My puppy howls with the moon

Publicado por João Pedro da Costa às 07:20 PM | Comentários (7)

Ponto Negro #24

Parece que o novo disco do Dylan é todo acústico.

Publicado por João Pedro da Costa às 11:03 AM | Comentários (1)

Habemus capa

together1.jpg

Aqui está a capa do novo disco do Dylan: Andy Warhol por cima de uma foto de Bruce Davidson, que, de resto, já fora utilizada por Scorsese no seu NO DIRECTION HOME. Mi piace molto. Entrevista catita do Dylan aqui.

Publicado por João Pedro da Costa às 10:59 AM | Comentários (0)

março 15, 2009

Ponto Negro #23

Vai ser uma semana longa.

Publicado por João Pedro da Costa às 06:52 PM | Comentários (1)

março 13, 2009

Tadinho dele

lovetheft.jpg Devo ser das poucas pessoas que acham que o Elvis Costello não estava sob o efeito de psicotrópicos quando afirmou que LOVE & THEFT era o melhor disco do Bob Dylan. Talvez não seja superior a obras-primas como HIGHWAY 61 (1965), BLONDE ON BLONDE (1966) ou BLOOD ON THE TRACKS (1975), mas a verdade é que não vislumbro razões para lhes ser inferior. Em primeiro lugar, Dylan está aqui com a sua melhor banda (sim, ainda melhor que os The Band), com Charlie Sexton, Larrie Campbell, Tony Garnier e David Kemper a formar um conjunto uno e coeso que desbunda todas as músicas deste álbum como se não houvesse amanhã. Depois, há a produção límpida e cristalina de Dylan que está aqui apenas para servir as canções e não para projectá-las para paisagens pseudo-exóticas (ver Daniel Lanois e quejandos). Há também as canções: todas elas magníficas e enraizadas até ao tutano na vasta tradição norte-americana do último século, na qual Dylan foi, e ainda é, um dos seus mais influentes criadores e intérpretes. Finalmente, há o tom - conceito vago e movediço, mas facilmente perceptível neste «Po' Boy», uma autêntica stand-up song, cheia de humor e non-sense, suportado não apenas pelo ritmo jazzy (Django Reinhardt meets Tom Waits) e o fraseado único de Dylan (ninguém no mundo consegue debitar tantas sílabas por segundo com ele), mas também pela excelsa mestria da sua escrita. Vale tanto a pena ouvir isto com atenção que é até é meio pornográfico estar práqui a tentar vender-vos o peixe no vil HTML. Não há nada a fazer, sou uma besta.

PO' BOY (Bob Dylan, 2001)

Man comes to the door, I say «For whom are you looking?»
He says «Your wife», I say «She's busy in the kitchen cooking» (1)
Poor boy, where you been?
I already told you, won't tell you again.

I say «How much you want for that?», I go into the store
The man says «Three dollars», «All right», I say, «Will you take four?» (2)
Poor boy, never say die
Things will be all right by and by.

Been working on the mainline, been working like the devil (3)
The game is the same, it's just up on another level
Poor boy, dressed in black
Police at your back.

Poor boy in a red hot town
Out beyond the twinkling stars
Riding first class trains, making the rounds
Trying' to keep from falling' between the cars.

Othello told Desdemona, «I'm cold, cover me with a blanket! (4)
By the way, what happened to that poison wine?»
She says «I gave it to you, you drank it»
Poor boy, laying' them straight
Picking'up the cherries falling off the plate.

Time and love has branded me with its claws
Had to go to Florida, dodging them Georgia laws
Poor boy, in the hotel called the Palace of Gloom
Calls down to room service, says «Send up a room». (5)

My mother was a daughter of a wealthy farmer
My father was a traveling salesman, I never met him
When my mother died, my uncle took me in (he ran a funeral parlor)
He did a lot of nice things for me and I won't forget him. (6)

All I know is that I'm thrilled by your kiss
I don't know any more than this
Poor boy, picking up sticks
Build you a house out of mortar and bricks

Knocking on the door, I say «Who is it and where are you from?»
Man says «Freddy!», I say «Freddy who?», he says «Freddy or not here I come!» (7)
Poor boy, beneath the stars that shine
Washing them dishes, feeding them swine.

(1) Ou a infedilidade na génese do chauvinismo.
(2) Irmãos Marx.
(3) Nunca a palavra «devil» foi digna de tão suprema dicção.
(4) Como é óbvio, é impossível citar os irmãos Marx sem citar o mano Shakespeare.
(5) Genial.
(6) Talvez a minha estrofe favorita de sempre.
(7) I rest my case.

Publicado por João Pedro da Costa às 12:52 PM | Comentários (6)

Ponto Negro #22

E de que maneira.

Publicado por João Pedro da Costa às 11:09 AM | Comentários (4)

março 11, 2009

Ursos, águias e cegonhas

grizzeagle.jpg Quando, no espaço de um ano, um grupo de músicos lança dois discos do calibre de IN EAR PARK (2008) e VECKATIMEST (2009), há motivos para acreditarmos no futuro da humanidade. Já aqui tinha falado nos Grizly Bear e do quanto curti o excelente YELLOW HOUSE (2006). Entretanto, a banda lançou um EP intitulado FRIENDS (irregular devido a colaborações inusitadas) e o guitarrista Daniel Rossen resolveu dar um segundo fôlego ao projecto Department of Eagles. Para isso, ele e Fred Nicolaus convidaram os restantes elementos dos Grizzly Bear para dar uma mãozinha e o resultado foi um dos discos mais belos do ano passado, apesar de um gajo como eu ter tido imensa dificuldade em perceber o que separava as águias dos ursos, tão flagrante era a semelhança entre a sonoridade dos dois projectos. Pois bem, dentro de alguns meses chegará às lojas VECKATIMEST, um cabrão de um disco que vai ter imensa dificuldade em não ser considerado por mim a coisa mais maravilhosa que vou ouvir este ano (bem, vem aí em Abril um novo disco de originais do Dylan, por isso há que ser comedido neste tipo de afirmações). Deixo aqui um tema de cada um desses álbuns à vossa consideração e digam-me lá se isto não é das coisas mais frescas e empolgantes que já ouviram nas vossas belas e fascinantes vidas. Já agora, mais uma dica: já viram coisa mais viciante do que isto? Eu nasci na Alsácia, pátria desses bichos, e é por isso com um misto de emoção e propriedade que vos dou essa dica.

