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março 04, 2009

É a mesma pedra, mas é muito boa

roycock.jpg Foram precisos 34 anos para chegar ao Roy Harper o que, obviamente, passa a ser uma das grandes vergonhas desta minha sublime e carnavalesca existência. Afinal de contas, há quase duas décadas que sabia que os Led Zeppelin fechavam o seu terceiro disco com um tema chamado «Hats Off To (Roy) Harper» e que era ele quem cantava de forma sublime em «Have A Cigar» dos Pink Floyd. Mas não, burro como sou, nunca me senti tentado a explorar a obra desse compositor inglês, até que há cerca de duas ou três semanas numa pesquisa pela Amazon resolvi encomendar assim à bruta o disco STORMCOCK (1971). Pois bem, que filha da puta de disco. Tem apenas quatro longos temas, todos eles acústicos, todos eles capazes de tirar a respiração ao ouvinte mediamente atento. Sinceramente, estou-me a cagar para as letras (supostamente um dos pontos fortes do disco segundo a doxa), na medida em que esta música de acordes largos e abertos, cheia de pequenas variações e fugas, é das coisas mais fascinantes que ouvi na minha vida. Para já deixo aqui este «The Same Old Rock» que, pasme-se, tem o mais belo solo de guitarra de um rapaz chamado Jimmy Page. Se um dia tiver um filho, ponho-o a ouvir isto logo no berço que é para o infante não ser um básico (charmoso, mas básico) como o papá.

Publicado por João Pedro da Costa às março 4, 2009 09:24 PM

Comentários

Ai meu Deus, a tua música acentua-me as dores. Mete isso na barriga da mãe que o teu filho nasce mais depressa.

Publicado por: claudia em março 4, 2009 10:04 PM

Roiarpa, tiraste-me o cisco do olho.

Publicado por: derFred em março 5, 2009 03:34 AM

Mas ficaste com uma pedra na cabeça?

Publicado por: João Pedro da Costa em março 5, 2009 02:29 PM

É a velha pedra de sempre.

Publicado por: derFred em março 5, 2009 02:32 PM

Boa as usual. No fundo, eu e tu somos daqueles gajos (muito gays) a quem meia-palavra basta.

Publicado por: João Pedro da Costa em março 5, 2009 03:16 PM

De Roy Harper só conhecia o "Sophisticated Beggar"(1966), um disco que comprei pelas muitas referências às letras (poesia, disseram-me na altura)...bom mas nada de genial. Quando li este post, eis o que me chamou a atenção: Jimmy Page(Mas não um Jimmy Page qualquer, o Jimmy Page de 1971)! Já nem me interessou mais nada, estava conquistada. Quis de imediato ouvir o "stormcock" todo ("stormcock"...lol...mas que raio de nome o rapaz foi arranjar!). E ouvi. Estou toda a tremer, garanto. "Me and My Woman", a sensação que experimentei ao ouvir este tema..."isto vai ter efeitos secundários", pensei. E pelo sim pelo não, fui tomar a pílula.

Publicado por: Chris em março 5, 2009 06:30 PM

Marsalis é um virtuoso da trompete, é tecnicamente brilhante (aliás defende a técnica com unhas e dentes e é também conservador que chegue)...e para mim Marsalis é só isto, ponto final. Acontece o mesmo com os virtuosos da guitarra, oprimidos pela técnica nem chegam a transpirar, parecem máquinas. Jimmy Page não, Jimmy Page transpira e faz-nos transpirar...o solo em "The Same Old Rock", repito, o solo em "The Same Old Rock"...como é possível espremer assim uma guitarra? Mas sugiro alguma contenção:"o mais belo solo de guitarra de um rapaz chamado Jimmy Page". Falta uma palavra fundamental: acústica.

Publicado por: Chris em março 5, 2009 08:11 PM

Pessoalmente, acho que é mesmo o melhor,Chris. Claro que isso pode ter a ver com o choque de descobrir por esta altura do campeonato um solo do Page datado de 71, mas não só. A parte inicial daquele solo (de blues) é todo ele feito em apenas uma corda (a de Mi) e o resto são variações no acorde de Mi menor. Tudo isto parece extremamente fácil, mas não é. É genial.

Ok, talvez o solo de «In My Time Of Dying» esteja ligeiramente acima. :)

Publicado por: João Pedro da Costa em março 6, 2009 09:03 AM

Pessoalmente, acho que não é o melhor, JPC. Mas não faz mal nenhum estarmos em desacordo.

Publicado por: Chris em março 6, 2009 01:20 PM

Então chuta lá os melhores solos do Page. Opa!

Publicado por: João Pedro da Costa em março 6, 2009 01:52 PM

Lol. Quem me dera, mas nem sequer sei tocar guitarra.

Publicado por: Chris em março 6, 2009 02:13 PM

Solos Jimmy Page seguindo um método científico:
a)Outono;noite;"How the west was won"-> "Since I've been loving you",
b)Inverno(chuva forte);fim da tarde; "BBC sessions" -> "You shock me",
c)Inverno(chuva miudinha);principio da noite;"Remasters" -> "Dazed and Confused",
d)Primavera;de tarde -> "Stairway to heaven"

Publicado por: Chris em março 6, 2009 03:05 PM

Que arrependida estou, nunca devia ter feito esta selecção...é evidente que isto não faz sentido nenhum :) Lembrei-me entretanto de tantos outros solos de Jimmy Page.

Publicado por: Chris em março 6, 2009 03:32 PM

Por acaso, até faz algum. A mim, vem logo à cabeça não propriamente solos de Page, mas malhas dele como o «Wearin And Tearin» (Coda), «Sick Again» (Physical Graffiti), «Tea for One» (Presence), «Over The Hills And Far Away» (Houses of the Holy) ou «When The Levee Breaks» (IV). Das canções óbvias, essas do «Remasters», nem vale a pena falar...étudovom.

Publicado por: João Pedro da Costa em março 6, 2009 03:55 PM

Eu gosto destas bandas (tipo Led Zeppelin, Cream ou Motorhead) apenas com baterista, baixista e guitarrista e em que os músicos são tão bons que parece que estão lá mais instrumentos. E para que isso aconteça, o baixista tem de preencher muito bem os vazios da guitarra. É como se o baixista estivesse a solar durante toda a música - o ritmo fica mais entregue ao guitarrista (são as malhas de que o João fala).

Publicado por: derFred em março 7, 2009 11:19 AM

derFred: sim, mas conseguir dar dimensão a uma música apenas com guitarra ("The Same Old Rock") é como navegar à vela com pouco vento...só os bons marinheiros conseguem.

Publicado por: Chris em março 9, 2009 02:41 PM

Os gajos têm unhas. A sério. Compridas. É o lado kitschen dos guitarristas.

Publicado por: derFred em março 10, 2009 12:20 PM

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