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abril 09, 2009

Este post não é sobre o Dylan

Uma das coisas mais pantanosas que um gajo pode fazer depois de ter todos os discos, compilações e bootlegs com outakes do Dylan é começar a procurar gravações dos seus concertos. Com o surgimento do HTML, é possível ao comum dos mortais verificar que existem actualmente centenas de concertos do rapaz disponíveis para download. Desde que comecei a escrever este post, por exemplo, é bem mais do que provável que um sueco qualquer tenha feito o upload de um concerto da Rolling Thunder Review gravado pelo pai em Berlim no dia 11 de Janeiro de 1976 ou que um puto senegalês tenha colocado um completíssimo registo áudio do concerto que Dylan deu ontem em Paris.

O facto de Dylan andar pela estrada com a sua Never Ending Tour de forma ininterrupta desde o dia 7 de Junho de 1988 é, sem dúvida, um pau de dois bicos: tanto pode dar origem a grandes concertos como a valentes secas e desilusões. Desde 1958, Dylan actuou ao vivo mais de 2500 vezes e, desde então, apenas não terá pisado um palco em 1959 e 1973. Dessa forma, é importante perceber duas coisas: em primeiro lugar, que Dylan possui um muito interessante e singular percurso como performer que é paralelo à sua carreira discográfica; em segundo lugar, que nem sempre esses dois vectores estiveram em sintonia e em sincronia ao longo dos anos. Se o período cristão (1979-81) da obra de Dylan é irregular ao nível dos discos que produziu, o mesmo não se pode dizer dos concertos que cobrem esse mesmo período: nem mesmo no ano da sua famosa digressão pelo Reino Unido com elementos do que viria a ser os The Band (1966), na Rolling Thunder Review (1975-76) ou nos muitos concertos da Never Ending Tour (1988 até aos dias de hoje) é possível encontrar um Dylan tão regular e consistentemente arrebatador como o das suas actuações em 1979, ano em que, para grande espanto dos seus fãs (e o pequeno ódio de John Lennon), descartou todo o seu reportório para tocar apenas canções que falassem da sua recente conversão ao cristianismo.

Vejam que até um gajo como eu, que possui a mesma espiritualidade de um pardalito, pode deixar de ser sensível à forma como este Dylan Grande Reserva 1979 e a sua banda desbundam dois dos mais belos temas que um ser humano alguma vez escreveu como alternativa a uma ida à missa. Quando bem manipulado, o U2B possui todas as virtudes e os defeitos da minha catequese.

Publicado por João Pedro da Costa às abril 9, 2009 09:17 PM

Comentários

God Almighty.

Publicado por: derFred em abril 14, 2009 03:42 PM

Reach out your hands and touch the coiso!

Publicado por: João Pedro da Costa em abril 15, 2009 04:22 PM

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