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maio 15, 2009
Mertepy ven seinur
Boa hora aquela em que Bill Callahan resolveu deixar de assinar os seus discos sob a designação de Smog (com ou sem parênteses). É o que o rapaz libertou-se não apenas da onda low-fi (que já enjoa), como começou a investir muito mais no arranjo das suas canções. Não é por isso de espantar que SOMETIMES I WISH WE WERE AN EAGLE seja o seu melhor disco até à data, isto até editar o próximo que, estou certo, confirmará que o rapaz está numa daquelas curvas que malta engravatada gosta de referir como ascendente. O novo álbum é variado qb, aventura-se por sonoridades mais exóticas («Rococo Saphyr») e até traz algumas novidades no registo que Callahan habitualmente utiliza para colocar a sua voz («All Thoughts Are Prey To Some Beasts»). Mas num disco repleto de motivos para o elogio descontrolado (um dos passatempos preferidos), o destaque vai para «Eid Ma Clack Shaw» (calma), um tema que poderia ter sido gravado por estoutro grande doido que é o Kevin Ayers, tal é a economia cirúrgica dos arranjos. E depois, que raios, entra-se aqui em contacto com uma nova língua ou, se preferirem, com a língua naquilo que de mais poética ela pode ter que é o puro significante. Esqueçam lá as línguas das populações fantásticas de Tolkien, o Newspeak de Orwell, a linguagem transmental de Chelbnikov ou as invenções satíricas de Rabelais e Foigny - e passem-se com este songspeak onírico de Bill Callahan.
EID MA CLACK SHAW (Bill Callahan, 2009)
Last night I swear I felt your touch
Gentle and warm
The hair stood on my arms
How? How? How?
Show me the way, show me the way, show me the way
To shake a memory
I flipped my forelock, I twitched my withers, I reared and bucked
I could not put my rider aground
All these fine memories are fuckin' me down
I dreamed it was a dream that you were gone
I woke up feeling so ripped by reality
Love is the king of the beasts
And when it gets hungry it must kill to eat
Love is the king of the beasts
A lion walking down city streets
I fell back asleep some time later on
And I dreamed the perfect song
It held all the answers, like hands laid on
I woke halfway and scribbled it down
And in the morning what I wrote I read
It was hard to read at first but here's what it said
Eid ma clack shaw
Zupoven del ba
Mertepy ven seinur
Cofally ragdah
Show me the way, show me the way, show me the way
To shake a memory
Publicado por João Pedro da Costa às maio 15, 2009 12:22 PM
Comentários
Por piedade, deixo um comentário. Amén.
Publicado por: claudia em maio 17, 2009 02:28 AM
É engraçado - foi a segunda vez que ouvi esta canção e parecia que já a tinha ouvido muitas vezes.
(estou a gostar do layout minimalista das Ruínas)
Publicado por: derFred em maio 18, 2009 02:53 PM
Zupoven del ba!
Gostei muito da canção. "Realmente" bela declaração de amor.
Publicado por: Valupi em maio 18, 2009 07:47 PM
Fred: pois, isto é tudo de propósito. O cenário minimalista. :-)
Primo: as aspas são um nice touch.
Publicado por: João Pedro da Costa em maio 19, 2009 10:36 AM