SOUTHERN POINT (Grizzly Bear, 2009)

NO ONE DOES IT (Department Of Eagles, 2008)

Publicado por João Pedro da Costa às 12:30 PM | Comentários (13)

Ponto Negro #21

Quase que não arranjava bilhetes para a PJ Harvey na Casa da Música. Quase.

Publicado por João Pedro da Costa às 11:37 AM | Comentários (9)

março 09, 2009

L'amour et la violence

É uma das grandes músicas do ano passado e aquela em que melhor se nota a contribuição de Guy-Manuel de Homem-Christo (Daft Punk) na produção do último álbum de Sébastien Tellier (para mim, um dos mais desconcertantes e imprevisíveis compositores franceses da actualidade e o único com talento para assumir a linhagem do grande Serge Gainsbourg). O vídeo foi realizado por Roman Coppola e é um anacronismo tão belo e flagrante na forma como ignora todas as convenções do género que é capaz de haver por aí muito camelo que o vai achar uma seca (é a chamada influência do meio no camelo).

Publicado por João Pedro da Costa às 11:43 AM | Comentários (11)

março 08, 2009

Not in an amount that is not manageable

Publicado por João Pedro da Costa às 09:39 PM | Comentários (4)

Ponto Negro #20

Nem de propósito.

Publicado por João Pedro da Costa às 01:04 PM | Comentários (5)

março 06, 2009

Kitschen

kitschen.jpg

Tudo cortesia dos ícones (horrendos) do Internet Explorer.

Publicado por João Pedro da Costa às 11:53 AM | Comentários (13)

Olha quem são eles

Publicado por João Pedro da Costa às 10:18 AM | Comentários (2)

março 05, 2009

Não te metas com as abelhas, Senhor Furacão

beastcapa.jpg Ando muito doido com isto. Os Beast são, pelos vistos, o fruto da colaboração entre o produtor canadiano Jean-Phi Gonçalves (sim, Gonçalves) e a cantora Betty Bonifassi (sim, Betty), uma das vozes presentes na banda-sonora do Belleville Rendez-Vous. O disco homónimo saiu esta semana mas apenas ainda (ou ainda apenas?) ouvi este (apenas só? somente ainda? bah) este fantástico «Mr. Hurricane» que tem (enfim, pode ser impressão minha) uma bateria à Phil Spector, um groove à Rage Against The Machine, uma voz que não anda muito longe da gravitas de uma Beth Gibbons e coros que fazem lembrar coisas genuinamente inaudíveis. Que a soma disto tudo resulte numa das melhores canções que ouvi este ano pode apenas significar duas coisas que, por razões que todos compreenderão, me abstenho de referir (hã?). Como se não bastasse, o vídeo é uma moca. Os mais exigentes (eu sei que os há por aí) poderão ver e ouvir esta obra-prima em alta definição aqui (Quick Time).

Publicado por João Pedro da Costa às 03:32 PM | Comentários (3)

Ponto Negro #19

Acontece-me muito isto.

Publicado por João Pedro da Costa às 02:29 PM | Comentários (6)

março 04, 2009

É a mesma pedra, mas é muito boa

roycock.jpg Foram precisos 34 anos para chegar ao Roy Harper o que, obviamente, passa a ser uma das grandes vergonhas desta minha sublime e carnavalesca existência. Afinal de contas, há quase duas décadas que sabia que os Led Zeppelin fechavam o seu terceiro disco com um tema chamado «Hats Off To (Roy) Harper» e que era ele quem cantava de forma sublime em «Have A Cigar» dos Pink Floyd. Mas não, burro como sou, nunca me senti tentado a explorar a obra desse compositor inglês, até que há cerca de duas ou três semanas numa pesquisa pela Amazon resolvi encomendar assim à bruta o disco STORMCOCK (1971). Pois bem, que filha da puta de disco. Tem apenas quatro longos temas, todos eles acústicos, todos eles capazes de tirar a respiração ao ouvinte mediamente atento. Sinceramente, estou-me a cagar para as letras (supostamente um dos pontos fortes do disco segundo a doxa), na medida em que esta música de acordes largos e abertos, cheia de pequenas variações e fugas, é das coisas mais fascinantes que ouvi na minha vida. Para já deixo aqui este «The Same Old Rock» que, pasme-se, tem o mais belo solo de guitarra de um rapaz chamado Jimmy Page. Se um dia tiver um filho, ponho-o a ouvir isto logo no berço que é para o infante não ser um básico (charmoso, mas básico) como o papá.

Publicado por João Pedro da Costa às 09:24 PM | Comentários (17)

Ponto Negro #18

Roy Harper. Roy Harper. Roy Harper.

Publicado por João Pedro da Costa às 06:31 PM | Comentários (7)

março 02, 2009

Ponto Negro #17

Isto estava tudo mal. Correcção sugerida pelo Fred.

Publicado por João Pedro da Costa às 05:02 PM | Comentários (14)